Jornal MT Norte
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Câncer de próstata é uma doença silênciosa
Preconceito está entre os maiores entraves para diagnóstico
13:10   27 de Fevereiro, 2019
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No mês de fevereiro o Dia Mundial do Câncer relembra a importância de realizar os exames de prevenção, doença que está entre as principais causas de morte no mundo. Mas não apenas nesse período ou nos meses de outubro e novembro, que marcam o câncer de mama e próstata, respectivamente, o monitoramento da saúde e o diagnóstico devem ser realizados com frequência.
Dentre os mais letais, no Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens (atrás apenas do câncer de pele não melanoma). Segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), mais do que qualquer outro tipo, é considerado um câncer da terceira idade, já que cerca de 75% dos casos no mundo ocorrem a partir dos 65 anos.
A próstata é um órgão do sistema genital masculino e está sujeita a vários tipos de doenças que podem aparecer em qualquer idade, não sendo, portanto, um problema de saúde exclusivo de idosos. A função dessa estrutura consiste na produção de substâncias que participam na formação do líquido seminal e na atividade sexual.
A próstata tem uma particularidade em relação aos outros órgãos de nosso corpo: ela cresce continuamente, mesmo nas idades mais avançadas. Desse modo, todos os homens, cedo ou tarde, terão algum grau de aumento prostático. Isso se chama aumento benigno da próstata, o qual deve  ser diferenciado do câncer da próstata que é uma doença sem relação com o crescimento normal do órgão. Como quase todos os homens terão um aumento do tamanho da sua próstata ao longo da vida, o dado mais importante é o exame de detecção precoce do câncer da próstata, que visa diferenciar aqueles casos benignos da doença maligna.
O que é o câncer de próstata?
A próstata é uma glândula que só o homem possui e se localiza na parte baixa do abdômen. É um órgão pequeno, que tem a formação que lembra uma maçã e está localizada logo abaixo da bexiga e à frente do reto (parte final do intestino grosso). Há alguns tipos de câncer de próstata que podem crescer e se desenvolver, uns de maneira rápida outros bem lentamente. Muitas vezes acaba sendo identificado durante a investigação de outra doença.
Como é feito o diagnóstico? E quais são os sintomas?
Há algumas técnicas que permitem identificar a doença, como o exame de sangue, exame de toque, além de exame de imagem, especialmente ultrassonografia transretal e ressonância magnética. Nos casos iniciais o paciente não apresenta nenhum sintoma, apenas em casos avançados é possível apresentar sangue na urina, disfunção erétil, dores no quadril, costas, coxas, ombros ou outros ossos, fraqueza ou dormência nas pernas ou pés.
Outros sintomas relacionados ao aumento benigno da próstata podem mascarar a presença de um câncer, como micção frequente, fluxo urinário fraco ou interrompido e vontade frequente de urinar à noite. A doença é, portanto, silenciosa, e seus eventuais sintomas são tardios e muito pouco específicos, daí a enorme importância de visitas frequentes ao médico.
Existe tratamento?
Hoje existem diversas alternativas de tratamento. Uma avaliação minuciosa é necessária, pois as opções dependem da idade, do estado de saúde do paciente, dos efeitos colaterais possíveis e principalmente do estágio do tumor. É uma decisão que deve ser tomada em conjunto com o paciente e sua família, levando em consideração todas as nuances.
Em termos mundiais, como o Brasil está em casos de câncer de próstata?
É o tipo de câncer mais comum em homens nos Estados Unidos, país em que é a segunda maior causa de mortes masculinas por câncer, atrás somente do câncer de pulmão. Apesar do Brasil não estar na lista dos maiores incidentes, aqui esse tipo de câncer mata bastante gente e as razões estão ligadas à falta de diagnóstico precoce, pela resistência ao exame. Existem condições que podem aumentar as chances de doenças.

Fatores de risco?
•  Idade: muito raro em homens com menos de 40 anos, mas aumenta rapidamente após os 50 anos. Cerca de 60% dos diagnósticos são em homens com 65 anos;
•  Etnia: é mais frequente em homens de ascendência africana, ocorrendo um pouco menos em homens asiáticos, hispânicos/latinos, do que em brancos não hispânicos;
•  Histórico familiar: possuir parente de primeiro grau com diagnóstico de câncer de próstata mais do que duplica o risco de um homem desenvolver a doença;
•  Genes: alterações genéticas hereditárias que aumentam os riscos como a síndrome de Lynch;
•  Dieta: é sabido que dietas ricas em gorduras aumenta a probabilidade da doença;
•  Vasectomia: embora existam pesquisas em andamento, não há indícios de que a cirurgia seja relevante como causa desta doença.

 
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