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Fôlego de sobra
Protagonista de “Sob Pressão”, Julio Andrade exalta nova temporada e se recusa a acreditar no fim da série
13:26   24 de Maio, 2019
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POR GERALDO BESSA
TV PRESS

Se somar o filme original, de 2016, e as três temporadas de “Sob Pressão”, o controverso médico Evandro é o personagem mais recorrente da carreira de Julio Andrade. Sem disponibilidade e paciência para novelas e com a urgência de sempre contar uma nova história, o ator se deixa seduzir pela série médica da Globo justamente pelas transformações que o papel sofre a cada nova aparição. “É um personagem que cresce em meio a muitas adversidades. Evandro tem muitos problemas internos e acaba se anulando um pouco por conta de seu compromisso profissional em ajudar o próximo. A nova temporada representa um recomeço. Ele pode seguir por um novo caminho ou consertar os erros do passado”, analisa o ator, ainda descrente sobre a decisão da Globo em botar um ponto final na história. “Acho que a série ainda tem muito o que falar. Porém, se for mesmo o fim, a gente encerra o projeto com chave de ouro”, valoriza.
Gaúcho de Porto Alegre, a estreia de Julio na tevê foi com uma pequena participação em “Luna Caliente”, minissérie de 1999 coproduzida pela Globo com a Casa de Cinema de Porto Alegre. Nos anos seguintes, o ator caiu nas graças de cineastas como Beto Brant, Suzana Amaral e Breno Silveira. Por conta dos filmes, chamou a atenção de diretores e autores de tevê, e acabou convidado para produções como “Passione”, “Doce de Mãe” e “O Rebu”. Atualmente, aos 42 anos, além de viver o papel principal de “Sob Pressão”, Julio também protagoniza a frenética “1 Contra Todos”, série do canal pago Fox. “Estou feliz por estreitar os laços com a televisão. Ainda sou muito ligado ao método de cinema. Então, a tevê me leva a uma desconstrução como ator”, ressalta.
P - A Globo definiu que a terceira temporada de “Sob Pressão” será a última. Como você recebeu essa informação?
R - Eu ainda não processei. Na verdade, ainda acredito que a série possa ter uma sobrevida (risos). Temos boa audiência, apelo popular e acredito que muita qualidade técnica da produção. Fazemos uma série médica bem peculiar, extremamente brasileira e que se propõe a ter um elo com a realidade. Já fizemos episódios e vimos uma história semelhante acontecer de fato meses depois. A série representou um avanço muito grande em mim. Não só como ator, mas como pessoa também.
P - Em que sentido?
R - Representa minha maturidade profissional e minha aproximação real com a televisão. “Sob Pressão” aborda questões muito importantes para a atualidade. A série levanta mesmo a bandeira da diversidade e de problemas que são esfregados na nossa cara todos os dias nos telejornais, como a corrupção estrutural, a violência contra minorias, o machismo, a falta de poder do Estado e ascensão das milícias, que é um dos motes da nova temporada. Me dá um orgulho enorme fazer parte de uma produção do tipo.
P - Depois de perder a esposa na primeira temporada e reforçar a relação com a Carolina (Marjorie Estiano) no segundo ano da série, quais as motivações do Evandro nos novos episódios?
R - Essa riqueza no desenvolvimento dos personagens é outro ponto muito forte de “Sob Pressão”. O Evandro e a Carolina terão outros problemas ao longo da terceira temporada. Ao mesmo tempo em que eles querem se comprometer ainda mais um com o outro, inclusive com a possibilidade de ter um filho, surgem elementos que vão criar um natural afastamento entre eles.
P - Além de atuar, essa temporada também marca sua estreia na equipe de direção da série. Como isso aconteceu?
R - Não foi algo premeditado. O dia a dia no “set” de gravação acabou me levando por esse caminho. Sou muito “rato” do cinema. Como moro em São Paulo e a série é gravada no Rio de Janeiro, mesmo quando não tinha cena para fazer eu ia para as gravações. Amo o que faço e respiro esse universo. Aí, um belo dia, o Andrucha (Waddington, diretor) me viu acompanhando a cena e me presenteou com uma câmera para fazer cenas mais fechadas. Foi uma experiência maravilhosa e espero que as cenas tenham ficado muito legais.
P - É um caminho que você pretende explorar mais a partir de agora?
R - Sim. Acho que só faltava esse “empurrão”. Dirigir é algo que está em mim desde a infância. Meu pai alugava câmeras para registrar momentos importante em festividades e eu sempre dava um jeito de ser o responsável pelas filmagens. Tenho imagens da minha família toda de muito tempo atrás. Dirigir é algo que já estava em mim, mas também não queria forçar a barra. Agora, pretendo estudar para poder aprimorar essa outra faceta.

“Sob Pressão” - Globo - Quintas, às 22h30.

 
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