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Morre aos 95 anos a atriz Tônia Carrero
Ela estava internada para um procedimento cirúrgico na Clínica São Vicente, na Gávea, e teve uma parada cardíaca. O corpo de Tônia Carrero é velado neste domingo no Theatro Municipal, no Centro do Rio
18:57   04 de Março, 2018
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Por O Dia

 

A atriz Tônia Carrero, de 95 anos, morreu na noite deste sábado, por volta das 22h15, na Clínica São Vicente, na Gávea, Zona Sul do Rio. Ela estava internada para um procedimento cirúrgico e teve uma parada cardíaca. 

O hospital confirmou a morte, mas ainda não divulgou maiores detalhes. A neta da atriz, Luísa Thiré, disse em uma entrevista à Globonews que a avó estava com uma úlcera no sacro e morreu durante a realização do procedimento médico, que era considerado simples. Segundo ela, o velório deve ocorrer neste domingo e a avó deve ser cremada na segunda-feira. 

O corpo de Tônia Carrero começou a ser velado neste domingo no Theatro Municipal, no Centro do Rio, às 14h e a despedida acontece até às 22h. A atriz será cremada nesta segunda-feira no Memorial do Carmo, no Caju, ao meio-dia.

A consagrada atriz tinha a saúde debilitada e sofria de hiodrocefalia oculta. Tônia vivia reclusa desde 2013. Em 2015 ela chegou a ser vítima de boatos sobre a sua morte e a família chegou a se posicionar para desmentir as falsas informações, inclusive postando fotos dela em casa. 

Carreira de sucesso

Tônia Carrero nasceu Maria Antonietta Portocarrero Thedim em 23 de agosto de 1922, no Rio de Janeiro. Com longos anos de carreira, ela é considerada uma das mais consagradas atrizes do Brasil, com diversas interpretações marcantes no cinema, teatro e televisão.

Tônia era graduada em Educação Física, mas se encontrou na carreira de atriz, na qual teve formação em Paris, quando já era casada com o artista plástico Carlos Arthur Thiré, que é pai do ator e diretor Cecil Thiré. Tônia é matriarca de uma família que tem quatro gerações de artistas: além do filho, os netos Miguel Thiré, Luísa Thiré e Carlos Thiré também são atores. 

Seu maior palco foi o teatro, onde fez mais de 50 peças. Sua estreia aconteceu em "Um Deus Dormiu Lá em Casa", no Teatro Brasileiro de Comédia (TBC), em São Paulo, contracenando com quem se tornaria um de seus grandes parceiros de interpretação, Paulo Autran. Os dois, junto com o italiano Adolfo Celi, fundaram a Companhia Tônia-Celi-Autran (CTCA). Nos anos 1950 e 1960 eles revolucionaram o teatro brasileiro, construindo um repertório com peças de autores clássicos, como Shakespeare e Carlo Goldoni.

No cinema, onde atuou pelo menos 19 vezes, ela fez a sua primeira interpretação, quando voltou da França, aos 25 anos. No filme "Querida Suzana", de Alberto Pieralise, contracenou com Anselmo Duarte, Nicette Bruno e da bailarina Madeleine Rosay. Por conta de sua grande beleza, chamou atenção de muitos diretores e, a convite do empresário Franco Zampari, integrou a Companhia Cinematográfica Vera Cruz, sendo um dos rostos mais conhecidos. A atriz foi protagonista de “Apassionata” (1952), de Fernando de Barros; “Tico-tico no Fubá” (1952), de Adolfo Celi; e “É Proibido Beijar” (1954), de Ugo Lombardi.

Em 1967, dá uma nova guinada na carreira e mergulha no universo de Plínio Marcos em "A Navalha na Carne". Ao lado de Emiliano Queiroz e Nelson Xavier, com a direção de Fauzi Arap, vive a prostituta Neuza Suely. Em plena ditadura militar, a montagem incomodou, mas tornou-se um dos espetáculos mais aplaudidos da temporada, além de divisor de águas em sua carreira.

A atriz também teve muito sucesso na TV, onde atuou em 15 novelas. A personagem mais marcante foi a sofisticada e encantadora Stella Fraga Simpson em Água Viva, de 1980, do autor Gilberto Braga. Ela também atuou em Louco Amor (1983), Sassaricano (1987), Esplendor (2000), entre outras. Sua última novela foi Senhora do Destino, em 2004.

 

 
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