Jornal MT Norte
Publicidade
         
                
As Riquezas e a Pobreza de Alta Floresta
A cidade tinha dois deputados estaduais, um deputado federal
12:48   17 de Setembro, 2018
e9236fb020b8b59792cdbe595feea733.jpg

José Antonio Tobias

Hoje, prezada(o) Leitora(or), se Você olhar Alta Floresta, leva um susto porque, de um lado, constata uma monumental montanha de riquezas e de progresso e, de outro lado, numa área vital, um naniquismo, uma pobreza, um retrocesso.
Do lado das riquezas, que são muitas, escolhi nove para mostrar e documentar minha afirmativa. A primeira são as terras e terras agricultáveis. A maioria das cidades de Mato Grosso, como Sorriso, Sinop e Rondonópolis, já estão com o solo do município totalmente arado e plantado. Alta Floresta, não. Nosso Prefeito, Dr. Asiel Bezerra, repete que possuímos terras agricultáveis equivalentes à extensão territorial da Argentina. 
Segunda riqueza: Cidades do Nortão. Esse é outro privilégio que a história e o tempo trouxeram para cá. Ariosto da Riva, a própria fundação de várias cidades do Nortão, as estradas, os hospitais, o comércio e os aviões fizeram e fazem de muitas cidades do Nortão prolongamentos de Alta Floresta, algo como ramos do tronco da mesma árvore. Tão verdadeiro é isso, que, quando a gente fala ou escreve sobre Alta Floresta, às vezes inclui cidades do Nortão. Em virtude disso o SEBRAE, nos dez livros sobre as regiões do Estado de Mato Grosso, na região de Alta Floresta, coloca 17 municípios.
Terceira riqueza: a Pecuária. É uma das maiores e melhores do Brasil e com aplicações de Genética de ponta em toda a parte. Três amostras do que é a pecuária de Alta Floresta: a) leilões frequentes e sem parar de 1.000, 5.000 ou 10.000 cabeças; b) uma fazenda, a Shalon, antiga Mogno, tem 15 mil alqueires e cerca de 60.000 cabeças de gado; c) um dos três frigoríficos que abate diariamente trezentas cabeças de gado, além de abastecer o mercado interno, exporta containers para diversos países.
4.ª – Chegada dos Grãos. Por certo, hoje, Alta Floresta é uma das fronteiras de grãos do Brasil, competindo com as mais avançadas fazendas de Mato Grosso e de Matopiba. Dois documentários desta riqueza: a) a Fazenda Vaca Branca, onde, dizem, a gente anda, de carro, ao lado de doze quilômetros de plantação de soja; b) na Rodovia Alta Floresta-Nova Monte Verde, antes do Rio Paranaíta, dos dois lados da estrada, descortina-se hoje uma imensidão oceânica a perder de vista no horizonte plano, de milhares de alqueires de antigos pastos, sendo arados e calcareados à espera de soja.
5.ª – A Explosão de Progresso na Cidade de Alta Floresta. Três testemunhos disso: a) o primeiro arranha-céu chegando na cidade; b) num semestre, inauguração de dois bancos; Santander e Sicoob; c) há pouco, havia 22 (vinte e dois) loteamentos novos abertos em Alta Floresta, simbolizando uma chuva de gente, de dinheiro e de casa bonita que não para de cair do céu. Quem quiser comprovação do que estou afirmando, visite o Loteamento Almeida-Prado, no centro ou o Buriti, com cerda de três mil lotes, representando uma verdadeira cidade.
6.ª – A Madeira. Carretas, com ou sem julieta, transportando com toras às vezes de um metro de diâmetro, diariamente, abastecem as madeireiras daqui ou vão para além, o dia inteiro, sobretudo à noite. 

7.ª – O Ouro. O Brasil inteiro sabe o que foi Alta Floresta há algumas décadas, quando toneladas de ouro saíam daqui. Isso desapareceu. Mas, agora, com o novo surto de progresso de Alta Floresta, o ouro voltou. Apesar de não ser com o delírio do passado, hoje existem aqui mais do que cinco casas de compra de ouro, pegando o metal precioso, vindo sobretudo do Nortão e Sul do Pará, transportado tanto através do aeroporto principal, o maior do Brasil Central quanto do aeroporto menor, particular.
8.ª – O Comércio. À noitinha, sobretudo a partir das oito da noite, à beira da Rodovia MT-208 que corta a cidade, tanto no recinto da Churrascaria-Restaurante Itaoca quanto do Restaurante-Churrascaria Casagranda, é oferecida uma cena magnífica e diária : a exposição-desfile de dezenas de carretas: carretas de boi, carretas de madeira, carretas de máquinas gigantescas da lavoura, carretas de contêineres, carretas-frigorífico de carne, carretas de centenas de pneus de peças das hidrelétricas (são já seis na região), dentre outras espécies de carretas. 
9.ª – Minérios. Já começou a exploração do cobre. E agora a gente já vê um helicóptero com uma aparelhagem esquisita, longa e grande embaixo, voando rasante por aqui e alhures, a fim de localizar e começar logo a perfuração e exploração de minérios.
10.ª – O Turismo. No cenário nacional e internacional, talvez seja a qualidade que mais projeta Alta Floresta. Três testemunhos disso: a) a Torre de Ornitologia do Hotel Cristalino Jungle Lodge, repartição na Mata Amazônica do Hotel Floresta Amazônica, conhecida dos estudiosos e cientistas de pássaros do mundo inteiro; b) desde Nobres até os limites do Pará, Alta Floresta é a única cidade de turismo de Mato Grosso que aparece no Guia Quatro Rodas; c) no turismo nacional e internacional, a projeção de D.ª Vitória da Riva de Carvalho, altaflorestense e proprietária do Hotel Floresta Amazônica.
Mas... lá vem o triste: “Mas” ... 
Alta Floresta tem uma falha, uma pobreza grave, gravíssima. É uma só. Mas que prejudica uma, ou algumas ou todas as riquezas que tanto a engrandecem e enaltecem. 
Alta Floresta não tem políticos!... 
E é pior: O altaflorestense habituou-se a isso. Habituou-se, politicamente a ver Alta Floresta e o Nortão como quintal de Sinop.
Quando digo que “não tem políticos”, estou entendendo que não temos deputados estadual (Romualdo Júnior sumiu), nem deputado federal e nem senador. Quando, pelos idos de 1990, comecei a visitar Alta Floresta e conhecer Ariosto da Riva, a cidade tinha dois deputados estaduais, um deputado federal, senador e quase teve um ministro da agricultura, que é o próprio Ariosto da Riva. E hoje, vinte e tantos anos depois, Alta Floresta não tem ninguém. Ninguém. Nossa querida Alta Floresta e seu povo alimentam-se de um humilhante e acomodado naniquismo político, a ser confirmado, parece, pelas eleições de 2018.
Duas conclusões: Primeira, incrementar e criar riquezas de Alta Floresta, por alguns tida hoje, como a cidade que mais progride no Mato Grosso. Segunda: a sociedade toda, inclusive nossos políticos, começarem a lutar a fim de conscientizar todos os que amam Alta Floresta e o Nortão a se prepararem e se afiarem para elegermos gente daqui para as alturas e responsabilidades de deputado estadual, deputado federal e senador.

Professor. Dr. José Antonio Tobias- Diretor da Faculdade de Alta Floresta

 
COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte