Jornal MT Norte
Publicidade
         
                
Vereadores se mostram indignados diante de crise na administração
Segundo os parlamentares, município caminha para a ingovernabilidade
12:32   24 de Abril, 2019
ae95ffc46dd312fcab3d797771af7567.jpg

José Vieira do Nascimento
Editor Mato Grosso do Norte

A situação da Prefeitura de Alta Floresta, de acordo com pronunciamentos dos vereadores na sessão desta terça-feira, 23, está insustentável. Até mesmo os vereadores da base do prefeito Asiel Bezerra (MDB) desferiram críticas ao gestor, extensivas ao conjunto da administração.
Segundo os parlamentares, o caos está estabelecido e o município caminha para a ingovernabilidade se medidas urgentes e drásticas não forem adotadas por parte do prefeito, para sanar os gargalos que estão inviabilizando a administração.
Os principais problemas citados foram a falta de planejamento, de vontade e pulso firme do prefeito, fatores que estariam engessando a prefeitura.
Segundo a vereadora Elisa Gomes (PDT), a frota de ônibus escolar da prefeitura está sucateada, com 9 veículos quebrados por falta de peças, porque a prefeitura não fez a manutenção dos mesmos antes do início das aulas.  
O vereador Charles Miranda (PSD) disse que está desmotivado, se referindo a respeito da questão envolvendo os médicos que prestam serviço para a prefeitura, através de contratos, e também profissionais que são médicos concursados do município. 
Conforme ele, o projeto que reajusta a verba indenizatória dos médicos, que está em tramitação na Câmara Municipal, precisaria ser votado em regime de urgência. Porém, para que isto fosse possível, seria necessário que a prefeitura enviasse um oficio para a Câmara, mudando de tramitação em ordinária para regime de urgência.
Mas, segundo o vereador, a informação do jurídico da prefeitura é que há uma ordem expressa do prefeito para o projeto tramitar em regime normal.
“Não sei se o prefeito está esperando que os vereadores reprovem o projeto, mas foi feito um acordo de aperto de mão, que este projeto seria para complementar o valor da verba de R$ 7 para 9 mil. E o prefeito terá que cumprir. Espero que o projeto seja votado na próxima terça-feira”, disse Charles.
Segundo o vereador, a situação na saúde do município tende a se agravar porque o contrato dos médicos que atendem nas unidades de saúde do município, termina no final de abril. “A folha de pagamento está em 74% e a prefeitura não pode fazer concurso e nem renovar os contratos porque não dá para fazer. O município só tem três médicos concursados”, observa, expondo o risco de a população ficar sem atendimento nas unidades de saúde. 
O vereador Dida Pires (PPS) afirmou que o prefeito não tem vontade de resolver os problemas da prefeitura, principalmente porque a Câmara dá aval para as ações erradas que estão acontecendo.
“A gestão não tem competência, não tem credibilidade e não quer resolver. E não há perspectivas de mudanças, porque fazem as coisas erradas e as contas chegam aqui na Câmara e são aprovadas. Eles vão continuar fazendo porque sabem que chega e é aprovado. Eu aconselho o prefeito a sair de licença novamente e deixar a vice-prefeita assumir”, disse, acrescentando que Administração não respeita o Legislativo, pois se nega a responder os requerimentos dos vereadores, que cobram informações.

O vereador assegurou que irá revogar a lei aprovada pela Câmara em 2017, que reduziu o salários dos funcionários da secretaria de Obras para um salário mínimo. “A administração garantiu que iria resolver, mas até agora a lei só aumentou os problemas. O secretário de Obras diz que não tem mão de obra para atender as ações. Por outro lado, os profissionais de máquinas pesadas recebem R$ 5 mil nas outras prefeituras e nas empresas e não irão trabalhar por um salário mínimo”, observou.

Para o vereador Mequiel Zacarias (PT), a administração municipal se exauriu. E o prefeito, que se mostra inerte diante de tantos problemas, não quer resolver as questões que estão inviabilizando a administração. 
Mequiel acentua que a situação chegou ao ponto de o secretário de Obras pedir para a Câmara interferir para resolver o problema da lei que limita o valor do salários dos servidores da Obras. “Secretário é cargo de confiança do prefeito e ele pediu para a Câmara resolver. Mas ele teria que ter pulso para resolver e este seria seu papel, já que o prefeito não quer tomar as decisões”, acentua.
Segundo, o petista, apesar do índice de folha da prefeitura está estourado, as secretarias continuam contratando.
O presidente da Câmara de Alta Floresta, Emerson Machado (MDB), afirmou que a Câmara aprovou a lei que limitou os salários dos servidores das secretarias de Obras, porque o executivo garantiu que iria resolver os problemas. No entanto, ressalta que até agora, não foi resolvido.
Desta forma, o vereador garantiu que irá procurar o ministério Público para tentar encontrar uma solução para este problema. “Não adianta a Câmara aprovar uma lei e depois ela ser anulada. Tem que haver um diálogo entre a Câmara, Ministério Público e Executivo Municipal para o problema ser resolvido”, disse.
Para ele, a prefeitura teria que fazer uma reforma para reduzir o índice da folha de salários. O parlamentar reitera que falta planejamento e organização da prefeitura, no entanto, questiona se a culpa desta situação é apenas do prefeito. “Será que o prefeito é o único responsável? Os secretários e cargos de confiança estão ajudando?”, Questiona. “Os secretários e assessores são para orientar o prefeito, quando ele necessitar”, completa.
Emerson acentua que o problema de Alta Floresta se agrava pela questão do orçamento. Para ele, é necessário que seja adequado o Código Tributário e a Planta Genérica do município. “Os outros municípios fizeram isto e Alta Floresta não consegue. A população tem que se conscientizar da necessidade de pagar mais um pouco de IPTU, principalmente os grandes empresários que tem muitos imóveis”, frisa.
Por outro lado, o presidente questiona o fato da prefeitura fazer licitações de R$ 900 mil para comprar madeira, R$ 7 milhões para comprar pedras e não ter R$300 mil para recuperar a frotas de maquinários e ônibus que estão sucateadas.  

 
COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte