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Tempo generoso
Em “Belaventura”, Juliana Didone ressalta amadurecimento na carreira
13:01   10 de Novembro, 2017

Caroline Borges

TV Press

 

Juliana Didone acredita que o desconforto seja parte importante de seu trabalho de construção. No ar na trama medieval de “Belaventura”, a intérprete da guerreira Brione confessa que é difícil gravar com os pesados figurinos de época da novela escrita por Gustavo Reiz. Antes de entrar em cena, a atriz precisa enfrentar uma intensa camada de anáguas e joias pesadas. No entanto, são exatamente esses percalços que auxiliam Juliana a se envolver com o enredo retratado. “São esses pequenos incômodos que ajudam a entrar na realidade da personagem. É uma dificuldade que gosto. Minha personagem, por exemplo, escreve muito a pena. Tudo isso exige uma delicadeza diferente. Só de colocar a coroa, o cabelão e aqueles vestidos já entendo que não sou mais a Juliana”, aponta.

Ainda assim, não é só o figurino que ajuda a atriz a encarar o enredo de Brione. Antes do início das gravações, ela foi a busca de referências cinematográficas para compor a personagem. Durante o seu período de pesquisa, Juliana assistiu a filmes como “Shakespeare Apaixonado”, “Romeu e Julieta”, “A Rainha Margot”, “Elizabeth” e “Joana d'Arc”. “Apesar de ser uma personagem romântica, ela é uma mulher muito forte e decidida. Não fica chorando por um amor. Por isso, procurei referências em mulheres fortes. O Gustavo Reiz é muito bom em escrever para mulheres. Ele cria personagens que lutam pelo que querem”, elogia. Além do catálogo de longas, Juliana também precisou ter aulas de arco e flecha para a personagem. Em diversas cenas, ela aparece manuseando a arma. “Fazer o movimento é fácil. O mais difícil é a precisão, equilíbrio, mira e concentração. Nas sequências, tenho alguns dublês que me ajudam, mas gosto de fazer eu mesma”, explica.

Na história, Brione é filha dos maquiavélicos Severo e Marion, interpretados por Floriano Peixoto e Helena Fernandes. Jovem inteligente e responsável, ela vive no meio da sede de poder dos pais. No entanto, com coração bondoso, ela apenas quer viver seu grande amor ao lado de Gonzalo, papel de Alexandre Slaviero, um refugiado. “Ela não liga para o poder, só quer viver o amor dela em paz. Ao fugir de casa, ela se revela uma grande guerreira. A Brione é uma mocinha batalhadora. Apesar de viver trancada em um castelo, ela se apaixona. Quase uma história de Rapunzel”, compara a atriz, fazendo referência ao conto de fadas escrito pelos irmãos Grimm. “O autor se inspirou em clássicos da literatura e fábulas para criar as histórias”, completa.

Natural de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, Juliana focou boa parte de sua carreira na televisão. Entre os anos de 2002 e 2012, ela esteve na Globo, onde participou de novelas, como “Malhação”, “O Profeta”, “Negócio da China” e “Aquele Beijo”. “Tudo na vida é feito de fases. A minha parceria com a Globo foi maravilhosa. Comecei engatinhando e fui crescendo”, lembra. A partir de 2013, ela se mudou para a Record, onde estreou em “Pecado Mortal”. Inicialmente contratada por obra, Juliana fechou um vínculo longo com o canal logo após o fim da novela de Carlos Lombardi. Em seu terceiro folhetim na emissora, a atriz se sente mais madura e acredita ter conquistado um espaço para dialogar com os executivos do canal sobre seus futuros trabalhos. “Cheguei na Record com mais maturidade, acho que por conta da idade mesmo. Me sinto mais tranquila para desempenhar meu ofício. Saio de uma novela sabendo que fiz meu melhor como atriz. Posso propor um diálogo com a emissora sobre o que é melhor fazer em cada momento”, valoriza.

 

Outras formas

O convite para participar de “Belaventura” surgiu através do departamento artístico da Record. Ao ler a sinopse da personagem, Juliana logo se encantou pelo universo que envolvia a trama. No entanto, ela rapidamente percebeu que o folhetim a colocaria diante de uma situação inédita. Pela primeira vez, ela gravou uma novela quase inteiramente antes de ir ao ar. “Foi uma experiência diferente. Achei legal porque ficamos um pouco livres da pressão. Às vezes, em 15 dias, tudo muda em uma obra aberta. Isso é bem louco para o autor e os atores”, afirma.

Apesar de ter gravado boa parte da novela antes de ir ao ar, a atriz garante que não tem o domínio completo da obra. Afinal, os capítulos são entregues pouco a pouco para o elenco. “Não recebemos todos os capítulos de uma vez. Então, dá para ir programando as curvas dos personagens e se surpreender em alguns momentos. Gostei de trabalhar nesse esquema, mas também há seus perigos. No entanto, tudo na vida é um perigo”, explica.

 

Instantâneas

# Antes de se dedicar a atuação, Juliana Didone chegou a viver por sete meses em Tóquio, Japão.

# A atriz participou da segunda temporada da “Dança dos Famosos”, do “Domingão do Faustão”.

# Apesar de seguir no ar em “Belaventura”, Juliana já encerrou as gravações da trama de Gustavo Reiz.

# Sua estreia no cinema foi no filme “Colegas”, de Marcelo Galvão. 

 
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