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O que será da inclusão social nas escolas?
É preciso que haja cada vez mais o envolvimento de diferentes segmentos, como os pais, a comunidade e o poder público
12:58   18 de Fevereiro, 2019
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Elias Januário

Diante do contexto de mudança que estamos vivenciando em nosso país, onde o grupo político que assumiu o poder federal tem posições político partidária e ideológica bem distinta do que estava atuando anteriormente, esse quadro acaba refletindo de maneira impactante nas políticas públicas educacionais voltadas para as minorias étnicas e culturais, particularmente os indígenas, quilombolas, ribeirinhos, entre outros grupos sociais de gênero, religião e raça, presentes na sociedade brasileira. 
Ao analisarmos a história da educação em todo o mundo, vamos perceber que historicamente ela tem sido voltada para as camadas mais favorecidas economicamente, ou seja, para as elites, fazendo com que as práticas educacionais também reflitam uma orientação elitista.
 Ao longo dos tempos foram ocorrendo processos gradativos de mudanças em direção a uma educação mais inclusiva, ou seja, uma educação que também possibilite a valorização e visibilidade da diversidade. Isso tem feito a educação escolar mais popular e acessível às demais classes e culturas, reconhecendo habilidades e talentos em todos os alunos independentemente de sua origem, tornando o ambiente escolar mais tolerante e democrático.
 São esses avanços conquistados no campo educacional com muita mobilização por parte dos diferentes segmentos da sociedade, que não podemos deixar retroceder a modelos e paradigmas de décadas passadas, sob pena de estarmos desconsiderando e negando toda uma caminhada de luta e articulação pelo direito à cidadania plena em nosso país. É comprovado que os valores apreendidos por uma criança ao longo de sua formação escolar básica, está intimamente relacionado ao processo de constituição de sua personalidade e de sua relação com a sociedade com a qual convive. A possibilidade de inclusão nos estabelecimentos escolares de uma política pública que reconheça a diversidade e as diferenças entre as crianças, torna parte inerente de um processo educacional que caminha em direção da autonomia e do protagonismo dos estudantes. Por outro lado, conviver com a diferença representa uma grande oportunidade de ensino-aprendizagem, onde a diversidade deve ser valorizada pela sua possibilidade em fazer o outro refletir sobre si mesmo, sobre os próprios limites e possibilidades.
 A inclusão da diversidade na educação, seja ela de gênero, etnia, religião, nacionalidade, raça, classe social, econômica, cultural ou capacidade, permite despertar o respeito mútuo, ou seja, conseguir ver além das aparências, a essência. Permite fazer nascer o apoio e o respeito mútuo, bases fundamentais para a consolidação de uma sociedade mais justa, solidária e cidadã.
 Uma educação marcada pela diversidade tem sido nas últimas décadas um valor desejável e ao mesmo tempo um desafio para o processo educacional conduzi-lo. É preciso que haja cada vez mais o envolvimento de diferentes segmentos, como os pais, a comunidade e o poder público. Só assim é possível a consolidação de um processo dessa envergadura no atual contexto de formação educacional do país. 
Não basta apenas teorizar sobre o assunto e produzir políticas públicas que não passem de letra morta nas secretarias de educação e em gabinetes. É preciso que se coloque em prática, que chame todos para a responsabilidade de fazer uma educação melhor para o futuro, para as novas gerações.
 
Elias Januário é educador, antropólogo e historiador.

 
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