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Aquecimento global
O nível médio dos oceanos se elevaria com o degelo das calotas polares e faria desaparecer muitas regiões costeiras
12:51   15 de Agosto, 2018
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Daniel Almeida de Macedo

Uma incrível onda de calor se espraia pelo continente europeu causando incêndios colossais, no Paquistão os glaciares estão derretendo como nunca antes e a Austrália passa pela pior seca de uma geração, transformando suas férteis terras agrícolas em descampados de cor alaranjada. Diante dessa realidade árida, o aquecimento global parece ser um fenômeno inquestionável, até mesmo para os mais céticos.
A concentração de dióxido de carbono (CO2) na atmosfera, lançado na queima de combustíveis fósseis, é a principal causa para o aumento acelerado da temperatura média do Planeta. O Acordo de Paris de 2015, no qual os países se comprometeram a reduzir as emissões de CO2 a partir de 2020, foi a mais recente tentativa de refrear esta escalada. Talvez represente a maior esperança para impedir que a Terra se torne uma verdadeira estufa.
 Nos piores cenários projetados, em que a temperatura média aumente cinco ou seis graus, as florestas se transformarão em cerrados, e estes se converterão em desertos que cobrirão grande parte do planeta. O nível médio dos oceanos se elevaria com o degelo das calotas polares e faria desaparecer muitas regiões costeiras, incluindo vastos trechos da zona litorânea do Brasil.
Há, no entanto, o risco de que mesmo o aumento de dois graus já cause um cenário catastrófico. Johan Rockström, director-executivo do Centro de Resiliência de Estocolmo, em recente entrevista ao jornal português Público, explica que há enormes riscos de os sistemas da Terra ultrapassarem um ponto de não retorno mais cedo do que se pensava.

 Esse risco está ligado à complexidade de vários sistemas terrestres que se influenciam entre si e têm impacto nas alterações climáticas como as calotas polares, as correntes oceânicas, o solo gelado das regiões boreais (permafrost). Hoje estes sistemas ajudam a conter o aquecimento global, mas o aumento da temperatura da Terra acabará por inverter essa função. O maior receio é que, mesmo que se consiga travar as emissões de gases causadores do efeito estufa, e evitar que a temperatura suba muito além dos dois graus centrígrados, alguns fenômenos já não são reversíveis, como o desaparecimento do gelo do território da Gronelândia.
 Em outras palavras, mesmo que todas as fábricas e carros do mundo parem de funcionar e produzir CO2, o mundo vai continuar aquecendo de forma inercial. Tal como um animal em extinção, a Groelândia está ameaçada de desaparecer da face da Terra.
A única forma de tentar impedir essa catástrofe, segundo Rockström, é descarbonizar, drástica e imediatamente, o sistema mundial de energia, para se alcançar um mundo livre de combustíveis fósseis até 2050, no mais tardar. Desde a década de 1980, quando a expressão "efeito de estufa" ficou conhecida, os líderes dos países vêm adiando a uma política efetiva para parar a nível mundial as emissões de CO2. O resultado tem sido pífio até o momento, mas é preciso perseverar, pois em caso de falha, é bom começar a se acostumar com um mundo bastante diferente deste que se conhece.

Daniel Almeida de Macedo é doutor em História Social pela USP e escreve neste espaço às segundas-feiras. Contato: danielalmeidademacedo@gmail.com

 
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