Jornal MT Norte
Publicidade
         
                
PERFIL No limite do poder
Débora Bloch busca humanidade na amoral Gilda de “Treze Dias Longe do Sol”
12:47   12 de Janeiro, 2018
33bb7753d781aab80c3a6978b227d590.jpg

por Geraldo Bessa

TV Press

   Débora Bloch é do tipo que foge de julgamentos precoces. Seja com pessoas ou personagens, a atriz prefere compreender melhor as motivações e necessidades de cada um antes de chegar a uma opinião. É dessa forma que ela consegue entender, e até defender, as ações de personagens torpes, como a oportunista Gilda de “Treze Dias Longe do Sol”, minissérie já disponível na Globo Play e que chega à tela da emissora na próxima segunda, dia 8 de janeiro. “A Gilda é do tipo que acha que dinheiro e poder podem comprar tudo e dão salvo-conduto para qualquer atitude. O mundo está cheio de mulheres como ela. Quando ela sente que está prestes a se ferrar, dá um jeito de sair por cima e abandonar o barco. É uma pessoa de índole totalmente torta, mas a vida a levou a ver as coisas dessa forma”, resume. Na trama, escrita a quatro mãos por Luciano Moura e Elena Soarez, Gilda é a diretora financeira da Baretti Construtora. Envolvida em esquemas monetários escusos, ela se vê sem saída com o desmoronamento de um dos principais empreendimentos da empresa. Sem se preocupar com a situação dos sobreviventes soterrados nos escombros, ela só pensa em se livrar de qualquer responsabilidade pelo acidente. “Gilda é extremamente prepotente. Vai jurar até o fim que não fez nada errado. Mas, no fundo, ela está desesperada. Nos escombros ou na superfície, todos os personagens estão sob muita pressão”, explica.

No final de 2016 Débora estava reservada para a próxima novela de Lícia Manzo – que foi adiada e ainda passa por ajustes na história – e curtia longas férias quando surgiu o convite para a minissérie de dez capítulos. Ainda colhendo os elogios por sua participação em “Justiça”, a atriz se empolgou com a possibilidade de fazer mais uma produção de curta duração. Mesmo ciente da importância dos folhetins em sua carreira, são as séries que mais têm feito a cabeça de Débora, seja como telespectadora ou intérprete. “O formato acaba sendo mais atrativo pois os atores conseguem trabalhar de forma mais cuidadosa e ter mais domínio sobre o próprio desempenho. Sei para aonde as personagens estão indo e isso evita ansiedade e frustrações”, analisa. O esquema de trabalho de Débora em “Treze Dias Longe do Sol” primou pela tranquilidade. Depois de ensaios e leitura de texto com parte do elenco, a atriz começou a gravar em dias alternados nas locações e cenários construídos pela O2 Filmes, co-produtora do projeto, em São Paulo. “Como a Gilda não ficou soterrada, não tive de entrar no esquema de 12 horas de gravações, cinco dias por semana, que ficou a maior parte do elenco. Foi um trabalho mais leve sim, mas com cenas de alta voltagem”, justifica.

Longe do papel de vilã desde a afetada Úrsula, de “Cordel Encantado”, de 2011, a atriz correu atrás de inspirações para compor Gilda com a frieza que ela exigia. Por conta do tom realista do texto, Débora recorreu a referências reais e pesquisou sobre o destino de vítimas, advogados e empresários após construções desastrosas que resultaram em tragédias, como o caso do edifício Palace II, ocorrido em 1998 no Rio de Janeiro. “Até hoje muita gente ainda não recebeu as indenizações. Os responsáveis não pagaram tudo o que causaram às vítimas. A situação é de impotência e impunidade”, lamenta. Muito da construção da personagem foi feita em parceria com Luciano Moura, que além de roteirista, também é o diretor geral da minissérie. “Luciano sabia muito bem o que queria de cada cena. Foi um processo muito rico. Focamos no texto e as cenas foram surgindo”, conta.

Mineira de Belo Horizonte, Débora sempre foi uma atriz de personalidade. Aos 54 anos, ela acredita que foi exatamente esse pulso mais firme sobre a própria arte que a livrou de rótulos. “Sempre corro atrás do que eu realmente quero fazer”, garante. Filha do ator Jonas Bloch e na tevê desde os anos 1980, ela driblou o posto de mocinha de tramas como “Jogo da Vida” e “Sol de Verão” ao ser reconhecida por sua forte verve cômica, que a levou ao humorístico “TV Pirata”. No início dos anos 1990, empolgada com a reestruturação do setor de teledramaturgia do SBT, saiu da Globo para protagonizar “As Pupilas do Senhor Reitor”. Na volta à emissora onde desenvolveu a maior parte de sua carreira, procurou por projetos mais diversificados e se destacou em produções como “Salsa e Merengue”, “A Invenção do Brasil”, “Avenida Brasil” e “Sete Vidas”. “Quando a gente faz o que gosta, tudo é diferente. Mantenho uma relação sadia e produtiva com a Globo e ótimos trabalhos estão surgindo. Não posso reclamar”, ressalta.

 

Força bruta

A minissérie “Treze Dias Longe do Sol” ainda nem foi exibida e Débora Bloch já tem um novo compromisso com a tevê. Desde novembro, ela está envolvida com as gravações de “Onde Nascem os Fortes”, próxima produção das 23h, em diversas locações pela região Nordeste. Na trama escrita por George Moura e Sérgio Goldenberg, a atriz volta a ser dirigida por José Luiz Villamarim, com quem trabalhou em projetos como  “Avenida Brasil” e “Justiça”. “Me sinto em casa na companhia dessa equipe. Toda vez que eles me convidam para algo, aceito e pronto. Sei que vai ser bom”, elogia.

Na história, Débora vive a pacata Rosinete, mãe amorosa e esposa dedicada que não percebe a tragédia que se desenvolve dentro de seu núcleo familiar. Frequentemente, Débora tem postado fotos na rede social Instagram ao lado de alguns dos atores que mais contracena, caso de Alexandre Nero e Gabriel Leone. “Estou encantadíssima com a Paraíba. O Nordeste é um ótimo cenário e uma excelente experiência”, valoriza.

 

Instantâneas

# A paixão de Débora pelas Artes Cênicas começou ainda na infância e de forma natural: ao acompanhar a carreira do pai, Jonas, no teatro.

# Embora tenha passado no vestibular para cursar História e Comunicação Social, acabou optando por cursos livres de interpretação e investindo nos palcos.

# Antes de estrear de verdade na tevê como mocinha de “Jogo da Vida”, de 1981, ela fez uma pequena participação em “Água Viva”, novela exibida um ano antes.

# Débora teve seu talento para a comédia descoberto ao viver a masculinizada Ana Machadão em “Cambalacho”, de 1986.

 

 
COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte