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Memória afetiva
Em “Verão 90”, Cláudia Ohana relembra a intensa década de 1990
13:02   01 de Fevereiro, 2019
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POR CAROLINE BORGES

TV PRESS

Claudia Ohana não é uma pessoa nostálgica. No elenco de “Verão 90”, novela que tem sua trama ambientada na década de 1990, a atriz passou boa parte do período extremamente envolvida com sua carreira. Até hoje, ela é lembrada por tipos, como a vampira Natasha, de “Vamp”, e a maquiavélica Isabela, de “A Próxima Vítima”. Sem cultivar o saudosismo, ela guarda poucas memórias da época retratada na trama de Izabel de Oliveira e Paula Amaral. “Eu trabalhava muito. Para mim, foi um período de trabalho. Os anos de 1980 foram de farra porque era minha adolescência, mas a década de 1990 foi o contrário. Engraçado, para mim, parece que os anos 90 foram ontem. É esquisito falar que uma novela da década de 1990 é de época (risos)”, explica ela, que interpreta a batalhadora Janice. “Foi um convite maravilhoso do Jorge Fernando (diretor). A gente estava fazendo o musical ‘Vamp’ quando ele me falou do projeto”, completa.                    Aos 55 anos e natural do Rio de Janeiro, Claudia mantém uma forma invejável. Apesar dos diversos cuidados com a saúde física e mental, a atriz tem uma boa relação com o passar dos anos e a velhice diante do vídeo. “Todo mundo vai envelhecer. Não tem jeito. Mesmo que você faça procedimentos estéticos, você vai envelhecer. Para muitos, a velhice está ligada a feiura e não querem aceitar que o tempo passa”, explica a atriz, que é avó de Martim e Arto, de 14 e 7 anos, respectivamente. “Eu gosto muito de brincar. Jogo vídeo game, dominó, baralho. Mas, às vezes, preciso lembrá-los que a vovó não é criança”, brinca. 

P – Ao longo da sua carreira, você colecionou personagens sóbrias e minimalistas. Esse perfil solar e escrachado da Janice chamou a sua atenção?

R – Sim. Acho que é a minha primeira personagem popular. Mas popular não no sentido de pobreza, mas de ser uma mulher escrachada. A Janice é uma mulher que fala alto, fala o que quer. Quase uma família italiana, sabe? Na trama, a minha personagem é irmã da Janaína (Dira Paes). São mulheres batalhadoras, honestas e felizes. Me inspiro muito na Fabiula Nascimento para viver esse papel.

P – Por quê?

R – A Fabiula é uma atriz que me inspira muito. Ela faz muito bem esses personagens popularescos. Fico muito atenta ao jeito como ela interpreta. Não tenho características em comum com a Janice. É uma personagem bem diferente de mim. Eu sou mais tímida. 

P – Como foi seu processo de composição para viver a Janice?

R – No começo, eu cheguei com uma proposta de fazer uma coisa mais cinema, até porque eu vinha trabalhando muito com cinema. Mas, quando eu vi o tom da novela, repensei. É um folhetim do Jorge Fernando e eu tinha de subir o tom. É uma personagem que ri, abraça e beija muito. Como eu não sabia que a personagem seria assim, fui descobrindo a Janice aos poucos. É um papel que eu nunca fiz e isso é muito rico para o ator. Como a Janice é uma mulher muito próxima, não fiz laboratório específico. Fui mais construindo o papel com verdade.

P – Atualmente, você também está no ar na reprise de “Cordel Encantado”, do “Vale a Pena Ver de Novo”. Você costuma rever antigos trabalhos?

R – Eu vi o primeiro capítulo junto com o elenco. Nossa, que novela linda em termos de elenco, direção e história. Um trabalho incrível. Fico até arrepiada de falar. Mas eu não costumo rever antigos trabalhos. Não tenho esse sentimento de nostalgia. Tenho um quadro na minha casa, por exemplo, com matérias publicadas sobre mim esse ano. Ano passado já foi. Não tenho prazer em rever nada. Acho que são momentos que já foram.

P – Após completar 50 anos, você mudou algo na sua rotina com a beleza? 

R – A gente vai ficando mais velho e percebe que tem de se cuidar mais. Nunca pensei que ficaria passando creme no corpo, hidratando meu cabelo. Não fazia nada disso antigamente. Faço ginástica. Pouca musculação e mais dança. Filtro solar sempre, cuido muito da minha pele porque uso muita maquiagem no dia a dia. Então, é importante limpar bem a pele. Mas tem de cuidar da parte de dentro também. Também trabalho a fé em Deus, espiritualidade, meditação, alongamento e ioga. Tenho uma alimentação boa, bebo muita água e, principalmente, durmo bastante, umas nove horas por dia. Não saio muito de noite. Me poupo muito. Gosto do silêncio e de cuidar da minha voz. 

 

"Verão 90" – Globo – Segunda a sábado, às 19h30.

 
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