Jornal MT Norte
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Rússia está nas quartas de final
Rússia surpreende e já é considerada favorita para a Copa
12:43   02 de Julho, 2018
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Bruno Bonsanti
Trivela 

A Espanha teve 79% de posse de bola. Trocou 1.114 passes. Marcou apenas um gol. Criou poucas chances. Empatou com a Rússia. E foi eliminada nas oitavas de final da Copa do Mundo, após a disputa dos pênaltis. A campeã mundial de 2010 impôs sua característica contra o país-sede, mas não conseguiu agredir, nem ser incisiva, como havia feito em certos momentos da fase de grupos. 
A bola parada, arma importante nos jogos anteriores, abriu o placar, mas um pênalti cometido por Piqué empatou a partida: 1 a 1. A Rússia marcou com afinco e criou dificuldades, mas também não fez um jogo espetacular. Teve sérias dificuldades para armar contra-ataques e ameaçar De Gea. A decisão da partida seria inevitavelmente a partir da marca do cal. Koke e Iago Aspas desperdiçaram suas cobranças. E a Rússia fez a Espanha pagar pela sua ineficiência.  
A Espanha na bola parada-A bola parada foi uma arma importante para a Espanha na Rússia. Aos 12 minutos do primeiro tempo, Nacho sofreu uma falta pela direita da grande área. Asensio cobrou na segunda trave, onde Sergio Ramos e Ignashevich dividiram espaço. O zagueiro russo pode até ter cometido pênalti no espanhol, mas a bola bateu em seu calcanhar e entrou nas redes. Ramos comemorou, mas Ignashevich marcou o décimo gol contra da Copa do Mundo. 
Eficiente e chato - A Espanha havia demonstrado um toque de bola mais incisivo durante a fase de grupos, uma postura menos acomodada. Mas, nas oitavas de final, talvez para se poupar fisicamente durante uma maratona de jogos, passou  a tocar de lado sem muito interesse logo depois do gol contra de Ignashevich, ainda no começo do primeiro tempo. É uma estratégia válida, que costuma funcionar muito bem para a campeão mundo de 2010. Mas é chata para burro para quem está vendo o jogo. Como o gol foi contra, o primeiro chute a gol da Espanha saiu com Isco, bloqueado, aos 45 minutos da etapa inicial. 
Defesa volta a falhar - O problema de aplicar essa estratégia tão cedo e com apenas um gol de vantagem no placar é que, ao contrário de outros momentos da história recente quando Sergio Ramos e Gerard Piqué eram zagueiros de primeira linha, o tempo passou para ambos. Embora também tenha falhado nesta Copa, contra Marrocos, Ramos ainda consegue manter um nível excelente com certa consistência. Piqué, porém, está mal – e não é de hoje. Golovin tentou da entrada da área, um chute colocado que passou perto do gol de De Gea. Aos 41 minutos, veio o castigo: Piqué pulou com os dois braços levantados e bloqueou a cabeçada de Dzyuba. Pênalti. Dzyuba cobrou e empatou. 
Parece um pouco inacreditável que, mesmo empatando um jogo eliminatório, a Espanha tenha mantido a falta de urgência do primeiro tempo. Mas foi isso que aconteceu. Nada aconteceu durante longos (longuíssimos) minutos no Luzhniki. A Rússia corria, tentava recuperar a bola e armar um contra-ataque, mas não teve sucesso. Hierro colocou Iniesta no lugar de Silva, embora Asensio merecesse muito mais sair, Iago Aspas em Diego Costa e trocou o lateral direito: Carvajal na vaga de Nacho para tentar um pouco mais de ofensividade pelos lados. A única chance que merece a caracterização foi um chute de Iniesta da entrada da área. Aspas ajeitou de peito, e o craque emendou de primeira no canto. Akinfeev espalmou. 
Prorrogação -O primeiro tempo da prorrogação não foi muito melhor. Pelo menos, Hierro colocou Rodrigo no lugar de Asensio, e o atacante do Valencia tirou o jogo do marasmo no começo do segundo tempo extra. Recebeu pela direita, driblou e foi para dentro, o que poucos haviam feito até então. Akinfeev fez a defesa do chute cruzado. A um minuto do final, ele recebeu na entrada da área e bateu. A última possibilidade de evitar os pênaltis. Chute fraco, Akinfeev defendeu. 
Pênaltis-Andrés Iniesta abriu os trabalhos. Não bateu muito bem, mas Akinfeev caiu no outro lado. Smolov empatou, com De Gea ainda tocando a bola antes de ela entrar. Pique bateu cruzado e fez 2 a 1. Ignashevich teve muita calma para igualar. Koke, porém, chutou muito mal, e Akinfeev defendeu. Golovin chutou rasteiro e fez 3 a 2. Sergio Ramos empatou, Cheryshev recolocou a Rússia à frente. Iago Aspas não poderia perder. Tomou distância, fez toda uma pose antes de bater, e Akinfeev defendeu. Rússia nas quartas de final. Espanha eliminada.

 
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