Jornal MT Norte
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Por propina, deputados chantagearam Silval
Conforme o ex-governador, cada deputado recebeu R$ 600 mil
12:31   27 de Outubro, 2017

Reportagem
Mato Grosso do Norte

O ex-governador em mais um capítulo de sua delação premiada, afirmou que foi chantageado pelos deputados, Mauro Savi (PSB), Romoaldo Junior (PMDB), Gilmar Fabris (PSD), Baiano Filho (PSDB), Wagner Ramos (PSD), Dilmar Dal Bosco (DEM) e o ex-deputado José Riva, que foram ao Palácio Paiaguás para exigirem dinheiro de Silval proviente das obras do programa MT Integrado.
Conforme um vídeo que faz parte de sua delação, o ex-governador relatou que o deputado estadual Adalto de Freitas (SD), o “Daltinho”, teria gravado reunião do Colégio de Líderes da Assembleia, para chantagear os membros da Mesa Diretora. A reunião realizada entre 2012 e 2013, quando o ex-deputado José Riva era presidente do Legislativo, teria como objetivo buscar uma forma de conseguir mais dinheiro do ex-governador Silval Barbosa.
Em depoimento prestado em 5 de maio deste ano à procuradora da República Vanessa Cristhina Scarmagnani, que compõem o acordo de colaboração premiada (delação) com a Procuradoria-Geral da República. 
De acordo com Silval, Daltinho, que na época era suplente, gravou a reunião e utilizou a gravação para se manter no efetivo exercício do cargo de deputado. Ele declara que temendo que Daltinho divulgasse tal gravação, os parlamentares combinaram entre si para que o parlamentar continuasse na cadeira.

Coforme o depoimento, para comprovar os fatos, Daltinho entregou para o deputado Romoaldo Júnior (PMDB) um pen drive com cópia dessa gravação. Silval diz que teve conhecimento do fato pelo próprio Romoaldo e pelos deputados Riva e Mauro Savi.
Após alguns dias da reunião, de acordo com o peemedebista, Riva, Savi, Romoaldo, Gilmar Fabris (PSD), Baiano Filho (PSDB), Wagner Ramos (PSD) e Dilmar Dal Bosco (DEM) foram até o Palácio Paiaguás para exigirem dinheiro de Silval, de propina provenientes das obras da Copa do Mundo e do programa MT Integrado.
Nessa reunião, segundo afirmou Silval Barbosa, os deputados exigiram que o declarante efetuasse o repasse no valor de R$ 1 milhão por deputado, diz trecho do depoimento. Se recusasse a proposta, os parlamentares ameaçaram não aprovar as contas de governo e ainda criar dificuldades tanto na aprovação dos projetos de interesse do Poder Executivo, como também no andamento das obras.
O ex-governador relata que ofereceu repassar a gestão do montante de R$ 400 mil de obras do MT Integrado, para que os parlamentares conseguissem receber cerca de 3% a 4% de propina das construtoras. No entanto, os deputados não teriam aceitado tratar diretamente com os empresários, ficando combinado que Silval ficaria responsável em nomear alguém para receber esse montante e repassar aos membros do Legislativo.
O peemedebista afirma que após muita discussão, conseguiu convencê-los a repassar o valor de R$ 600 mil por deputado, parcelado em 12 vezes. Silval repassou ao então adjunto da Sinfra, Valdísio Viriato, a missão de coordenar a arrecadação do dinheiro com as construtoras.

 
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