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Cara e coragem
No “Saia Justa” e “Chegadas e Partidas”, Astrid Fontenelle evidencia suas opiniões e se deixa emocionar
14:41   20 de Julho, 2018 - Fonte: Carta Z - foto divulgação
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por Luana Borges
TV Press

É fácil perceber a entrega de Astrid Fontenelle no momento em que ela entra no ar. À frente do “Saia Justa”, do GNT, a apresentadora se envolve nas discussões sobre os temas abordados no programa e reforça sua personalidade forte a cada opinião que manifesta. No “Chegadas e Partidas”, na mesma emissora, se mostra interessada nas histórias dos anônimos abordados por ela no aeroporto e, volta e meia, se emociona com o que escuta. Tanta disponibilidade faz da jornalista uma profissional versátil e que empresta muitas de suas características às produções que comanda. “É uma coisa instintiva. Tinha um antigo diretor de tevê, o Nilton Travesso, que ainda está na atividade e trabalhou comigo em vários momentos da minha carreira, que fala para mim: ‘a câmera gosta de você’. E eu também gosto da câmera”, constata.
A trajetória de Astrid na televisão, aliás, começou em 1985, quando ela produziu o “Festivais dos Festivais”, da Globo, e trabalhou como repórter no “Hollywood Rock” ao lado de Pedro Bial. De lá para cá, experimentou o jornalismo diário na TV Gazeta, teve uma rápida passagem pela Manchete e começou a chamar atenção do público na MTV Brasil. Lá, permaneceu por nove anos e acumulou no currículo programas como “Disk MTV”, “Barraco MTV” e “Pé na Cozinha”. Depois de um período na Band, onde cobriu o Carnaval e a editoria de celebridades, foi para o GNT, canal em que permanece até hoje. Aos 57 anos e mais de 30 de carreira, a jornalista não para de pensar em novos projetos. Tanto que, no último Dia dos Namorados, em vez de comemorar a data com o marido, saiu para jantar com Daniela Mignani, diretora do GNT, para discutir algumas ideias. “Eu poderia viver em uma zona de conforto, tenho dois programas excelentes no GNT, mas eu quero mais”, vislumbra, sem revelar detalhes. Enquanto traça novos planos profissionais, Astrid já está envolvida com os trabalhos do “Criança Esperança”, da Globo. Ela, que faz parte do time de 30 multiplicadores do projeto, vai viajar pelo Brasil para mostrar as instituições beneficiadas. “Mais uma vez vou sair da minha zona de conforto. Vou para lugares que nunca fui e fazer uma coisa que eu nunca fiz, que é participar desse projeto tão incrível”, salienta.
P – Você está há cinco anos à frente do “Saia Justa”. Como avalia sua trajetória no programa até agora?
R – O tempo voa, né? Eu faço uma excelente avaliação. Quando fui chamada para fazer o “Saia Justa”, achava, sinceramente, que o programa já tinha dado. Mas o GNT sabia que não e me chamou para mudar completamente o tom do programa. Eu junto com Mônica Martelli, Bárbara Gancia e Maria Ribeiro começamos a surfar em uma nova onda do feminismo que surgiu ali, ao mesmo tempo que a gente estava vindo com esse novo “Saia Justa”. A gente trabalha as mesmas pautas há muito tempo, mas sempre buscando ter novos recortes. A gente aprendeu palavras juntas ali, como “sororidade” (união de mulheres baseada na empatia e companheirismo), a mais clássica de todas elas. Eu vejo como muito bom tudo que a gente fez por aqui, incluindo as mudanças que aconteceram já de personalidades no sofá. Tivemos um ganho muito grande trazendo primeiro a Thaís Araújo, agora a Gaby Amarantos. A gente precisava ter a voz negra sentada naquele sofá. Acho que isso bastante positivo nesses cinco anos.
P – Qual é a sua técnica para mediar pessoas de personalidades tão fortes como as outras três atuais integrantes do “Saia Justa”, Mônica Martelli, Gaby Amarantos e Pitty?
R – A técnica é a seguinte: nada é fácil. A gente não senta ali para bater papo. A gente recebe pautas, pesquisa, estuda e antes do programa, no dia, eu faço duas reuniões. Tenho uma reunião sozinha com a direção do programa, em que fechamos o texto. Depois, esse texto é lido para as meninas e elas dizem o que têm para dizer. Então, eu conheço bem o pensamento delas. Evidentemente que se for alguma coisa que a gente perceba já, ali na reunião que toca, que tem emoção, a gente nem quer ouvir, eu prefiro ouvir no sofá. E o equilíbrio de dar voz a cada uma delas também vem desse conhecimento. A gente sabe o que cada uma tem a dizer. Não dá para perder o fio da meada, tem de ter foco e eu tenho muito foco para fazer aquilo ali. É um desafio semanal que a gente vai vencendo.
P – Quais são os assuntos que mais geram repercussão no programa? 
R – São os mais polêmicos, mais quentes, que estejam no noticiário. E a gente tem uma fórmula do “Saia Justa”. Temos sempre uma pauta quente que só é decidida na véspera do programa, o resto são pautas que a gente já vai discutindo, sugerindo há algum tempo. Essas que mais repercutem são sempre os assuntos mais polêmicos que estão no noticiário, assuntos quentes no Brasil ou no mundo. E também quando a gente tem convidadas no sofá, que sempre trazem um pensamento novo – e a audiência gosta de novidade.
P – Você decidiu dar um tempo de televisão no auge do ‘Happy Hour’, no GNT. De que forma essa pausa influenciou na profissional que você é hoje?
R – Eu decidi dar um tempo porque a adoção era uma prioridade na minha vida. O “Happy Hour” naquele momento estava sendo no Rio de Janeiro, minha vida pessoal estava toda em São Paulo e o maior motivo era que eu precisava focar na maternidade. Tanto é que seis meses depois, quando anunciei minha decisão, tive uma conversa com o Jorge Espírito Santo, que era diretor do programa. Ele só me falou uma coisa: “Entendo você, lamento profundamente por mim e pelo programa, mas quero ser padrinho desse moleque”. E ele realmente é o padrinho do Gabriel. O que me influenciou não foi a pausa, mas sim a maternidade. No entanto, eu acho pausas extremamente positivas em determinadas situações. Às vezes, a gente precisa limpar a imagem mudando de uma televisão para outra. Quando eu saí da Band, por exemplo, resolvi dar uma pausa. Ali eu não tinha a maternidade no foco, mas resolvi assim mesmo. E esse mesmo diretor, o Jorge, disse que era bom para limpar a imagem, já que eu tinha passado alguns anos fazendo fofocas, Carnaval, essas coisas. Então, essa segunda pausa foi muito mais importante que a primeira, que foi profissionalmente, porque a segunda foi como mulher.
P – A Hebe dizia que você seria uma das sucessoras dela. Quais são suas influências como apresentadora?
R – Ainda falo muito sobre a Hebe, era uma querida. Sempre que eu estreava um programa, ela ligava, elogiava, achava maravilhoso, mas também dava muito “pitaco” em postura física mesmo. Como sentar, nunca cruzar as pernas quando se senta em um sofá, manter as pernas de ladinho. Sempre que alguém cruza as pernas, eu digo: “Hebe dizia que não é bom cruzar as pernas na tevê. Olha lá como não fica bom mesmo”. Então o que ela mais me inspirava era a vivacidade, o prazer que tinha em fazer aquilo. Eu também gosto muito da Oprah Winfrey, a acho maravilhosa.

“Saia Justa” – GNT – Às quartas, às 22h30.

 
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