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Pauta do governo é que faz o gás ser caro em Mato Grosso, diz empresário
Pauta do gás de cozinha em Mato Grosso, que determina o valor do ICMS, é uma das mais caras do Brasil
12:11   08 de Novembro, 2017

José Vieira do Nascimento
Editor de Mato Grosso do Norte

Com o reajuste anunciado na semana passada pela Petrobrás no preço do gás de cozinha, o botijão, que ainda está sendo vendido a R$ 108,00, irá subir para cerca de R$ 115,00 em Alta Floresta. E a tendência é que o produto continue com novos reajustes nos próximos meses. 
As informações são do empresário Elvis Aparecido Guimarães e Souza, proprietário de uma revenda de gás em Alta Floresta [Acqua Norte], e que recebe o produto da distribuidora Multigás, com sede em Cuiabá. 
O empresário explica que o reajuste do gás é feito pela Petrobrás. E as distribuidoras e representantes, repassam para o produto, o mesmo percentual. “O que faz o Gás ficar caro é a pauta do governo estadual que determina o que se paga de imposto. Todas às vezes que a Petrobrás aumenta o gás, o governo reajusta o valor da pauta, o que faz o produto ficar caro. O ICMS é recolhido sobre a pauta determinada pelo governo. Não somos nós que estipulamos o preço”, explica.
Conforme Elvis, Mato Grosso é um dos Estados que tem a pauta do gás de Cozinha mais cara do Brasil. “Para se ter uma ideia de valores, a Multigás, também distribui gás em Santarém (PA). Lá o botijão está sendo vendido a R$ 59,00, enquanto aqui está custando o dobro por causa da diferença na pauta entre os dois Estados”, disse.

O gás vendido em Mato Grosso vem da refinaria de Paulínia (SP) e é engarrafado em Cuiabá pelas distribuidoras. No mercado de Mato Grosso, atuam atualmente, as distribuidoras Copagás, Liquigás, Supergasbrás, Nacional Gás, Ultragás e Multigás. 
Hoje, o revendedor paga R$ 93.70 de ICMS por botijão, mais R$ 8.75 de frete e a carreta sai por R$ 81.75 por botijão. 
“A média de lucro bruto das revendedoras é de 35%. No entanto, deste percentual, temos que pagar todas as despesas, como funcionários e impostos. O que faz o gás ser caro são os impostos que pagamos. O ICMS caro, encarece também o combustível e temos que pagar fretes mais caros. Se a pauta do governo fosse mais acessível, o preço para os consumidores seria melhor”, frisa Elvis.
Para o empresário, não há justificativas para o governo federal reajustar sucessivamente o preço do gás. Segundo ele, a sociedade está pagando o rombo na Petrobrás, causado pelos desvios de recursos públicos. “Em um ano o gás de cozinha dobrou de preço. Antes, o gás era subsidiado pela Petrobrás e não tinha tantas altas. Depois que apareceram os desfalques, o produto passou a subir constantemente. E, infelizmente, quem paga o preço é quem mais precisa, que são os mais pobres”, enfatiza.
Ele explica que o preço alto do gás de cozinha não é interessante para o revendedor. “O nosso negócio não é preço. É consumo. Ter um produto caro não é interessante porque diminui o consumo e vende-se menos”, diz.
Na opinião de Elvis, a sociedade deve se mobilizar e cobrar do governo estadual, através de seus representantes, uma pauta com valor mais acessível dentro do Estado. De acordo com ele, a tendência é que novos reajustes sejam autorizados pelo governo.
“Não tem essa necessidade de reajustar tanto o valor do gás na refinaria e o governo estadual acompanhar a Petrobrás e aumentar também o valor do imposto. O gás é como a conta de energia:  a metade do valor é dos impostos que pagamos para o governo”, disse.
Segundo Elvis, os revendedores pagam o imposto na fonte quando compram uma carreta de gás. “Pagamos o imposto adiantados. E só recebemos a mercadoria, três dias depois. E quando a Petrobrás anuncia a alta no preço, a distribuidora segura a venda do produtor em média três dias para ajustar o produto no novo valor”, disse. 

 
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