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Imoralidades dos auxílios
Difícil compreender porque tantos privilégios a classe política e aos magistrados, enquanto o Brasil caminha para se transformar em um pais de miseráveis
12:02   09 de Fevereiro, 2018
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José Vieira do Nascimento

 

A sociedade brasileira deu sinais que está se despertando de um período de longa letargia e passará a questionar os privilégios pagos a determinadas classes, em detrimento de milhões de brasileiros.
Num pais em que mais de 47% de seus habitantes sobrevive com uma renda de um salário mínimo, a suposta legalidade de incorporar penduricalhos, a magistrados, desembargadores, ministros do Supremo e políticos, se configura em uma imoralidade.   
Preste a entrarmos na terceira década do novo milênio, este país das desigualdades e dos privilégios está condenado pela sociedade. Não é apenas o auxílio a moradia pago à magistrados e políticos que devem ser questionado e discutido. Mas todas as vantagens criadas em forma de favorecimentos disfarçados, inseridos nos salários destas categorias. O auxílio moradia é apenas uma das inúmeras regalias. 
O salário inicial de um juiz é de R$ 27.500 mensais, mas são poucos os magistrados que recebem este valor. Na maioria das Comarcas brasileiras, o salário pagos aos juízes é em média R$ 50 mil. O salário de um desembargador geralmente ultrapassa o teto de R$ 34 mil, sem o acréscimos dos benefícios. Somados todos os auxilio, a média salarial de um desembargador no Brasil é de R$ 48.500. Todavia, é comum desembargadores nos mais diversos Estados brasileiros, receberem R$ 250 mil por mês.
Um congressista tem salário de R$ 33. 763,00. Valor que cresce para R$ 168,6 mil quando são somados salário e os benefícios. Somente com os salários dos senadores, são gastos mais R$ 3 milhões por mês. O auxílio moradia de um congressista e R$ 5.500 ao mês. O custos dos 81 senadores são R$ 160 milhões por ano aos cofres públicos. Os 513 deputados federais custam em média, R$ 86 milhões ao contribuinte todo mês. Ou R$ 1 bilhão por ano.
Em 2017, conforme dados da Consultoria de Orçamentos, Fiscalização e Controle do Senado, a União gastou R$ 817 milhões com o pagamento de auxílio-moradia nos três Poderes: Legislativo, Executivo e Judiciário.

A questão não é o abismo que existe entre os salários do cidadão comum [média salarial de homens R$ 2.708,22. Mulher R$ 2.191,59] e estas classes privilegiadas. Com o salário que recebe, o trabalhador tem que por comida na mesa, pagar a educação dos filhos e arcar com todas as suas despesas. 
Se um trabalhador comum tem que pagar a mensalidade de escola de seu filho e do aluguel da casa em que mora, as despesas médicas, porque os magistrados e políticos que tem ganhos infinitamente superiores, tem que ter estas despesas pagas pelo Estado?
É difícil compreender porque tantos privilégios a classe política e aos magistrados, enquanto o Brasil caminha para se transformar em um pais de miseráveis. Justamente porque os bilhões que são gastos para manter a vida abundante destas categorias, saem dos cofres públicos e acaba faltando recursos para os investimentos nos serviços essenciais.
Porque um senador e deputados federais tem direito a receber auxílio moradia e imóvel funcional, verba indenizatória, cota para o exercício da atividade parlamentar, passagens aéreas, planos de saúde, verba destinada a contratação pessoal e salário extra no início e no final da legislatura? 
Está errado estas distorções e a sociedade está percebendo e não está mais aceitando. Auxílio moradia deve ser pago para quem não tem onde morar, que são os mais pobres!  
Este contraste entre o povo e os três poderes nos conduz a uma nação em que fica cada vez mais evidente, a separação entre o cidadão comum, com direitos limitados, e a classe dos que tem direitos absolutos, como políticos, ministros do Supremo e os magistrados. Uma espécie de casa grande e senzala.  
No entanto, por mais que as poderosas elites se esforcem para manter estes privilégios, a sociedade compreendeu que se o país exige reformas para corrigir os rombos das contas públicas, os ajustes não devem sair do sacrifício do povo. 
 Não terá como se fugir deste enfrentamento.  Este debate será a pauta para avançarmos na construção de um pais mais justo e um Estado em que todos os cidadãos sejam tratados com a dignidade que merecem. E não como os excluídos. O Brasil do século 21 não irá se calará diante destas distorções e a população não aceita mais tantas desigualdades. 

 José Vieira do Nascimento é diretor e editor de Mato Grosso do Norte; Email- mtnorte@terra.

 
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