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CINCO ´PERGUNTAS: Momento crítico
Vívian de Oliveira conta seu processo de trabalho para criar as tragédias de “Apocalipse”
17:55   26 de Fevereiro, 2018
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por Anna Bittencourt

TV Press

Vivian de Oliveira é uma mulher de fé. Por isso, ela acredita que suas tramas bíblicas para a Record têm o poder de mexer com o cotidiano dos telespectadores. Isso porque, segundo ela, ela não trabalha com religião ou religiosidade, que, para ela, são itens distintos. “Quero interagir com a fé das pessoas. Religião é uma coisa, uma instituição. Religiosidade é como a pessoa se relaciona com a religião. Eu quero lidar com a crença”, diz. Depois do sucesso de “Os Dez Mandamentos”, seu último trabalho na emissora, agora amarga a baixa audiência de “Apocalipse”. Evitando falar sobre números, ela garante que a história terá os 170 capítulos previstos. “Esticar ou encurtar prejudica a história. Vamos fechar no número combinado”, afirma.

Na novela, as catástrofes naturais e os erros cometidos pelas pessoas estão abrindo caminho para o fim dos tempos. Todos eles capitaneados pelo Anticristo, personagem de Sérgio Marone. Enquanto ele vai marcando as pessoas e induzindo más atitudes, outros são “arrebatados” por Deus, em um dos momentos mais esperados do folhetim. “São pessoas de fé que são retiradas da Terra para viver na Nova Jerusalém, distante de todo esse caos da Terra”, explica. Depois do sumiço de alguns personagens e cenas como o tsunami apresentado no primeiro capítulo, outras sequências grandiosas estão previstas. “Ainda teremos a Terceira Guerra Mundial, a volta de Jesus”, enumera a autora.

P – Como surgiu a ideia de escrever uma novela sobre o fim dos tempos?

R – Foi uma sugestão da Record, na verdade. Eu já tinha pensado sobre isso, mas não tinha levado à frente. E a emissora sugeriu que falássemos sobre o Apocalipse nos tempos de hoje, em uma novela contemporânea. E eu achei uma ótima ideia, até porque é um tema polêmico que está no imaginário popular. Desde os tempos dos nossos avós ouvimos que o fim do mundo está próximo, mas muita gente não acredita. E o desafio é esse, brincar com as possibilidades. O que a gente vai retratar é o que está na Bíblia: conflitos atuais, catástrofes e tragédias. E cada vez mais a gente percebe que o mundo está realmente chegando em um momento crítico.

P – E como foi o processo de pesquisa?

R – Foi bastante extenso, começou mais de um ano antes da novela ir ao ar. Até porque eu nunca tinha lido com atenção o livro do Apocalipse. Claro que já tinha olhado, sabia algumas passagens, mas nada com muita profundidade. Então eu li atentamente e também pesquisei textos de teólogos e acadêmicos, para ter uma noção geral, tem muitas linhas e visões. Mas a base, a maior referência e o ponto de partida foi a Bíblia.

P – Depois do sucesso de “Os Dez Mandamentos”, você fica esperando o mesmo êxito em “Apocalipse”?

R – De forma alguma. Eu reluto até acompanhar a audiência. Se eu começar a me preocupar com isso, vou travar. Então não me cobro. E a emissora também não me impõe essa pressão. Acho que é o caminho mais saudável para todos.

P – Depois de tantas tramas bíblicas de época, como foi escrever uma história contemporânea?

R – Acho que muda mais a linguagem do que a forma como me preparo para escrever. Em “Os Dez Mandamentos”, que aconteceu há muito tempo atrás, eu me preocupava em criar os capítulos de forma dinâmica, com diálogos rápidos e cenas sem muitas “barrigas”, para não ficar só uma coisa antiga. Agora é potencializar isso. Com uma novela nos dias atuais, tem que ser tudo mais ágil, mais rápido. E eu me preocupo com isso desde “A História de Ester”, de focar também nos personagens, no drama de ser humano, com emoções indo ao extremo.

P – E o que você considera como a missão da novela?

R – É levar uma mensagem de fé, de esperança, fazer as pessoas refletirem sobre o tempo atual, sobre o mundo espiritual, sobre as profecias que estão se cumprindo. Fazer com que as pessoas vejam que não dá para simplesmente toquem suas vidas, porque o fim está próximo realmente, pelo menos da forma como entendemos hoje. Além disso, a nossa missão é entreter, envolver o público para levar uma mensagem de alegria também. Porque é a mensagem do Apocalipse é de alegria e esperança. Um novo tempo, uma nova Terra, onde não haverá choro e ranger de dentes.

 

"Apocalipse" – Record – segunda a sexta, às 20h30.

 
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