Jornal MT Norte
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Um pedal de muitas milhas
O ciclista de Alta Floresta que já cruzou o Brasil a bordo de sua bike
18:05   21 de Maio, 2018
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Reportagem
Mato Grosso do Norte

Todas as cidades tem as pessoas que se destacam por fazer coisas inusitadas, diferentes das demais, que fogem totalmente do que é comum. Alta Floresta tem José Messias Gomes da Silva, nascido em 1955 em Itaguagé (PR), mas que chegou em Alta Floresta em 1982 e nunca mais foi embora. 
Ele é um grande aventureiro que, por três ocasiões, decidiu pedalar Brasil afora, apenas com uma mochila e uma garrafa térmica para água no bagageiro da bike. Em 2007 realizou sua primeira viagem, saindo de Alta Floresta para a praia de Matinhos (PR), numa viagem que demorou 34 dias.
Em 2009, Messias decidiu pedalar novamente pelas estradas brasileiras. Desta vez, adornou uma bandeira de Alta Floresta em sua bicicleta e deixou a cidade ruma a Curitiba (PR) passando pelo literal catarinense, numa viagem que demorou 30 dias.
Em 2017, resolveu repetir seu feito, mas ampliando o percurso. Embarcou em um ônibus para Salvador, lá tirou sua bicicleta do bagageiro e pegou a estrada. De Salvador, seguiu para o Espirito Santo, Minas, Rio de Janeiro, São Paulo e chegou em Curitiba. Lá. Descansou uns dias e pegou o caminho de volta, passando por Mato Grosso do Sul, Cuiabá e retornando à Alta Floresta, numa viagem que demorou 53 dias de pedal.
A cidade precisa valorizar os seus heróis. Por isso, nesta data em que Alta Floresta completa 42 anos, Mato Grosso do Norte incluiu na pauta de seu caderno de aniversário, uma matéria com esse ciclista para lá de especial, que valoriza o nome do município pelas cidades por onde passa no curso de suas aventuras. “Eu vim para Alta Floresta passear e nunca mais fui embora. Amo demais esta cidade”, observa Messias. 
O que o levou a fazer essas viagens malucas pelo Brasil sobre uma bicicleta? Messias responde que, de início foi um desafio para conhecer seus próprios limites. Afinal, na primeira vez, apesar de ter se preparado, ele não tinha certeza se conseguiria chegar no destino pretendido. 
“Eu sabia que era muito difícil. Muita gente me falou que eu não iria conseguir. É longe e eu já tinha passado dos 50 anos. Não era mais coisas para a minha idade. Haviam vários obstáculos, inclusive os fatores psicológicos. Mas tinha vontade de fazer e resolvi ir. Para surpresa de muita gente, consegui fazer o percurso e achei que não foi tão difícil e quis fazer novamente”, conta Messias. 

“Este primeiro trajeto foi curto. Foram apenas 2.800 quilômetros, eu goste e senti que tinha possibilidade de aumentar a distância. Então, em 2009 pensei: desta vez vou fazer uma distância maior. Então, atravessei o Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, o Oeste do Parará, passando na divisa do Brasil com a Argentina, passei por Florianópolis até chegar em Curitiba, num trajeto bem maior”, relembra.
Sempre pensando em superar os seus índices de quilometragem de pedal, Messias voltou às estradas em 2017 para sua terceira e maior aventura e bateu seu recorde. Percorreu mais de 5 mil quilômetros em 53 dias de pedal, passando por 9 Estados Brasileiros. 
  Como se prepara para enfrentar os longos dias de pedal pelas estradas? Ele conta que três meses antes começa a intensificar os preparativos físicos, pedalando 80 quilômetros todos os dias. Coragem e determinação são importantes, mas, segundo ele, o corpo tem que responder aos estímulos. 
 “É muito pesado e se você não estiver bem, não vai conseguir. Tem que está bem não só de corpo, mas de mente. Os itens como alimentação e repouso são essenciais nos meses que antecedem a viagem. Você tem que está preparado para pedalar o dia inteiro”, esclarece. 
Os perigos nas estradas é outro desafio que o ciclista que se arisca em se aventurar, corre todos os dias. Além de bandidos, o perigo maior é o trânsito nas rodovias, principalmente de carretas. 
“Os bandidos você enfrenta de vez em quando, mas o trânsito é o tempo todo. Quando você passa de Cuiabá o perigo vai aumentando cada vez mais. Por onde passei agora, pela Dutra e a BR 101, em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas e Paraná, se você bobear, a carreta passa em cima. Tem que ter coragem, se cuidar, se entregar para Deus e ir em frente”, diz. 
Pelo menos em quatro ocasiões, ele disse que já foi abordado por bandidos na estrada. Mas como não carrega dinheiro e nem itens de valor, explicou para os marginais a sua situação e acabou se safando, sem nenhum dolo.  
Nas estrada dorme em barraca nos pátios de postos de gasolina. Somente procura hotéis quando está em perímetro urbano por causa do perigo. Levanta às 6 da manhã pedala até por volta das 11horas. Descansa e pega a estrada às 14 e pedala até às 18, percorrendo uma média diária de 100 a 110 quilômetros. Opta por comida mais leves e capricha na hidratação. 
Mas se você está pensando em pegar a estrada e fazer como ele, Messias não aconselha, antes que esteja preparado e seguro do que quer fazer. Diz que uma aventura assim, não é para todos. “Não aconselho. É perigoso e difícil. Mas se você quiser ir, tem que estar preparado e planejar a viagem”, recomenda. 
Mas por outro lado, Messias quer ser um incentivo para crianças e jovens aderir o ciclismo como esporte e laser. Segundo ele, pedalar faz muito bem para a saúde e ajuda a manter o corpo jovem e a cabeça sadia. “Eu aconselho a fazer trajetos aqui na região. Vale à pena e você faz o seu preparo físico. Além de ser gostoso é bom e faz bem à saúde”, aconselha.
Quem pensa que ele fez sua aventura de despedida em 2017, se enganou. Messias está no terceiro ano da terceira idade, mas diz que se sente em forma e preparado para enfrentar desafios ainda maiores dos que os que já fez até agora. Já está pensando na próxima viagem, que deve acontecer no mês abril de 2019.
 Desta vez ele vai iniciar o trajeto em Cascavel no Paraná, passar pela Argentina, Uruguai e  pelo litoral do Rio Grande do Sul, Florianópolis, interior do Paraná e voltar para casa, também de bike, passando por Mato Grosso do Sul até Alta Floresta.  

 
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