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PERFIL:Rei da década
No ar em “Verão 90”, Humberto Martins evita saudosismo ao relembrar início da carreira
12:07   27 de Maio, 2019
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por Geraldo Bessa/TV Press

Fotos: Divulgação/TV Globo 

                Ler o texto de “Verão 90” é como uma volta no tempo para Humberto Martins. Mesmo sem grandes doses de saudosismo, o ator sabe que foi ao longo da fatídica década que ele caiu no gosto do público e vivenciou o auge de sua carreira, não exatamente pelo talento. Na pele de homens rústicos e sedutores, papel que viveu em sucessos como “Barriga de Aluguel” e “Mulheres de Areia” e “Corpo Dourado”, Martins tornou-se um símbolo sexual. A ponto de personificar a figura dos “descamisados”, muito comum nas tramas assinadas por Carlos Lombardi, caso de “Quatro por Quatro” e “Vira-Lata”. “Não parava de trabalhar. Saia de uma novela e já estava envolvido com outra. Eu queria atuar, ganhar dinheiro e repertório. Então, não ficava analisando muito os papéis. O tempo me fez começar a pensar melhor na carreira. Mas tudo o que conquistei na vida, devo a esse momento inicial da minha trajetória”, avalia. Um dos reis do horário das sete, o ator acredita que a atual novela das 19h chega para recolocar o humor em evidência na faixa. Entretanto, de uma forma atualizada e de olho no politicamente correto. “A tevê era muito mais livre. Acho que muitas cenas que fiz ao longo dos anos 1990 chocariam os telespectadores de hoje. Tudo é levado muito a sério”, ironiza.

Em “Verão 90”, o ator interpreta um tipo que conhece bem de perto. Herculano fez fama e fortuna ao protagonizar inúmeros títulos da pornochanchada, gênero cinematográfico fez sucesso no Brasil entre os anos 1970 e 1980 ao misturar comédia popular e nudez gratuita. Décadas depois, com aspirações a intelectual, mas falido, tudo o que o personagem quer é esquecer os filmes que fez sob o pseudônimo de Hércules Gatão. “Herculano é um sobrevivente da arte. Em tantos anos de tevê, conheci muitos atores e diretores que ficaram famosos por conta das pornochanchadas, mas têm um pouco de vergonha dos filmes. Isso é uma grande besteira. É impossível apagar o passado. Melhor é conviver bem com as lembranças”, filosofa o ator. Em cena, Martins divide os holofotes com outro grande símbolo da década homenageada: Claudia Raia. Embora tenham contracenado muito pouco ao longo dos anos, o ator garante que a sintonia nos estúdios foi instantânea. “As cenas dos dois são divertidíssimas. A personagem da Claudia faz de tudo para voltar a ser uma celebridade e o Herculano quer fugir dessa confusão”, explica.

Entre o discos de vinil, telefones fixos, walkmans e outros acessórios que ditaram modas e costumes nos anos 1990, o ator afirma que é fácil entrar no estúdio e se transpor para o período. “É incrível. Parece que estou em um cenário de 'Quatro por Quatro'“, brinca. Depois de diversos personagens recentes mais sisudos e dramáticos, casos do Virgílio de “Em Família” e do Eurico de “A Força do Querer”, o ator já planejava retomar seu lado cômico quando foi convidado por Jorge Fernando para a atual novela das sete. “Saio do estúdio mais leve quando estou fazendo comédia e isso se reflete no meu cotidiano também”, conta. Embora seja assíduo nas redes sociais e se comunique com diversos fãs pelo Instagram, Martins sente falta da época em que o assédio do público e da imprensa não vinham acompanhados de smartphones e outros “gadgets” eletrônicos. “É impressionante. Quem tem vida público atualmente é filmado e fotografado em todos os lugares e momentos. Antes, a gente ficava mais atento apenas aos paparazzi. Hoje é câmera de tudo quanto é lado”, ressalta, entre risos.

Fluminense do município de Nova Iguaçu, Martins apareceu pela primeira vez na tevê fazendo figuração em “Carmem”, da extinta Manchete. Mesmo com todo o sucesso ao longo dos anos 1990, ele começou a se incomodar com a repetição de tipos e a pouca oferta para personagens com mais complexidades. “Na minha cabeça, eu iria ficar velho e as pessoas iriam passar da admiração para o sentimento de pena”, conta, aos risos. Em meados dos anos 2000, após alguns convites recusados e uma estratégica renovação de contrato, Martins conseguiu enfim variar por outros estilos de trabalhos e personagens, como o vilão Neco, de “O Astro” e o solitário Nacib do “remake” de “Gabriela”. “Tive de tomar as rédeas da situação. Ou a Globo me dava papéis diferentes ou eu iria procurar outros rumos. Por sorte, chegamos a um ponto em comum. Estou muito satisfeito com a trajetória que venho construindo”, destaca o ator de 58 anos.

 

Nudez nada castigada

 

Humberto Martins é do tipo que não se esquiva de perguntas. Ao falar sobre o passado, o ator se mostra bem-humorado ao relembrar os ensaios sensuais que fez para revistas femininas. A primeira incursão do ator pela nudez foi no final dos anos 1990, onde posou para as páginas da extinta “Íntima”. Na negociação para o trabalho, Martins teve total autonomia para escolher o estilo das fotos e escrever o texto de apresentação. “Adoro velejar e quis que o tema do ensaio fosse uma das minhas aventuras em alto-mar. Ainda tenho meu barco e realmente fico nu quando saio nele. Foi um ensaio com conceito”, diverte-se.

Sem arrependimentos, o ator voltou a tirar a roupa empolgado com a boa repercussão do sucesso “Uga-Uga”, de 2000. No ensaio para a revista “Íntima e Pessoal”, ele fez referências a Baldochi, seu personagem na trama de Carlos Lombardi. “Baldochi passava a viver como um índio ao longo da trama e essa foi a minha inspiração. Acho as fotos lindas. Eu realmente estava me sentindo muito bem com meu corpo na época”, assume.

 

Instantâneas

# Depois de outros trabalhos como figurante, Humberto Martins teve seu primeiro personagem fixo em novelas em “Sexo dos Anjos”, comédia de 1989.

# Cristiana Oliveira foi a atriz que mais contracenou com Martins ao longo dos anos. Foram quatro novelas e uma série.

# Depois de muitos anos afastado, o ator voltou aos cinemas em 2016 com o “thriller” de ação “Reza a Lenda”.

# Depois de ameaçar deixar o elenco de “Verão 90” alegando problemas de saúde, Martins voltou atrás e segue até o final da trama.

 
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