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Com outros olhos
Há duas temporadas no “Amor & Sexo”, Eduardo Sterblitch se vê diante de um novo público
16:12   07 de Dezembro, 2018
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por Caroline Borges
TV Press

A “zona de conforto” é um lugar temido para boa parte dos profissionais. Porém, nem sempre é fácil tomar a decisão de se arriscar em algo novo e desconhecido. No ar na atual temporada de “Amor & Sexo”, Eduardo Sterblitch vive um momento de redescobertas e estreias em sua carreira. Após sete anos integrando a trupe do “Pânico”, o humorista foi em busca de uma nova vertente para o seu humor. “Não fico calculado se melhorei ou não desde a minha saída do ‘Pânico’. Eu queria simplesmente agregar público. Antes, eu fazia um trabalho para molecada jovem e muito homem. Agora, agrego mais mulher. Muitas mulheres estão sabendo meu nome e gostando de mim agora (risos)”, afirma.
Natural do Rio de Janeiro, Eduardo estreou na tevê no “Pânico”, quando o programa ainda era exibido pela RedeTV!. Ficou na produção até 2015, período em que o humorístico já ia ao ar pela Band. Em 2017, entrou para o elenco do “Amor & Sexo”. Sendo um programa por temporadas, Eduardo ainda conseguiu conciliar a produção apresentada por Fernanda Lima com uma temporada do “Tá no Ar: A TV na TV” e com o “reality show” “Popstar”. “Eu sempre dei muita sorte com grupo. Sempre dizem que é difícil trabalhar em grupo, mas comigo foi sempre muito tranquilo. No Tablado ou em cursos de teatro sempre me dei bem com todos. No ‘Pânico’, encontrei a minha turma do fundão”, valoriza.
P – Este é seu segundo ano integrando a bancada do “Amor & Sexo”. Como você avalia sua participação no programa?  
R – Acho que sou um cidadão muito melhor, mais responsável com a vida. Me tornei uma pessoa melhor. Fiz 31 anos agora. Tem só um ano que me tornei adulto de verdade (risos). Desde o programa, tenho tentado ser mais responsável, me reaproximando da minha família. A sociedade está repensando um monte de coisa, concordando ou não. Mudei para ter mais empatia e responsabilidade pelos outros. Não que eu não pense em mim, mas tenho pensando mais no outro também. O programa aborda assuntos que são tabus e que, às vezes, são bem óbvios. É um programa que abre espaço para todo mundo falar. 
P – O que foi mais marcante para você ao longo dessas últimas duas temporadas?
R – Aprender a lidar com a minha nudez. Eu já tinha ficado nu no “Pânico”, mas era diferente. Nunca tinha ficado nu sem “blur” (efeito desfocado). A nudez no “Pânico” era diferente porque era um programa voltado para homens e de noite. Acho que ninguém nunca ficou tão pelado na Globo como eu (risos). Sempre tive problemas com nudez e, no “Amor & Sexo”, tinha muitas câmaras e plateia. Foi libertador. A gente erotiza demais a nudez. Isso vem muito da nossa mente pornográfica. Nosso corpo é uma coisa natural.
P – Qual o balanço que você faz do período em que esteve no “Pânico”? 
R – Não cuspo no prato que comi porque meu nome está sujo. Quem participou do “Pânico” tem nome sujo (riso). A gente sangrava muito a piada. Não sou “Pânico”, eu participei do programa. A produção já existia e era um sucesso quando eu entrei. Fiz parte do “Pânico”. Não me sinto empoderado o suficiente para falar sobre os caminhos do programa. Eu não criei. Não concordo com questões políticas de muita gente, mas concordo com outros. No grupo, tem de comunista ao coxinha. Sou amigo de todos. Sai do “Pânico” para renovar meu público.
P – Como assim?
R – Era mais confortável ficar no “Pânico” e, inclusive, me ofereceram mais dinheiro para ficar. Mas, na verdade, eu saí para ficar desempregado. Saí porque estava fazendo mais do mesmo, queria me provocar em outros lugares. As pessoas acharam que eu vim para a Globo para ganhar mais dinheiro. Eu sempre quis fazer sentindo antes de fazer sucesso. Quando eu entrei no “Pânico”, eu fiz sucesso e entendi o que era. Saí para fazer algo que eu gostasse. No “Amor & Sexo”, encontrei uma turma muito aberta. Eles me ensinam muito. Tenho muitas piadas escatológicas e pesadas na minha cabeça. Saio sempre perguntando para a equipe se a piada é racista ou machista, por exemplo. O “Amor & Sexo” é um campo minado para piada. O programa trata de muitos assuntos sérios e importantes.
P – Você segue no elenco da próxima temporada do “Tá no Ar: A TV na TV”? 
R – Não. Tive de sair porque vou fazer uma série nova com a Tatá Werneck. Se chama “Shippados”, da Fernanda Young e do Alexandre Machado. É uma história sobre vários casais, todos casais de amigos. Diferentemente do que saiu na imprensa, não é um “remake” de “Os Normais”. Mas não posso dar mais “spoiler” do que isso.

"Amor & Sexo" – Globo – Terça, às 23h.

 
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