Jornal MT Norte
Publicidade
         
                
PERFIL: No caminho do mal
Bruna Marquezine celebra dar vida a Catarina, sua primeira vilã, em “Deus Salve o Rei”
17:50   26 de Fevereiro, 2018
e770674bd7d93cd6353b3471e94cda07.jpg

por Anna Bittencourt

TV Press

Quem vê a firmeza em cena ou em entrevistas, esquece facilmente que Bruna Marquezine tem apenas 22 anos. Dona de carisma invejável e com discurso maduro para sua idade, a atriz passa por cima de qualquer crítica e se diz apaixonada por seu trabalho. No ar como a princesa Catarina em “Deus Salve o Rei”, ela encara sua primeira vilã na tevê. “Nunca achei que fosse tão difícil e exaustivo”, desabafa, mas sem deixar de mostrar um sorriso de satisfação. Com um currículo que mistura mocinhas frágeis e mulheres decididas – como a Lurdinha, de “Salve Jorge”, a Luiza, de “Em Família”, e a Marizete, de “I Love Paraisópolis” – Bruna afirma que tem sido uma ótima oportunidade de explorar novas facetas e fugir de uma possível zona de conforto. “Cada dia é uma conquista, é uma prova que consegui, e acredito que estou indo pelo caminho certo”, acredita.

Dar vida à uma vilã é uma tarefa complicada. Mas, segundo Bruna, por a antagonista ser de época, o trabalho é dobrado. Por isso, o trabalho de composição para “Deus Salve o Rei” foi feito com enorme atenção. “Estudei muito. O período é uma realidade totalmente distante da nossa e que a gente precisa mergulhar completamente para o público acreditar”, opina. A atriz também exalta o comprometimento da equipe do folhetim das sete, que não poupou esforços para levantar um projeto, segundo ela, ousado e inovador. “Muitas vezes a gente diz que a equipe virou família. E não é que seja mentira. O negócio é que aqui é impressionante. Somos mais : um exército pronto para todas as batalhas”, afirma, antes de explicar. “Se o elenco não estiver muito alinhado na forma de falar, agir e ser, o público não compra a história”, acredita.

Explorar todas as nuances de Catarina também está sendo um processo delicado para Bruna. A princesa de Artena vai além da vilania, ela é calculista e precisa para conseguir o que quer. “Com cada personagem ela tem uma postura diferente. É muito dissimulada. E isso é muito rico para mim, porque posso interpretar diferentes Catarinas ao longo da novela”, celebra ela, que afirma que a personagem foi mudando durante os quase dois meses de sua exibição. “Estou descobrindo quem é ela no processo. Adaptando todos os detalhes”, diz. Insegura no início do folhetim – até porque recebeu uma enxurrada de críticas por seu jeito de falar –, a atriz garante que hoje já enxerga o papel de forma completamente diferente. “Tinha dúvidas se era capaz de dar vida à Catarina, mas acredito que tudo vem no momento certo e, agora que estou aqui, vou dar o melhor de mim”, jura.

Bruna ainda encontrou outro agravante para a dificuldade de segurar o posto de antagonista de “Deus Salve o Rei”. Na maioria das novelas, o figurino e a cenografia são peças fundamentais para que o ator “encontre” seu personagem. No entanto, a atriz só pode contar com o figurino monocromático de Catarina. Isso porque a maior parte das suas cenas é feita na frente de um “chroma key”, que dá lugar a castelos e paisagens maravilhosas depois de receber efeitos especiais. “O Fabrício (Mamberti, diretor) me chamava sempre para ver as cenas prontas, mas eu relutava muito. Quando eu assisti pela primeira vez, comecei a chorar muito. Agora ficou mais fácil, tendo aqueles cenários todos na minha cabeça”, finaliza.

 

Ônus e bônus

Natural de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, Bruna começou na tevê com apenas sete anos. Mas antes de aparecer no “Gente Inocente”, ela já fazia publicidade, sempre acompanhada de perto por sua mãe. Mas o ínicio de seu estrelato começou em “Mulheres Apaixonadas”, de 2003, quando interpretou a chorosa Salete. De lá para cá, ela já esteve em mais de dez novelas. “Cresci nesse meio e isso nem sempre foi uma coisa fácil para mim”, garante. Segundo ela, desistir da carreira chegou a ser uma opção quando interpretou seu primeiro papel mais sensual e sem a blindagem de uma personagem infantil. “‘Salve Jorge’ foi difícil. As pessoas passaram a me ver de outra maneira, e surgiu muita história inventada, fofoca. Comecei a repensar na carreira porque as consequências da profissão me assustaram”, conta.

Mais madura e consciente dos ônus e bônus da profissão, ela garante que deixou de lado as cobranças impostas pelo meio em que vive e está focada em ser ela mesma. “As pessoas, e eu também, esperavam uma perfeição que nunca existiu e nem vai existir. Não posso esquecer que tenho 22 anos, que estou começando minha jornada, me descobrindo como mulher”, afirma. Tanta maturidade e visão sobre si é fruto de um trabalho que ela garante não fazer sozinha. “É muita fé e muita terapia”, diz, aos risos.

Instantâneas

# Ainda criança, Bruna participou dos vídeos do “Xuxa Só Para Baixinhos”, nos volumes 3 e 5.

# Para ela, atuar ao lado das amigas Marina Ruy Barbosa e Tatá Werneck, intérpretes de Amália e Lucrécia, é um bálsamo na correria das gravações.

# Apesar de interpretar uma princesa em “Deus Salve o Rei”, ela garante que nunca sonhou em ser da realeza. “Acho que não teria saco”, brinca.

# Para manter o físico, Bruna faz treinamento funcional e lutas com a ajuda de um “personal trainer”.

 
COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte