Jornal MT Norte
Publicidade
Quebra-cabeça psicológico
17:08   08 de Agosto, 2014
6cfa1119afe6291f4aad258e19d3972a.jpg

A serenidade é um dos traços mais marcantes da personalidade de Lilia Cabral. De jeito manso e fala tranquila, a atriz nem parece dar vida à fria e calculista Maria Marta, de "Império", da Globo. Após alternar os clássicos postos de vilã, como em "Viver a Vida", e heroína, como em "Fina Estampa" e "Saramandaia", ela comemora a oportunidade de encarnar uma personagem dúbia, com diversos complexos humanos e que foge totalmente do "lugar-comum"". "É um papel que está longe do maniqueísmo e do estereótipo da vilã clássica. É um ser humano enfraquecido. Há muitas vertentes artísticas para explorar e trabalhar", afirma ela, que acredita que o papel de vilã seja mais desgastante para o intérprete. "Tem de ser crível e isso é muito complicado. A gente não acorda, calça um sapato e sai com uma arma em punho para matar alguém", completa, aos risos.

      Na trama de Aguinaldo Silva, a atriz vive uma ''socialite'' falida, que encontra no casamento inesperado com José Alfredo, interpretado por Alexandre Nero, a chance de retomar seu "status" social e sua fortuna. Ao longo dos anos, a personagem alimenta um grande amor pelo marido, mesmo sabendo que o relacionamento entre os dois enfraqueceu com o tempo. Ardilosa e inteligente, ela faz de tudo para defender seus filhos, em especial José Pedro, de Caio Blat. Por isso, não hesita em guerrear com o comendador pelo controle da empresa da família. "A trama está muito atrelada a uma disputa pelo poder. É ganância mesmo. Ela gosta de ostentar o padrão de vida que o dinheiro proporciona. É uma mulher fina e controladora. Tem atitudes agressivas, cruéis e maldosas", aponta.

      Inclusive, o figurino sóbrio e elegante da personagem foi um dos principais pontos de partida de Lilia na hora de compor a personagem. A caracterização de Maria Marta foi essencial para a atriz compreender os dilemas da falida aristocrata. "É uma personagem muito distante de mim. Através das roupas de grife e bem arrumadas, dá para perceber esse desejo de ostentação e ambição", ressalta.

      Dividindo o posto de vilã do folhetim com Drica Moraes, que interpreta a dissimulada Cora, Lilia não sente a pressão de manter a mesma repercussão de outras personagens populares do autor. Como foi o caso de Nazaré, de "Senhora do Destino", ou Tereza Cristina, de "Fina Estampa'', vividas por Renata Sorrah e Christiane Torloni, respectivamente. "Não estou preocupada se as pessoas vão adorar ou não a personagem. A minha maior preocupação a cada nova novela é desenvolver um bom trabalho", ressalta. Ainda assim, a atriz acredita que os diálogos carregados de deboches e ironias – assim como em outras vilãs emblemáticas de Aguinaldo – sejam um dos grandes trunfos da personagem ao longo dos capítulos. "É um lado para surpreender. Muitas vezes, o texto e as falas são totalmente absurdas", completa.


 

Compartilhe nas redes sociais

COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte