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Sem cuidados adequados, árvores causam transtornos nas vias publicas
Não basta apenas querer trocar todas as árvores sem uma discussão, para descobrir quais seriam as espécies mais adequadas, observa bióloga
13:37   21 de Dezembro, 2018
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José Vieira do Nascimento
Editor Mato Grosso do Norte

 A arborização de Alta Floresta poderá ser tema de discussão e entrar na pauta política do município em 2019. O aspecto que se observa hoje é de uma cidade com visual de abandono. Árvores malcuidadas, que não recebem podas adequadas e que invadem o espaço das ruas, oferecendo riscos para os transeuntes, para ciclistas e motoristas. Em muitos casos, cobrem as fachadas dos estabelecimentos comerciais.

Contribuem para este quadro de desleixo, por um lado, a prefeitura municipal, que teria a obrigação de zelar pela arborização da cidade, e não o faz, de outro a empresa de energia, a Energisa, que faz podas sem critérios, que prejudicam as árvores. 
A espécie plantada em Alta Floresta, inicialmente, foi a Manguba, nativa da América Central e do Sul, árvore que não tem identificação com o clima da região e que se desenvolve em locais úmidos. Não deu certo.  
Essa planta produz uma fruta semelhante a um cacau, só que bem mais pesada e maior. Ao cair, além da sujeira, também causava transtorno. A população reclamava que elas despencavam sobre os carros e até os amassavam, causando prejuízos. E também poderia ferir se alguém estive abrigado em sua sombra e fosse atingido por um de seus frutos.
Diante disto, a Manguba foi quase que integralmente substituída pelos Oitis, espécie que também não é nativa na região e é proveniente da Mata Atlântica. Mas sem os devidos cuidados, as Oitis também não estão agradando grande parte da população. 
Com o descontentamento popular e o abandono em que as árvores da cidade se encontram, o vereador Dida Pires cobrou do prefeito municipal, Asiel Bezerra, uma solução para o problema da arborização da cidade. 
Conforme ele, a Manguba não deu certo pelos fatos já citados, assim como as Oitis, que crescem demais, quebram calçadas, despejam muitas folhas não no chão e também produzem uma fruta que quando cai, além de sujeira, acaba atraindo mosquitos. 
Segundo o vereador, o prefeito alega que a prefeitura não tem dinheiro para cuidar das árvores. Porém, observa que a cidade não pode continuar na situação atual.
“Temos que pensar numa alternativa. A lei municipal orienta a poda permanente e acima de 8 metros, mas as Oitis crescem demais, estão acima do limite e o prefeito alega falta de recursos. Só que a cidade não pode continuar desta forma”, diz o vereador.
Ele sugere que a prefeitura faça um estudo técnico para encontrar uma espécie melhor, para que a substituição das Oitis aconteça de forma gradativa. Sua sugestão é que a cidade adote a plantação de uma espécie chamada de Colombiana, que dá menos trabalho para podar, é mais bonita e suja menos a cidade. “E o prefeito falou que vai pensar na possibilidade de substituir a arborização”, disse. 
No entanto, a bióloga, professora Dra. Solange Arrolho, diretora da Faculdade de Ciências Biológicas e Agrárias da Unemat- Faculdade Estadual de Mato Grosso- observa que qualquer espécie exige cuidados constantes. Caso contrário, também não irá dar certo.
“Tinham as Mangubas, que boa parte delas foram substituídas por Oitis, que também é uma espécie que não é da região. A questão é qual espécie da região que vamos pôr em substituição? Lindas e maravilhosas são os Ipês, mas dá um trabalho muito grande para cuidar. Talvez vai ter que cuidar ainda mais, não só das árvores como da limpeza da cidade”, disse.
Para Solange, não basta apenas querer trocar todas as árvores sem uma discussão. E, segundo ela, a Unemat tem profissionais que podem auxiliar para descobrir quais seriam estas espécies. 
Sobre os Oitis, a professora explica que é uma espécie exótica, que cai folhas e tem crescimento grande. “As árvores recebem alimentos da terra e vão crescendo. Meu questionamento e tirar os Oitis e colocar que espécie? Tem que se pensar muito sério sobre qual ou quais árvores vão ser colocadas, para que o próximo gestor também fale que não gosta e diga que vai tirar”, questiona Solange.
De acordo com a bióloga, o que falta em Alta Floresta é poder dar a resposta à comunidade, de quais seriam as melhores espécies a serem implantadas e pensar para que as queremos. 
“Para arborização? Temos que pensar que temos que ter árvores para diminuir a temperatura. Tirar tudo de uma vez também não dá e vai fazer uma diferença enorme. Se tirar 10, vai ter que plantar mais 10 ou 20. Temos exemplos de comerciantes que tiraram as àrvores da frente de seus comércios, plantaram outras espécies e não foram pra frente. Tem que ir substituindo aos poucos”, orienta.
Segundo ela, a Universidades está sempre disponível através do curso de Engenharia Florestal, Agronomia e Biologia, para estudar junto com a prefeitura, através de parcerias, e encontrar uma alternativa para fazer uma cidade bonita, mais fresca e limpa. “Temos um monte de profissionais que trabalham com isso e estamos à disposição”, assegura. 
Para a cidade ter uma arborização adequada, a bióloga recomenda três medidas fundamentais: o cuidado, substituição gradativa por espécies que possam atender os requisitos de uma área urbana, e ouvir quem trabalha na área. E neste sentido, reitera que a Unemat está à disposição para colaborar. 
Ela ressalta que independente de espécie, as árvores com problemas, devem ser substituídas, porque podem cair durante ventos fortes, soltar galhos secos e causar transtornos nas vias públicas. Mas isto ocorre, conforme Solange, não pela árvore, mas pela falta de cuidados. 
“Deveria ter um setor da prefeitura que fosse treinado e capacitados a cuidar destas árvores. É primordial o cuidado como podas, principalmente nesta época de chuva, porque as árvores se revigoram melhor”, aconselha.

 
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