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Piloto que sobreviveu à queda de avião diz que pensou na filha e não quer mais voar
20:02   03 de Dezembro, 2018
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Lana Motta 
Com Eunice Ramos - TV Centro América

 

O piloto Maicon Semencio Esteves, 27, que sobreviveu a uma queda de avião no último dia 4 de novembro em Peixoto de Azevedo (692 km de Cuiabá), disse em entrevista exclusiva ao Fantástico neste domingo (2), que não quer mais voar, achou que ia morrer, teve alucinações e só encontrou forças para sobreviver ao se lembrar da namorada grávida e da filha que ainda está para nascer.

Ele vai ser pai pela primeira vez e a criança vai se chamar Bianca. “O que eu tinha força era a minha filha. Se não fosse ela, eu acho que não ia ter tanta força não”, afirmou.

Ainda internado no hospital em Sorriso, a 420 km de Cuiabá, Maicon contou que estava a bordo do avião agrícola que caiu e pegou fogo em uma região de mata fechada.

Ele foi localizado 4 dias após a queda da aeronave. Maicon mora no Paraná e foi contratado por um fazendeiro. Em 3 de novembro, pegou a aeronave em Tocantins, e parou em Confresa (1.160 km de Cuiabá), para abastecer. Depois de uma hora da decolagem, quando o avião sobrevoava Peixoto, o motor esquentou. “Fui perdendo potência. Os tanques estavam cheios. não foi pane seca. Eu gritava: meu Deus, eu vou cair agora, eu vou cair”, lembrou.

O piloto conta que ainda tentou controlar o avião. “Fui trazendo ele para cair de barriga, porque se ele caísse de ponta, as asas iam abraçar as árvores. Aí que seria pior”, comentou. Assim que a aeronave caiu, começaram as chamas. Maicon conseguiu soltar o cinto de segurança e abrir a porta do avião, e conta que saiu correndo desnorteado.

Logo parou, voltou para pegar o celular que tem um aplicativo com mapa da região. Ao perceber que havia um córrego a cerca de 1,5 km, ele seguiu na direção do rio onde foi encontrado 4 dias depois. Ele conta que dormiu. “Dei uma dormida e uma certa alucinação que eu tava despedindo do meu pai, da minha mãe, da minha família”, revelou.

No quarto dia em que estava perdido na floresta, ele achou que ia morrer e começou a pedir a Deus alguns anos de vida para ter a filha e começou a gritar. "Eu comecei a gritar por socorro, e eu escutei uma pessoa gritando. Aí eu vi que não era alucinação”, conta.

Logo depois da queda, os funcionários da fazenda pediram ajuda e uma grande equipe de buscas foi atrás de Maicon. Além das queimaduras, ele teve infecções e insuficiência renal. Mesmo sem comer, ganhou peso passando dos 105 kg para 116 kg. “Ele ganhou peso porque está inchado, teve grandes queimaduras que levaram a formar aquelas bolhas, os edemas”, disse o médico Daniel Magnone.

Maicon passou 16 dias na UTI, fez cirurgias plásticas reparadoras, e está em fase final de recuperação. Três semanas após o acidente, ele fez um vídeo, ainda acamado, no hospital em Sorriso (a 397 km de Cuiabá), agradecendo aos que torceram por ele e a quem deu apoio aos pais dele, entre o dia que o avião caiu e o que ele foi encontrado vivo.

As causas do acidente estão sendo investigadas pela Força Aérea Brasileira (FAB).

 
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