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Economia Brasileira: algumas reflexões
A educação profissionalizante não tem estimulado a capacitação dos cidadãos para se tornarem trabalhadores produtivos
14:32   19 de Fevereiro, 2018
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É público e notório, na mídia, o momento delicado que o Brasil convive na área econômica. Não é possível ignorar a existência de obstáculos contribuindo para o tímido desempenho da economia. 
A questão da infraestrutura de transportes no território brasileiro é um problema que ocorre desde muito tempo, e tem prejudicado diversos setores da economia nacional. Os problemas relacionados a essa área, em parte, se devem à falta de investimentos em conservação e modernização de rodovias, aeroportos, portos e ferrovias, que vêm se agravando principalmente na fase atual de quebradeira do país. O desempenho não satisfatório desses modais fragiliza o fluxo de escoamento de produtos entre as regiões, compromete a logística, onera as firmas produtoras, inibe a oferta de emprego e renda, e provoca a queda de competitividade perante o mercado interno e cenário internacional. Assim, observa-se que é preciso, do Estado, políticas públicas que propiciem recuperação e expansão da infraestrutura para que possa contribuir para o crescimento econômico.
O crescimento econômico também é influenciado pela produtividade da mão de obra; o motivo é que, para haver aumento nos negócios, são necessários trabalhadores preparados para produzirem em nível baixo de custo. Esse desempenho se mede pela relação tempo e resultado: quanto maior a produtividade em menor duração de tempo, maiores serão os ganhos. Contudo, no Brasil enfrentamos uma escassez de mão de obra qualificada, sobretudo em empresas que necessitam de técnicos especializados. Essa questão traz muitas implicações para empresas locais e estrangeiras instaladas no Brasil. O desafio, portanto, se estabelece na capacitação do trabalhador, e nessa direção se insere a educação básica.  
A educação pública apresenta níveis ruins de ensino e, especificamente, a educação profissionalizante não tem estimulado a capacitação real dos cidadãos para se tornarem trabalhadores produtivos, ocasionando o atual déficit da mão de obra. Essa problemática se arrasta há tempos e se mostra um desafio a ser enfrentado.   

O contexto atual do país é de instabilidade política e institucional. O sistema não tem se mostrado tão funcional quanto se almejava. A atual equipe de governo, com seu projeto, não tem sido capaz de estabelecer medidas suficientemente necessárias para o rompimento do circulo vicioso de crise econômica que vem perdurando há mais de três anos.  
Ademais, as dificuldades com a aprovação das Reformas estruturantes, cuja agenda não avança em medidas para a aprovação de ajustes fiscais, trabalhistas e previdenciários, refletem em incertezas, levando à retração de investimentos pelos agentes econômicos. Atrelado a isso, tem-se a questão da corrupção, fortemente enraizada no País e tão difundida no cenário internacional, impondo-se enquanto obstáculo para o desenvolvimento da economia brasileira.  
Por fim, a retomada de otimismo para fazer negócios e movimentar a economia nacional, pressupõe o enfrentamento desses três obstáculos. Nessa lógica, com foco na recuperação e desenvolvimento do ambiente econômico, cabe melhorar a qualidade das políticas fiscal, monetária e social, de forma a diminuir a carga tributária, melhorar as regulações trabalhistas, viabilizar investimentos em infraestrutura e educação básica. Nesta perspectiva, o Estado precisa se comprometer em assumir o protagonismo das mudanças, por meio de políticas públicas que deem consistência em ações estratégicas para minimizar, a médio e longo prazo, esses dois gargalos que vêm dificultando a geração de riqueza interna: infraestrutura e educação.

Eduardo José Freire é Mestrando em contabilidade pela FUCAPE Business School - FUndaçao Instituto Capixaba de Pesquisa em Contabilidade, Economia e Finança. Mestre em Educação pela Universidade Federal de Mato Grosso. Bacharel em Ciências Contábeis pela União das Faculdades de Alta Floresta (UNIFLOR). Professor nas Faculdade de Alta Floresta (FAF/FADAF) e na Escola Técnica Estadual de Alta Floresta

 
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