Jornal MT Norte
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A gloriosa e trágica vida de Garrincha
Viveu à sombra de Pelé
00:19   26 de Fevereiro, 2018
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Muitos jogadores excepcionais foram ofuscados pela genialidade de Pelé (ou de Maradona, se pensamos na Argentina). Garrincha foi um dos que poderia ter sido o melhor do Brasil se o Rei não tivesse nascido. Nos anos 50 e 60, este jogador decolou com a seleção do Brasil.

Garrincha integrou uma seleção brasileira que se cansou de dominar o panorama do futebol. Dos 60 confrontos internacionais que disputou, só perdeu um jogo e levou o título das copas da Suécia, em 1958, e do Chile, em 1962. Ainda que Garrincha não tenha marcados gols nas finais, os placares foram, respectivamente, de 5 a 2, contra a Suécia, e 3 a 1 contra a Tchecoslováquia. Ainda que soe paradoxal, o corpo de Garrincha não era fisicamente comum ou habitual para um jogador de futebol. Seus pés formavam um ângulo de 80 graus para dentro, sua perna direita era 6 centímetros maior que a esquerda e ele tinha a coluna torta. Dá pra imaginar o que seria se tivesse um corpo perfeito?

Garrincha foi um apelido dado pelos seus irmãos por ele, supostamente, parecer-se a um pássaro comum nas florestas do Mato Grosso. Sua enorme velocidade e seu físico privilegiado eram outras das características que o faziam assemelhar-se à ave.

Embora o fumo e o consumo de álcool não fossem repudiados e recusados no ambiente do futebol décadas atrás, o esporte foi se profissionalizando e esses hábitos foram sendo deixados de lado. Nesse momento, ele fumava (coisa que fazia desde os 10 anos) e também tinha problemas com o consumo alcoólico. Uma situação que pareceria impossível no futebol nos dias de hoje, que se movimenta por cifras muito altas, Manuel Francisco permaneceu 10 anos no Botafogo. Lá conquistou três campeonatos cariocas. Depois disso, representou o Corinthians, a Portuguesa Santista, o Junior de Barranquilla na Colômbia, o Flamengo, o Red Star París e o Olaria.

No ano de 2017, seu corpo desapareceu do cemitério onde foi enterrado, em Magé, sua cidade natal. Uma funcionária do cemitério declarou: “Não temos certeza de que ele esteja enterrado. Sabemos que seu corpo foi exumado e levado para uma gaveta, mas não há um documento que comprove isso.” Ter filhos espalhados pelo mundo parece ser algo habitual entre jogadores de futebol que não têm valores muito sólidos ou não sabem lidar com tanta popularidade e dinheiro. Foram 14 os filhos que reconheceu, entre aqueles de mulheres e amantes. Seu caminho até o sucesso foi manchado também por esse aspecto. O Estádio Nacional de Brasília se chama Mané Garrincha em homenagem a sua pessoa. Foi o segundo estádio mais importante da Copa do Mundo de 2014 depois da construção do Maracanã. Ele foi construído primeiramente em 1974, mas depois, em 2010, foi reformado e hoje abriga uma estrutura com capacidade para 70 mil pessoas.

A histórica derrota do Brasil para o Uruguay na final da copa de 1950, chamada de Maracanaço, não foi vivida pelo ponta-direita brasileiro. O jogador preferiu ir pescar e não teve notícias do fatídico encontro que ficou marcado na história do futebol. Aquele encontro em que um empate era suficiente para que o Brasil, que jogava em casa, fosse campeão, começou em vantagem, mas acabou com o vice-campeonato.

Garrincha sempre considerou o futebol como um trabalho, diferentemente de outros jogadores que o viam como uma atividade prazerosa que, além disso, era muito rentável. É por isso que, no começo da sua carreira, quando foi fazer um teste do Vasco, ele não foi aceito por não estar de chuteiras. E, no Fluminense, ele foi embora antes de terminar a prática do teste. Mané se casou três vezes e teve 14 filhos. Foram oito os que teve com sua primeira mulher, Nair. Depois teve um com a cantora Elza Soares, dois com Iraci, uma com Vanderléa, um com uma sueca cujo nome não se sabe e a última com Alcina. Assim como gols, ele também distribuiu amor pelo mundo afora.

