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Agricultores se organizam em associação e melhoram qualidade de vida em Carlinda
Produtores de leite do setor Nazaré em Carlinda superaram dificuldade através do sistema de associativismo
12:06   25 de Junho, 2018
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Reportagem
Mato Grosso do Norte

Uma prova que a organização em sistema de associativismo e cooperativismo é a principal forma de fortalecer os agricultores familiares, para que possam ter renda e tornar suas atividades lucrativas, é a Associação dos Agricultores Familiares do setor Nazaré, no município de Carlina.
A associação foi fundada em 2005 com o objetivo de agregar os produtores de leite, que enfrentavam uma série de dificuldades, tanto para produzir como também na hora de comercializar sua produção.
O presidente da Associação, Edmilson Constantino e o tesoureiro, Claudemir Aparecido Berion, afirmam que na época em que a Associação foi fundada, os pequenos produtores do setor Nazaré, que tinha na pecuária de leite a principal fonte de renda, viviam um momento de incertezas e as dificuldades eram inúmeras.
Hoje, a associação tem 98 famílias associadas, mas no começo não foi assim. Os agricultores demoraram a acreditar que o sistema daria certo. Uma das dificuldades enfrentadas pelos produtores, era com relação a desigualdade no preço que os laticínios pagavam pelo leite. Quem produzia mais, recebia mais pelo litro do leite. “Recebemos atualmente R$ 1, 09 por litro e o preço do setor Nazaré é uma referência na região”, afirmam. 
“Não achávamos justo esta política de preço, pois quem produzia menos, recebia menos pelo seu produto. E quem produzia mais, recebia um valor mais alto. Para conseguir a igualdade, a gente se reuniu através da associação, para lutar por um preço melhor e existir igualdade”, relembra Edmilson.
Porém, para formar a associação, foram necessárias muitas reuniões com os produtores “Começamos com 36 famílias, chegamos a ter 120, mas como alguns produtores mudam suas atividades, hoje são 98 associados.
“Foi difícil no começo. Começamos do nada, tiveram grupos que não aceitaram a princípio, mas as pessoas foram acreditando e hoje estamos juntos, estamos forte na região e estamos caminhando bem, com resultados para nossos associados”, disse.
A assistência que a associação presta ao produtor de leite, trouxe facilidades e lucro para os associados. “O produtor só tem o trabalho de tirar o leite e colocar na banca. A associação tem duas caminhonetes, recolhe o leite, temos o caminhão tanque que pega o leite do resfriador e leva para o laticínio Marajoara”, explica o presidente da Associação.

Outros benefícios que os associados recebem são os serviços prestados com os dois tratores da associação, para silagem e gradeação para formação de pastagem, sempre com preço mais justo e parcelado. “Foi uma forma que a gente achou de ajudar o produtor”, observa Edmilson.
Conforme Edmilson Constantino e Claudemir Aparecido Berion, com a formação dos grupos e associações, os agricultores melhoraram sua renda e a qualidade de vida em suas propriedades. Para eles, o município também foi favorecido porque houve aumento na produção e as famílias gastam mais no comércio, aquecendo a economia.
“Foi muito válido a formação das associações. Hoje a gente impõe respeito com os laticínios e conseguimos preços melhores para nosso produto”, acentua o presidente.
Conforme os diretores, a estrutura da associação e composta de sede própria, caminhão, caminhonetes, tratores, sendo um novo comprado este ano e 5 tanques de resfriamento com capacidade de 10 mil litros de leite/ dia. “Tudo isto foi adquirido com recursos dos próprios produtores.  E temos uma caminhonete que recebemos do governo federal e um trator em comodato que recebemos da prefeitura. Compramos os nossos bens para não depender de pagar frete”, descreve Edmilson. 
 A associação recebe uma porcentagem do laticínio da venda do leite e o recurso é usado para manter os funcionários [a associação tem 6 funcionários]. “O produtor não tem custo nenhum”, assegura. 
A produção de leite recebida pela associação é uma média de 5 mil litros/dia. Os produtores entregam de 40 litros, o que produz menos, a 350 litros o que produz maior quantidade. Todavia, o preço recebido pelo litro é igual para todos. “Hoje o carro chefe da economia de Carlinda é o leite. É a atividade que consegue segurar o pequeno e médio agricultor em sua propriedade, sendo a principal fonte de renda”, diz.
O responsável pela documentação da associação é o tesoureiro Claudemir Aparecido Berion, que organiza notas fiscais, balancetes e que faz a entrega dos holerites da venda do leite aos produtores. O pagamento é feito pelo laticínio através de depósito na conta do próprio produtor. E nas reuniões mensais, que acontecem todo dia 20 de cada mês, os comprovantes são entregues a cada associado para conferência do valor depositado no mês.

 
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