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Amor de mãe
Em “Espelho da Vida”, Júlia Lemmertz se divide entre duas personagens de épocas distintas
13:18   09 de Novembro, 2018 - Fonte: Carta Z
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Foto: : DIVULGAÇÃO/TV GLOBO

POR LUANA BORGES
TV PRESS

A versatilidade marca a trajetória de Júlia Lemmertz. É com a mesma facilidade que a atriz transita entre tipos românticos, personagens com perfil vilanesco e até os mais cômicos. Desde que estreou na televisão, em “Os Adolescentes”, novela exibida pela Band em 1981, ela conseguiu, inclusive, acumular uma variedade de papéis em seu currículo. Entre eles, a Maria Luísa de “Amazônia”, a Flávia de “Guerra Sem Fim”, a Marta Morta de “O Beijo do Vampiro” e a Greta de “Novo Mundo”. Mas os traços delicados e a voz suave de Júlia acabam a aproximando ainda mais dos papéis de mulheres acolhedoras. Como é o caso da Ana, que ela interpreta em “Espelho da Vida”. “Eu estou feliz com a personagem, que é simples e difícil ao mesmo tempo. É uma mulher muito do bem, uma mãe dedicada e uma pessoa com várias qualidades”, define.
Na história escrita por Elizabeth Jhin, Ana é mãe de Cris, protagonista vivida por Vitória Strada, e é casada com Flavio, de Ângelo Antônio. A personagem se dá muito bem com a filha, mas está sempre preocupada com a jovem. Há algumas semanas, foi revelado que ela também foi mãe de Cris em outra vida, sob a identidade de Piedade. É essa volta ao passado na trama que explica vários acontecimentos nos dias de hoje. Como Piedade, Júlia incorpora uma mãe também amorosa, mas totalmente submissa ao marido, Eugênio, de Felipe Camargo – que também interpreta Américo, pai biológico de Cris. “Minha personagem Ana tem um ateliê junto com o marido, que é o padrasto de Cris. Com o pai dela, o Américo, Ana tem uma relação muito conturbada”, diferencia, citando o papel de Felipe Camargo na fase contemporânea da novela.
Mas é a relação entre mãe e filha que conduz o principal raciocínio cênico de Júlia. Para criar esse elo entre as duas personagens, o convívio intenso no “set” de gravação com Vitória tem ajudado. Pela primeira vez trabalhando com a atriz, que fez sua estreia em novelas como protagonista de “Tempo de Amar”, Júlia se esbalda na leveza da história enquanto observa o comprometimento da colega de cena. “Vitória é uma menina extraordinária, muito jovem e madura para a idade dela. Ela, na verdade, faz quase três personagens nessa novela: em 2018, em 1930 e ainda faz um filme sobre 1930”, surpreende-se.
A proposta de narrativa de “Espelho da Vida” é uma novidade. A novela se passa em duas épocas separadas por quase um século de distância concomitantemente. Ora parte dos personagens estão em 2018, ora em 1930. Apesar da ousadia de Elizabeth Jhin, Júlia não sente a menor dificuldade em dar conta de dois papéis em um mesmo projeto. Pelo contrário. Ela acredita que a experiência anterior com o texto da autora a preparou para este momento. “Em ‘Além do Tempo’, eu interpretava a mãe da Melissa (Paolla Oliveira) e a gente já tinha isso. Foram 6 meses em 1890 e depois a história ia para 2015. Tínhamos duas épocas bem definidas”, lembra.

“O Tempo Não Para” – Globo – De segunda a sábado, às 19h15.

 

Assunto que rende

Falar de vidas passadas é recorrente nas novelas de Elizabeth Jhin. Independentemente de crenças, Júlia Lemmertz se propõe a “mergulhar de cabeça” em todos os papéis que interpreta. Mas, quando a personagem transmite uma mensagem profunda, o trabalho fica ainda mais prazeroso. É o que acontece com “Espelho da Vida”. “Eu me jogo nisso. É uma proposta interessante e uma ideia bonita pensar que podem existir realidades paralelas, vidas passadas ou seja lá o que for. É tudo uma grande brincadeira séria”, ressalta.
Aquela sensação de “déjà vu” que, volta e meia, é abordada na novela, Júlia já sentiu várias vezes. E, apesar de não acreditar em reencarnação propriamente dita, a atriz se pega questionando sobre o sentido da existência humana. Ainda mais agora, nesse momento em que está imersa no assunto por causa do trabalho. “Às vezes me pergunto se isso aqui é só o que há. Se a gente acaba aqui, se a gente vem ou vai para algum lugar, mas me preocupo mais em viver essa vida aqui que já dá trabalho o suficiente”, pondera.

Instantâneas

# Em sua estreia na tevê, como a Bia de “Os Adolescentes”, Júlia Lemmertz encarou a responsabilidade de viver uma das protagonistas da novela, uma adolescente que tinha uma gravidez precoce.
# Em 2014, protagonizou “Em Família” na pele de Helena. A atriz foi escolhida por Manoel Carlos para homenagear a saudosa mãe dela, Lílian Lemmertz, que interpretou a primeira Helena do autor em “Baila Comigo”, de 1981.
# Entre os anos 1980 e início de 1990, a atriz transitou entre trabalhos na Band, Globo e Manchete.
# Júlia começou a atuar ainda criança, quando fez uma participação no filme “As Amorosas”, em 1968, ao lado da mãe, que morreu em 1986.

 

 

 
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