O que o atacante mostrava dentro de campo era um show, um espetáculo que enchia os olhos com sua habilidade. Ele conseguiu ultrapassar a barreira do esporte e contagiar o público e, por isso, é considerado por muitos o dono do melhor drible de todos os tempos. Mudava de direção, iludia e driblava com facilidade.

É comum que muitos jogadores desejem o ofício que lhe deu de comer toda a sua vida antes mesmo de praticá-lo ou de aprender, no caminho, a amá-lo. Isso não aconteceu com Garrincha, que trabalhou numa fábrica têxtil e que, antes de começar no futebol, pensava que era um esporte que não se devia levar a sério.

A notícia que o Brasil revelou na prévia do mundial que se deu na Suécia, em 1958, foi que Garrincha não havia passado no exame psicotécnico. Ele obteve apenas 38 pontos, quando eram necessários 123 para superar a avaliação. “Ele é fraco mentalmente, não apto para se desenvolver num jogo coletivo”, comentou João de Carvalhaes, psicólogo do time. Na Copa do Chile, em 1962, Pelé sofreu uma lesão que fez com que Garrincha ganhasse mais protagonismo. O Rei só disputou o primeiro jogo contra o México e parte contra a Tchecoslováquia antes de abandonar o embate. Manuel Francisco do Santos foi um dos muitos artilheiros do torneio com 4 gols.

Uma vida de abusos que começou muito cedo marcou o final de sua experiência neste mundo. Aos 50 anos, ele faleceu por causa de seu alcoolismo crônico, algo que nunca pôde superar desde que começou a beber. Foi o único problema que esse jogador tão habilidoso não conseguiu driblar. “Era capaz de fazer coisas com a bola que nenhum outro jogador podia fazer. Sem Garrincha, eu nunca teria sido tricampeão do mundo” foram as palavras de Pelé em relação a seu colega de equipe. O que marca a importância destes dois astros é que, com os dois em campo, o Brasil não perdeu nenhum jogo na história.

Muitos jogadores excepcionais foram ofuscados pela genialidade de Pelé (ou de Maradona, se pensamos na Argentina). Garrincha foi um dos que poderia ter sido o melhor do Brasil se o Rei não tivesse nascido. Nos anos 50 e 60, este jogador decolou com a seleção do Brasil.

Garrincha integrou uma seleção brasileira que se cansou de dominar o panorama do futebol. Dos 60 confrontos internacionais que disputou, só perdeu um jogo e levou o título das copas da Suécia, em 1958, e do Chile, em 1962. Ainda que Garrincha não tenha marcados gols nas finais, os placares foram, respectivamente, de 5 a 2, contra a Suécia, e 3 a 1 contra a Tchecoslováquia. Ainda que soe paradoxal, o corpo de Garrincha não era fisicamente comum ou habitual para um jogador de futebol. Seus pés formavam um ângulo de 80 graus para dentro, sua perna direita era 6 centímetros maior que a esquerda e ele tinha a coluna torta. Dá pra imaginar o que seria se tivesse um corpo perfeito?

Garrincha foi um apelido dado pelos seus irmãos por ele, supostamente, parecer-se a um pássaro comum nas florestas do Mato Grosso. Sua enorme velocidade e seu físico privilegiado eram outras das características que o faziam assemelhar-se à ave.

Embora o fumo e o consumo de álcool não fossem repudiados e recusados no ambiente do futebol décadas atrás, o esporte foi se profissionalizando e esses hábitos foram sendo deixados de lado. Nesse momento, ele fumava (coisa que fazia desde os 10 anos) e também tinha problemas com o consumo alcoólico. Uma situação que pareceria impossível no futebol nos dias de hoje, que se movimenta por cifras muito altas, Manuel Francisco permaneceu 10 anos no Botafogo. Lá conquistou três campeonatos cariocas. Depois disso, representou o Corinthians, a Portuguesa Santista, o Junior de Barranquilla na Colômbia, o Flamengo, o Red Star París e o Olaria.

No ano de 2017, seu corpo desapareceu do cemitério onde foi enterrado, em Magé, sua cidade natal. Uma funcionária do cemitério declarou: “Não temos certeza de que ele esteja enterrado. Sabemos que seu corpo foi exumado e levado para uma gaveta, mas não há um documento que comprove isso.” Ter filhos espalhados pelo mundo parece ser algo habitual entre jogadores de futebol que não têm valores muito sólidos ou não sabem lidar com tanta popularidade e dinheiro. Foram 14 os filhos que reconheceu, entre aqueles de mulheres e amantes. Seu caminho até o sucesso foi manchado também por esse aspecto. O Estádio Nacional de Brasília se chama Mané Garrincha em homenagem a sua pessoa. Foi o segundo estádio mais importante da Copa do Mundo de 2014 depois da construção do Maracanã. Ele foi construído primeiramente em 1974, mas depois, em 2010, foi reformado e hoje abriga uma estrutura com capacidade para 70 mil pessoas.

A histórica derrota do Brasil para o Uruguay na final da copa de 1950, chamada de Maracanaço, não foi vivida pelo ponta-direita brasileiro. O jogador preferiu ir pescar e não teve notícias do fatídico encontro que ficou marcado na história do futebol. Aquele encontro em que um empate era suficiente para que o Brasil, que jogava em casa, fosse campeão, começou em vantagem, mas acabou com o vice-campeonato.

Garrincha sempre considerou o futebol como um trabalho, diferentemente de outros jogadores que o viam como uma atividade prazerosa que, além disso, era muito rentável. É por isso que, no começo da sua carreira, quando foi fazer um teste do Vasco, ele não foi aceito por não estar de chuteiras. E, no Fluminense, ele foi embora antes de terminar a prática do teste. Mané se casou três vezes e teve 14 filhos. Foram oito os que teve com sua primeira mulher, Nair. Depois teve um com a cantora Elza Soares, dois com Iraci, uma com Vanderléa, um com uma sueca cujo nome não se sabe e a última com Alcina. Assim como gols, ele também distribuiu amor pelo mundo afora.

O que o atacante mostrava dentro de campo era um show, um espetáculo que enchia os olhos com sua habilidade. Ele conseguiu ultrapassar a barreira do esporte e contagiar o público e, por isso, é considerado por muitos o dono do melhor drible de todos os tempos. Mudava de direção, iludia e driblava com facilidade.

É comum que muitos jogadores desejem o ofício que lhe deu de comer toda a sua vida antes mesmo de praticá-lo ou de aprender, no caminho, a amá-lo. Isso não aconteceu com Garrincha, que trabalhou numa fábrica têxtil e que, antes de começar no futebol, pensava que era um esporte que não se devia levar a sério.

A notícia que o Brasil revelou na prévia do mundial que se deu na Suécia, em 1958, foi que Garrincha não havia passado no exame psicotécnico. Ele obteve apenas 38 pontos, quando eram necessários 123 para superar a avaliação. “Ele é fraco mentalmente, não apto para se desenvolver num jogo coletivo”, comentou João de Carvalhaes, psicólogo do time. Na Copa do Chile, em 1962, Pelé sofreu uma lesão que fez com que Garrincha ganhasse mais protagonismo. O Rei só disputou o primeiro jogo contra o México e parte contra a Tchecoslováquia antes de abandonar o embate. Manuel Francisco do Santos foi um dos muitos artilheiros do torneio com 4 gols.

Uma vida de abusos que começou muito cedo marcou o final de sua experiência neste mundo. Aos 50 anos, ele faleceu por causa de seu alcoolismo crônico, algo que nunca pôde superar desde que começou a beber. Foi o único problema que esse jogador tão habilidoso não conseguiu driblar. “Era capaz de fazer coisas com a bola que nenhum outro jogador podia fazer. Sem Garrincha, eu nunca teria sido tricampeão do mundo” foram as palavras de Pelé em relação a seu colega de equipe. O que marca a importância destes dois astros é que, com os dois em campo, o Brasil não perdeu nenhum jogo na história.

 

 
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