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Famílias do Assentamento São Pedro II temem serem despejadas
O deputado estadual Mauro Savi comprou a fazenda por R$ 1,5 milhão utilizando cheques de um esquema de lavagem de dinheiro e desvios de recursos no Detran de Mato Grosso
17:45   09 de Janeiro, 2019
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Edemar Savariz
Mato Grosso do Norte

129 famílias do Assentamento São Pedro II, sendo 40 lotes situados na linha Canaã e 89 na linha Sol Nascente, estão apreensivas devido a duas ações judiciais que tramitam na justiça, que pedem que os moradores desocupem a área. Uma das ações é de reintegração de posse e a outra é por crime ambiental. As famílias estão na área desde 2014. 
A ação de reintegração de posse foi interposta por Irney Milani que, segundo os autos, adquiriu as terras de Marcelo Savi, filho do ex-deputado estadual Mauro Savi. A área ocupada é de 5,5 mil hectares, perfazendo um total de 129 sítios de 21 alqueires cada.
O deputado estadual Mauro Savi (PSB) comprou a fazenda por R$ 1,5 milhão utilizando cheques de Claudemir Pereira dos Santos, um dos sócios da Santos Treinamento, empresa que faria parte de um esquema de lavagem de dinheiro e desvios de recursos no Detran de Mato Grosso. A informação consta do depoimento do advogado Roberto Zampieri à Delegacia Especializada em Crimes Fazendários e Contra a Administração Pública (Defaz-MT), proferido no âmbito da operação “Bereré”, que investiga as fraudes.
Para o morador da Linha Sol Nascente, Isaias da Sillva, é incompreensível que 129 famílias sejam retiradas por causa das ações. “A ação que está correndo é por crime ambiental. Se fosse para tirar uma pessoa de cima da terra por crime ambiental, primeiro tinham que tirar os fazendeiros. Aqui são 129 lotes de 21 alqueires. Que multem quem desmatou!”, disse o Morador
O agricultor esclarece que as 129 famílias entraram numa área improdutiva e agora estão gerando riquezas para a região. “Todas as benfeitorias que tem aqui foram construídas com muito suor, com muita luta. A maior parte das pessoas que estão aqui, é simples e não tem dinheiro, mas têm muita vontade de trabalhar e trazerem riquezas para o nosso município e região. Elas dependem destas terras para sobreviverem”, enfatiza.
Hoje a linha Canaã conta com rede de energia e toda infraestrutura e o ônibus escolar está fazendo a linha para buscarem as crianças para a escola. Na linha Sol Nascente a rede de energia está quase pronta.
 “Aqui moram famílias trabalhadoras que transformaram essa região. Agora que está quase tudo pronto querem nos tirar. Isso não é justo.  Nós precisamos do apoio de todos para permanecer nesta terra, aqui tem muita produção e precisamos que os políticos olhem e interfiram para que possamos ficar aqui e continuar trabalhando. Estamos aqui para somar e ter uma vida digna. O que vamos fazer com nossos filhos na cidade? Aqui eles estão aprendendo a trabalhar e viver da terra”, questiona Isaias. 
Para o vereador, Genildo Ribeiro da Silva, que mora no Assentamento São Pedro, vizinho do Assentamento São Pedro II, a situação das famílias é preocupante, caso a justiça determine a suas retiradas da área.
“É difícil para muitas pessoas que estão aqui, porque elas não têm onde morar. Essas famílias sobrevivem desta terra. Temos que nos solidarizar com essas pessoas para que essa situação seja resolvida e elas possam continuar a viverem aqui”, disse o vereador.
O vereador esclarece que são pessoas que trabalham e transformaram o lugar. “Esta área era improdutiva. Hoje tem plantações de abacaxi, banana, tem produção de leite, muitas árvores frutíferas, abóbora, melancia e muito mais. Este povo que está aqui nesta terra transformou de terras improdutivas para terras produtivas e necessitam destas terras para sobreviverem”, enfatiza Genidlo.

A preocupação do vereador é se as famílias forem retiradas do local. “Não sei qual será o destino delas. Provavelmente irão para frente da prefeitura porque não tem outro lugar. Paranaíta hoje já tem uma demanda de 400 famílias que esperam por uma casa devido ao impacto das usinas. Imaginem agora todas essas famílias que estão aqui irem também para o município, como que iria ficar nossa cidade?”, questiona. 
“Seria um prejuízo social muito grande. São famílias que estão produzindo, trazendo recursos para o município, sobrevivendo da terra. O lugar delas é aqui onde trabalham e produzem”, finaliza o vereador.

 
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