Jornal MT Norte
Publicidade
         
      
         
PERFIL: Outro foco profissional
Em “Cidade Proibida”, Regiane Alves vibra com a chance de se aprofundar nas séries
21:13   06 de Outubro, 2017

por Caroline Borges

TV Press

Regiane Alves tem uma relação antiga com a televisão. Ainda assim, interpretar a garota de programa Marli, de “Cidade Proibida”, desperta sentimentos de uma verdadeira novata na atriz de 39 anos. De volta às séries após participar de “A Muralha”, em 2000, ela não esconde o discurso inflamado e empolgado sobre a personagem escrita por Mauro Wilson. Inclusive, coloca o trabalho como um dos mais diferenciados de sua trajetória. “Acho que é o meu papel mais ousado até hoje. O Mauro estava muito inspirado quando criou a Marli. Dentro da história, a prostituta é colocada como heroína. Afinal, ela salva diversos casos do Zózimo (Vladimir Brichta). É a personagem que mais estou tendo prazer de fazer e criar. São 12 episódios muito bem pensados”, vibra.

Na história ambientada nos anos de 1950, Marli é uma garota de programa perdidamente apaixonada por Zózimo. Porém, para sua frustração, ele só quer manter uma amizade e uma relação sem compromisso. Cega de paixão, ela se dedica inteiramente ao detetive e se torna uma parceira informal do amado e frequentemente contribui de maneira decisiva em suas aventuras. “Ela é muito engraçada e apaixonada. Mesmo assim, a Marli é uma mulher independente e à frente do seu tempo. Tanto é que ela é a única mulher no meio de três homens. Ela não se envergonha da profissão que tem e fala, sem nenhum problema, que vai sair para bater a cota do dia”, afirma.

O primeiro passo para a atriz entrar no universo da personagem foi através da caracterização. Antes do início das gravações, a atriz cortou os cabelos bem curtos. A ideia da equipe do seriado era criar um visual que não ficasse preso aos anos de 1950 e fosse bastante moderno para o período. “Adorei esse cabelo. Aposentei minhas escovas (risos). Não queríamos que ficasse datado. A Marli é uma mulher dinâmico e que precisa de um cabelo prático. Queríamos fazer uma prostituta chique e sem cair no clichê”, afirma ela, que também aparecerá usando perucas ao longo dos episódios. “Para ajudar o Zózimo, ela usa vários visuais em disfarces. Além disso, há cenas de flashback que mostram como eles se conheceram”, completa.

Depois da caracterização definida, Regiane mergulhou no universo do cinema “noir” e da prostituição para compor a personagem. Na busca de referências, ela assistiu a filmes, como “Los Angeles – Cidade Proibida”, “Viver a Vida” e “Noites de Cabíria”, e pesquisou sobre personalidades, como a dançarina holandesa Mata Hari e Gabriela Leite, ex-prostituta e criadora da grife Daspu. Além disso, conversou com uma mulher que trabalhou como prostituta na década de 1950. “Ela me falou como funcionava, os valores e o poder que essas prostitutas tinham na sociedade. Eram mulheres bem vestidas e não aparentavam vulgaridade. O glamour da época era muito importante”, ressalta.

De folga da tevê desde “A Lei do Amor”, Regiane foi convidada para “Cidade Proibida” pelo diretor Maurício Farias. Com diversas novelas no currículo, ela revela que já desejava se envolver em uma série há bastante tempo. O processo de produção mais cauteloso e artesanal encheu os olhos da atriz. “É um novo formato que estamos consumindo. Afinal, somos todos fãs de Netflix (serviço de streaming) o tempo todo. Sinto que faço um trabalho melhor e com mais cuidado. Você consegue trabalhar mais e pensar mais para onde vai a personagem”, valoriza.

 

Dentro do contexto

Para viver uma garota de programa, Regiane Alves sabia que iria se deparar com cenas sensuais ao longo da trama de “Cidade Proibida”. No entanto, a atriz não se preocupou em nenhum momento e gravou com absoluta tranquilidade as sequências mais ousadas de Marli. “Foi tudo bem. A equipe é muito profissional. Retratamos um caso de amor e todas as cenas são pertinentes. É uma série sobre mulheres lindas, traições, assassinatos e suspense. Faz parte do enredo”, explica.

Para a atriz, a trama de Marli é bastante atual. Apesar de estar ambientada na década de 1950, a personagem retrata sinais do início do movimento feminista. “Vejo o feminismo muito presente. Tem coisas que vivo hoje e posso ver na série. A Marli já dava sinais das coisas que estamos vivendo atualmente”, avalia.

 

Instantâneas

# Antes de se dedicar às gravações de “Cidade Proibida”, Regiane estava em cartaz com a peça “Para Tão Longo Amor”. “Eu ia estrear no dia seguinte quando o Maurício me ligou. Falei que estava mega confusa, mas, no fim, deu tudo certo”, comemora.

# Para manter a continuidade da série, a atriz precisa cortar os cabelos a cada 20 dias.

# A estreia de Regiane na tevê foi como a protagonista de “Fascinação”, do SBT, em 1998.

# Durante “Mulheres Apaixonadas”, a atriz levou uma série de broncas na rua por conta de sua perversa personagem Dóris.

 
COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte