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Caso Marielle: vereador e chefe de milícia tramaram morte, diz testemunha
Em depoimento em abril na DH, parlamentar disse se 'solidarizar com a dor dos familiares e amigos'
01:43   09 de Maio, 2018

Por Bruna Fantti

 

Uma testemunha revelou à polícia que o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o chefe de milícia de Curicica, Orlando Oliveira de Araújo, tramaram a morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Pedro Gomes. Os dois foram mortos em março, no Estácio, Região Central do Rio. A informação foi divulgada pelo jornal O Globo e confirmada pelo O DIA.

Em quatro depoimentos — um feito à Polícia Federal, dois ao Exército, e outro à Delegacia de Homicídios (DH) — a testemunha disse ter presenciado quatro conversas entre Siciliano e Orlando, conhecido como Orlando de Curicica, desde junho do ano passado. Quatro meses depois, Orlando foi preso, mas mesmo de dentro de Bangu 9 continuou a mandar na milícia. Em uma das conversas, a testemunha disse que Siciliano encontrou Orlando, que já estava foragido, e xingou Marielle, associando seu nome ao do deputado estadual Marcelo Freixo. Na ocasião, disse: "precisamos resolver isso logo". 

Foi de dentro da penitenciária que Orlando teria dado a ordem para matar a vereadora, segundo a testemunha. Um mês antes da execução, o plano começou a ganhar corpo com a clonagem do carro utilizado no crime. Além disso, quatro homens foram indicados para participar da execução. Os quatro estão sendo investigados pela especializada.

A testemunha não soube afirmar com certeza qual seria o motivo da a rixa entre Marielle e Siciliano. Mas disse que supõe que tenha sido a expansão das ações comunitárias da vereadora em comunidades na Zona Oeste, áreas majoritariamente dominadas pela milícia, algumas ainda sob influência do tráfico. Investigadores da DH ouvidos pelo DIA descartaram a hipótese de queima de arquivo na morte do PM reformado Anderson Claudio da Silva, 48 anos, atingido por tiros de fuzil no Recreio dos Bandeirantes.

Inicialmente, a testemunha procurou a Polícia Federal e foi encaminhada para a Polícia Civil. Apesar dos depoimentos, ela ainda não entrou no programa de Proteção a Testemunha, pois seus relatos ainda não foram feitos judicialmente. A testemunha informou a policiais que estava saindo do Rio de Janeiro. 

Na época da morte de Marielle, Siciliano divulgou uma nota de luto. "Durante o tempo em que esteve conosco, ele fez tudo pela sua localidade e estava sempre disponível para ajudar no que fosse necessário. Me solidarizo com a dor dos familiares e amigos. Podem contar comigo para ajudar no que for preciso", disse o parlamentar.

Assim como outros vereadores, ele foi chamado para depor logo após a morte de Marielle. Na saída da delegacia, ele disse à imprensa. "Fui convocado a vir aqui prestar esclarecimentos para poder ajudar na linha de investigação que eles tomaram. Todos os vereadores foram chamados a vir aqui. Estou à disposição. A Marielle era uma pessoa da qual eu gostava muito. Sinto muito a perda dele e torço para que esse caso seja esclarecido".

Em nota, Sicilliano negou as acusações. "Expresso aqui meu total repúdio a acusação de que eu queria a morte de Marielle Franco. Ela é totalmente falsa. Não conheço 'Orlando da Curicica' e acho uma covardia tentarem me incriminar dessa forma. Marielle, além de colega de trabalho, era minha amiga. Tínhamos projetos de lei juntos. Essa acusação causa um sentimento de revolta por não ter qualquer fundamento. Eu, assim como muitos, já esperava que esse caso fosse elucidado o mais rápido possível. Agora, desejo ainda mais celeridade".

 
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