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Temer: Bolsonaro vai acabar adotando política externa universalista
Presidente concedeu entrevista exclusiva à jornalista Roseann Kennedy
11:16   06 de Dezembro, 2018
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Em entrevista exclusiva à jornalista Roseann Kennedy, que vai ao ar hoje (5) às 21h15 na TV Brasil, o presidente Michel Temer defendeu que o novo governo adote o multilateralismo em sua política externa.

“Nunca nos pautamos por ideologia. Nossa relações são de país para país. Acho que o presidente Jair Bolsonaro vai acabar adotando essa política universalista”, opinou.

Temer afirmou ainda que o multilateralismo é uma das exigências da globalização. Para ele, o isolacionismo pode até funcionar para países como os Estados Unidos, que detêm força política e econômica. “Não somos os Estados Unidos; e não temos o mesmo poder”, observou.  

Sobre qual conselho daria para o futuro ocupante do Palácio do Planalto, Temer citou três palavras: humildade, temperança e equilíbrio. “Não que ele não os tenha, acredito que tenha esses atributos, e irá exercê-los. É preciso serenidade para conduzir o país”, afirmou.

Na avaliação do presidente, o Congresso não criará obstáculos para o novo governo. “O Congresso tem consciência da necessidade do país. Não vai atrapalhar; vai aprovar o que for importante”, disse. Ele destacou que Bolsonaro já está conversando com as bancadas partidárias. Para Temer, mesmo os novos eleitos, que nunca foram políticos, “logo se aclimatarão e votarão positivamente ao que interessar ao povo brasileiro.”

A seguir, os principais trechos da entrevista:

 

Legado

Temer aponta como legado de seu governo a queda da inflação e dos juros, a valorização das estatais, além da reforma trabalhista. Na área de meio ambiente, destacou a criação de reserva marinha e a ampliação dos parques nacionais. Na área social, ressaltou os dois reajustes concedidos, acima da inflação, para o Bolsa Família e o lançamento do programa Progredir, que já ofereceu contratos de trabalho para mais de 200 mil jovens. Temer lembrou da liberação para os trabalhadores das contas inativas do FGTS e do PIS/Pasep, que somaram R$ 64 bilhões.

 

Teto de Gastos e metas sociais

Temer disse que as medidas econômicas adotadas, como o Teto de Gastos para o governo, ajudaram no cumprimento das metas sociais, rebatendo as críticas de que a área social sofreria prejuízos com o ajuste fiscal. Ele citou que o defícit das contas públicas caiu este ano mais de R$ 25 bilhões. “Isso na verdade ajudou no cumprimento das metas sociais. Quando gastamos menos, a dívida pública cai e a inflação também. E a queda da inflação valoriza o poder de compra dos salários”, disse.

 

Eleições e alarmismo

O presidente disse que “erraram profundamente” os que apostaram numa crise cambial no Brasil. “Não pode ter dados falsos, [não pode ter]  alarmismo só em função das eleições”, reclamou. Segundo ele, as reformas feitas em seu governo trouxeram credibilidade para a economia e para o país. Ele citou o fato de a Bolsa de Valores ter chegado a quase 88 mil pontos, máxima histórica.

 

Impopularidade e “Fica Temer”

Na entrevista, Michel Temer disse que a impopularidade não o incomoda e chegou a brincar com o fato. “Aumentou 100% a popularidade, de 4% para 8%”, disse, bem humorado. O presidente voltou a repetir que não tomou medidas populistas para buscar melhor avaliação dos brasileiros. “Fiz política de Estado”, disse. Na avaliação de Temer, um bom sinal de sua gestão é o fato de que 13 ministros do seu governo foram chamados para integrar a nova gestão federal e governos estaduais. “Tenho expectativa de que [ainda] serei bem avaliado”, acrescentou.

Sobre o movimento nas redes sociais, #FicaTemer, para sua permanência na Presidência, o presidente considerou “muito simpático”. “Curioso, o reconhecimento vem vindo. É uma brincadeira, mas me impressionou o número de visualizações”.
 

Frustrações no mandato

“Não tenho, porque tive pouco tempo, pouco mais de dois anos,  uma oposição feroz e sofri tentativas de desmoralização; quiseram derrubar o governo", afirmou.

Lamentou não ter feito a reforma da Previdência e a simplificação tributária porque não houve tempo e condições, mas lembrou que os temas fazem hoje parte da pauta política do país.

 

Grampo de Joesley e reforma da Previdência

Segundo Temer, houve uma trama exatamente para inviabilizar a votação da reforma da Previdência. “Foi tudo preparado. Inventaram uma frase que nunca existiu. Ela pegou e ela é falsa. O tempo é o senhor da razão. Meu detrator foi preso. Fruto de gravação feita por ele mesmo. O procurador que trabalhou para ele foi denunciado pelo próprio Ministério Público".  

Decepção

“Tive uma vida de muita tranquilidade, como professor, como promotor, como político. Mas na Presidência, não. Em face daqueles fatos [o grampo de Joesley Batista], tentaram desastrar a minha vida. Isso me decepcionou muito. Tenho orgulho de ter saído de uma pequena cidade do interior de São Paulo e ter chegado à Presidência da República."

 

Futuro sem saudades

Temer disse que, a partir de 1º janeiro, voltará para São Paulo. “Vou ficar comigo mesmo. Escrever. [Na Presidência] não sobra espaço mental para elaborar textos técnicos ou de ficção." O presidente disse ainda que se sente realizado, mas que não terá saudades. “Intimamente, sinto que desempenhei um bom papel. Não vou sentir saudade. Cada momento é um momento. Não se pode ficar preso ao passado”, finalizou.

Edição: Carolina Pimentel

 
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