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Exoneração de secretária agrava crise na saúde
Roberta Cordeiro é a quarta secretária que passa pela secretaria de Saúde de Alta Floresta
21:26   15 de Maio, 2019
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José Vieira do Nascimento
Editor Mato Grosso do Norte

A exoneração da secretária de Saúde de Alta Floresta, Roberta Cordeiro, repercutiu na Câmara Municipal nesta terça-feira, 14, e até mesmo vereadores aliados do prefeito criticaram, a decisão do executivo municipal, que não comunicou os parlamentares de sua base sobre a mudança. Na manhã de segunda-feira, Marcelo Costa, que era secretário em Paranaíta, assumiu a titularidade da secretaria de Saúde de Alta Floresta.
Na opinião de boa parte dos vereadores, a secretária Roberta vinha realizando um bom trabalho na secretaria de Saúde e não tinha culpa pela crise que está na pasta desde o início da administração.  Marcelo é o quinto secretário de saúde do município de Alta Floresta no segundo mandato do prefeito Asiel Bezerra.
“A secretária Roberta vinha fazendo um ótimo trabalho, se esforçando para fazer o melhor e não tinha culpa dos problemas existentes. Prestou um grande trabalho. O problema da saúde de Alta Floresta não será resolvido com a troca de secretário. O que falta é a administração tratar a saúde com prioridade. Trazer um secretário de fora, que não conhece a realidade de Alta Floresta, não vai resolver”, observou a vereadora Elisa Gomes (PDT).
Segundo a vereadora, a falta de remédios nas farmácia Básicas é porque a prefeitura não paga os fornecedores. “A saúde tem um orçamento de R$ 27 milhões e falta até o básico para a população”, disse.
O vereador Mequiel Zacarias (PT) afirma que já conta com 4 assinaturas favoráveis a um Requerimento para a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a secretaria de Saúde e afastar o prefeito municipal. Para a apresentação do Requerimento, seriam necessários 5 assinaturas. Além dele próprio, assinariam o documento os vereadores Demilson Siqueira(PSDB), Dida Pires (Cidadania) e Elisa Gomes.
Segundo ele, o município de Alta Floresta perde um volume de recursos de R$ 1 milhão 180 mil por ano na saúde, devido a falta de equipes nas unidades de Saúde, nos Centros de Atenção Psicossocial (CAPS) e no Núcleo de Apoio à Saúde da Famílias (NASF).
“Temos que abrir uma CPI para investigar a Saúde, porque o prefeito não faz gestão e os problemas não se resolvem.
Requerimento - Na sessão foi aprovado um Requerimento de autoria da vereadora Elisa Gomes, para criar uma auditoria na secretária de Saúde. Segundo a vereadora, apesar do orçamento de R$ 27 milhões e da folha da pasta está inchada, faltam servidores em 5 unidades de saúde. Segundo ela, o município perde R$ 33 mil por mês no CAPS, R$ 20 mil no NASF e R$ 118 mil por causa da falta de equipe nas unidades de saúde. 
O recurso foi cortado, segundo ela,  porque uma equipe do governo Federal fez uma vistoria em Unidades de Saúde do município e constatou que o funcionamento não era adequado, por falta de equipe.

Roberta Cordeiro é a quarta secretária que passa pela secretaria de Saúde de Alta Floresta

Novo secretário - Ligado ao deputado Romoaldo Júnior (MDB) o novo secretário de Saúde de Alta Floresta, Marcelo Costa, é um velho conhecido no meio político da região. Foi diretor do Hospital Regional de Alta Floresta, na gestão de Pedro Taques e em menos de um ano foi convidado a deixar o cargo.
Foi levado para Paranaíta para ocupar a secretária de Saúde do município. Neste período, a prefeitura de Paranaíta lançou as obras de ampliação e reforma do hospital municipal de Paranaíta, num valor de R$ 2.809.846,06, milhões. Após mais de 2 anos, o Tribunal de Contas do Estado (TCE) fez uma vistoria na obra e encontrou mais de 41 irregularidades.  
À época, equipe de fiscalização do TCE identificou, entre os vários problemas estruturais da obra, a existência de goteiras no telhado recém-trocado, rachaduras no piso granilite, falta de acabamento nas instalações de pias e bancadas de granito, instalações elétricas e hidráulicas fora dos padrões técnicos e de lugares definidos nos projetos, falta de acessibilidade a portadores de necessidades especiais, serviços não executados e pagos ou executados de forma apenas parcial. Na época, o TCE impediu a prefeitura de continuar pagando a empreiteira CMM Construtora e Incorporadora Ltda-EPP, responsável pelas obras. 
Este ano, Marcelo foi indicado novamente por Romoaldo Júnior para o cargo de diretor do hospital regional. Chegou a ficar no cargo por um dia, mas veio uma ordem de Cuiabá, suspendendo sua indicação. 

 
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