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A CBF não é o Brasil
17:35   06 de Julho, 2018
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Estamos vivendo, para variar, mais uma "guerra" nas redes sociais. De um lado um ufanismo por vezes exagerado em relação à nossa seleção de futebol. Por outro, aqueles que comparam o futebol com as políticas sociais do nosso país. Uma coisa não tem nada a ver com a outra.
A seleção brasileira de futebol não é o Brasil, ela apenas o representa em uma competição internacional, promovida por uma entidade privada, a FIFA, que tem uma série de confederações e federações nacionais ligadas a ela. Entidades privadas, da mesma maneira. É negócio. Torcer faz parte e alimenta essa atividade. Só isso.
Assim, quando ganhamos uma Copa (ou perdemos), não é um resultado do país, é da CBF. Da mesma maneira que, quando o Corinthians é campeão (ou vai mal, ou é rebaixado), não sou eu quem é, mas o clube. Eu apenas torço.
O que quero dizer com isso é que não podemos comparar o resultado do futebol com o resultado da nossa política. São coisas distintas. Caso saiamos com o hexa da Rússia, em nada ajudará em nossas mazelas. Perder também não! Então, que ganhe! Da mesma maneira que, em dezembro, quando a empresa que você trabalha demonstrar seus resultados e promover uma festa de fim de ano para comemorar, nada mudará o país. Mas, nem por isso não se deve comemorar.

Caso saiamos com o hexa da Rússia, em nada ajudará em nossas mazelas. Perder também não

O fato é que o brasileiro tem ficado chato demais. Parece que devemos sempre nos colocarmos com tristeza, com amargura. Se o Brasil for campeão do mundo, comemore à vontade! Torça! É o time que ganhará e, se você torce por ele, faça festa. Basta saber que a vida continua e que os problemas políticos se resolvem na política, não nos estádios da Rússia.
Provavelmente essas pessoas que ficam policiando os que estão torcendo, caso seu candidato ganhe a eleição, irá comemorar, também. Ainda, se achará politizado. Nada! Já disse aqui nesse espaço que resultado na política se comemora no fim do mandato, não no fim da eleição. Esse pleito, sim, tem efeito direto em nossas vidas cotidianas. Não sabemos ainda lidar com ele.
Em suma, deixa quem quiser torcer pela seleção, torcer. Ficar reclamando das comemorações é pura falta do que fazer. Quem vive reclamando de pão e circo é quem mais está precisando se divertir. Só é preciso saber que a vida não se resume a isso. Assim como não se resume à carranca, ao trabalho, nem a economia. Ela, a vida, é uma só. A sabedoria está em saber qual é a hora, o local e a razão de comemorar e de cobrar, além de se dirigir aos entes certos. Deixa torcer! Que venha o hexa!

Claudinet Coltri Junior é professor, palestrante, consultor organizacional e educacional, professor e diretor da Nova Hévila Treinamentos. Website: www.coltri.com.br - E-mail: coltri@coltri.com.br facebook.com/coltrijunior.

 
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