Jornal MT Norte
Publicidade
         
                
CINCO PERGUNTAS: De pés fincados
No ar em “O Sétimo Guardião”, Paulo Rocha fala sobre carreira e amor pelo Brasil
13:14   10 de Maio, 2019
dafdf5537bdd71b6059df6a36931af9b.jpg
Foto: LEO AVERSA/DIVULGAÇÃO

POR LUANA BORGES
TV PRESS

Já faz algum tempo que Paulo Rocha se sente completamente em casa no Brasil. Motivos para isso não faltam. Afinal, desde que se mudou de Portugal, onde nasceu, para cá, o ator tem engatado um trabalho atrás do outro. Começou em “Fina Estampa”, de 2011, e acumulou personagens em produções como “Guerra dos Sexos”, “Império” e “Totalmente Demais”. Além disso, estabeleceu laços afetivos importantes: fez amigos e se tornou pai. Por isso, voltar para Portugal, só se for a passeio. “Tenho uma vida muito intensa aqui. A minha família, minha esposa, meu filho recém-nascido, um trabalho em que sou reconhecido, um grupo de amigos de que gosto muito...”, justifica o intérprete de José Aranha em “O Sétimo Guardião”.
Na trama assinada por Aguinaldo Silva, Paulo preferiu seguir por um caminho de observação na hora de criar seu personagem. Reuniu traços de algumas pessoas que conheceu e investiu na personalidade de José Aranha. “Eu fui mais no processo das relações humanas que permeiam esse personagem em todos os níveis, dos guardiães, das relações familiares e das relações com seus pacientes”, conta. Nas ruas, o ator se diverte com a repercussão de seu trabalho e percebe como os comentários mudam com o decorrer da história. “No início, reclamavam que ele era muito benevolente com a mãe. Agora já escuto pessoas falando que ele finalmente está se revoltando. Acho interessante que tem esses questionamentos”, anima-se.
P – O que mais tem chamado a sua atenção em relação ao José Aranha, seu personagem em “O Sétimo Guardião”?
R – O que tem mais me chamado atenção no Aranha é a construção dele, muito humana, muito real. Essa vertente dele está muito bem desenhada, muito próxima da realidade. Isso, para mim, é o desafio mais interessante. Ele tem uma mãe que é difícil, mas que ele adora e, ao mesmo tempo, está reconhecendo que ela é uma mulher difícil. Ainda assim, continua a amando. Tem a mulher que ele ama e tem essas condicionantes todas. Eu acho que o fato de ser um personagem bastante humano, que não é baseado em conceitos, mas é mais baseado na totalidade da humanidade, com seus erros, com as suas falhas, com os seus acertos. É sempre muito bom poder exercitar humanidade no personagem.
P – Você estreou nas novelas no Brasil em uma trama de Aguinaldo Silva, “Fina Estampa”. Esta é a terceira novela do autor cujo elenco você faz parte. As experiências anteriores facilitam seu trabalho de agora?
R – Eu acredito que, quando a gente consegue ter a sorte e o privilégio de trabalhar com um autor da qualidade do Aguinaldo, vai reconhecendo e se adaptando ao seu estilo mais instigador, mais provocativo, o olhar humano para a sociedade. As obras dele têm algumas marcas, uma assinatura própria. É bem legal.
P – Quando você fez “Fina Estampa”, imaginava ou tinha planos de se estabelecer no Brasil?
R – Na verdade, quando eu vim fazer “Fina Estampa”, era tudo muito novo para mim, era uma primeira experiência. Confesso que não tinha nem pensado muito bem para além do próprio trabalho, vim concentrado em fazer o trabalho, chegar em um lugar novo, tentar fazer um personagem e retribuir a confiança depositada em mim pelo autor. Mas eu não vim com essa imagem e meta de projetos a longo prazo para além de “Fina Estampa”.
P – Em algum momento sentiu receio de ficar marcado como “o ator português”?
R – Receio não, até porque seria mais do que normal, sendo eu português, que ficasse inicialmente de alguma forma, cadastrado, impresso na memória das pessoas como ator português. Mas o desenvolvimento do trabalho com a fonoaudiologia é justamente para buscar uma possibilidade maior de personagens.
P – Você ainda frequenta sessões de fonoaudiologia para amenizar o sotaque?
R – A minha fonoaudióloga, que é uma pessoa muito querida, a Leila Mendes, foi completamente fundamental e imprescindível e ainda é até hoje, não só como fonoaudióloga, mas como uma amiga, como uma pessoa que me ajuda de alguma forma também a me iluminar um pouco nos meus personagens. Eu continuo fazendo esse trabalho, prestando essa atenção para tentar fazer sempre o mais próximo possível do que seria um sotaque neutro, não o sotaque característico carioca ou paulista. É um divertimento, um desafio constante, bem legal.

“O Sétimo Guardião” – Globo – De segunda a sábado, às 21h20.

 
COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte