Jornal MT Norte
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E fez-se o caos!
Quem gere os recursos públicos dos Estados e do país são os representantes políticos eleitos para tal
12:01   23 de Janeiro, 2019
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Caos. É desesperador pensar que a mais profunda desordem (se é que isso é possível) pode se instalar e desestruturar o que ainda resta do que chamamos de dignidade. Em um país tão desigual como o Brasil, quando tantas pessoas não possuem o básico, é difícil falar em emprego, salário e qualidade de vida. É isso que pessoas privilegiadas, como eu, correm o risco de perder caso esta estratégia política baseada no caos se concretize.

Agora, imagine os impactos para a população que recebe um salário mínimo mensal e teria que trabalhar durante 19 anos para ganhar o salário de um mês de um brasileiro que faz parte do privilegiado grupo do 0,1% mais rico do país. Este triste dado está no relatório da Organização Não Governamental (ONG) britânica Oxfam. O mesmo estudo aponta que apenas seis pessoas têm uma riqueza equivalente ao patrimônio dos 100 milhões de brasileiros mais pobres, metade da população.
 Mas é preciso, além de demonstrar que o caos existe, tornar público o culpado por isso. Nos últimos anos, a construção do discurso da crise econômica teve como base os gastos públicos (não investimentos, veja bem, gastos) e, consequentemente, o custeio da máquina. 
Quem gere os recursos públicos dos Estados e do país são os representantes políticos eleitos para tal. É no mínimo injusto culpar apenas os servidores públicos pela má aplicação do dinheiro, pela qualidade dos serviços e pelo rombo nas contas. Demonizar o serviço público e os servidores é mesquinho por parte de quem também é trabalhador e tem acesso a conhecimento suficiente para entender o contexto político atual. 
Não são críticas ao serviço público, as quais eu considero extremamente necessárias, mas são ofensas aos servidores que, assim como os demais trabalhadores, levantam-se diariamente para cumprir seu dever e receber o salário no final do mês. Apenas a remuneração pelo serviço prestado. Como em qualquer outra profissão, inclusive no setor privado, há sim os acomodados ou até mesmo corruptos. Mas generalizar esta crítica e contribuir para a construção de uma imagem destrutiva do serviço público é mais que um desrespeito pessoal.
 No caso dos formadores de opinião, é uma irresponsabilidade sem tamanho. Ou ainda não perceberam que estão sendo utilizados como ferramenta, ou pensam mesmo como os poderosos, mesmo sem sê-los. Todo este cenário de caos é fomentado para que consigam justificar o corte de direitos trabalhistas (tanto no setor público quanto no privado), e seguirem exercendo o poder sem se sentirem ameaçados. 
 Mudar depende de vontade política para legislar e exercer mandato em favor do povo. Não por acaso a reforma política está estagnada.
 
Nara Assis é jornalista e servidora pública estadual

 
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