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Operação Sanguessuga | Ônibus odontológico vira sucata em Alta Floresta sem nunca ter sido usado
Veículo foi comprado em 2004 na administração do ex-prefeito Romoaldo e diversas irregularidades foram detectadas
13:16   31 de Maio, 2019
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Reportagem
Mato Grosso do Norte

Um caso emblemático de desvio e desperdício de dinheiro patrocinados por políticos de Alta Floresta, apesar de ter se passado quase duas décadas, continua impune e sem ressarcimento ao erário público. 
Mas a prova do crime é um ônibus odontológico que apodrece no pátio da secretária de Obras da prefeitura de Alta Floresta. O crime remonta ao ano de 2004, quando a prefeitura de Alta Floresta comprou uma Unidade Móvel de Saúde (ônibus odontológico) pelo valor de R$ 112.450,00, adquirida na então administração do ex-prefeito e agora deputado, Romoaldo Aloisio Borazynski Júnior, que foi adquirida de Célia Maria Revisan Vedoin, Luiz Antonio Trevisan Vedoin, Paulo José Sampaio Bastos, Planam Indústria, Comércio e Representaçao Ltada, Ronildo Pereira e Unisau Comércio e Indústria ltada. 
Após 15 anos, a unidade de saúde está parada na Secretaria de Infraestrutura de Alta Floresta, sem nunca ter atendido nenhum paciente. O ônibus é equipado com duas cadeiras odontológica, aparelhos para esterilização, mesas, armários, pias entre outros equipamentos, abandonados e estragados com o tempo.
Equipamentos que poderiam estar atendendo as comunidades rurais do município, há comunidades que ficam a mais de 100 quilômetros do núcleo urbano de Alta Floresta, mas os representantes políticos não pensaram na população que necessita do atendimento.
Esta unidade de saúde foi alvo da operação Sanguessuga, desencadeada pela Polícia Federal, que detectou várias irregularidades na aquisição desta Unidade Móvel de Saúde (ônibus odontológico). Em Mato Grosso, muitas prefeituras foram envolvidas no escândalos, assim como Alta Floresta. 
15 anos depois da ação judicial, ainda não houve um veredito. Mas agora é tarde, restou apenas o ônus à população já que o ônibus odontológico virou sucata. E resta apenas a esperança de que a justiça possa punir os culpados, mesmo que seja 15 anos depois.

Entre as irregularidades encontradas e a principal que causou a apreensão do ônibus foi a não apresentação do certificado de registro e licenciamento de veículo (CRLV), o que resultou na ausência de transferência de propriedade do veículo para a prefeitura municipal. 

As auditorias realizadas observaram a existência de um veículo, que foi vistoriado. Porém o que se verificou é que faltavam equipamentos constantes do plano de trabalho, não tendo sido localizados, por exemplo, 2 frigobares na unidade móvel.
Houve divergência entre o veículo vistoriado e a descrição contida na nota fiscal emitida pela Unisau, tais como um sugador, uma seringa tríplice e uma caneta de alta rotação e outra de baixa rotação, termômetro, aparelho de pressão, estetoscópio e uma caixa d'água de 150 litros. 
Outras inconsistências também foram verificadas e impediram o estabelecimento do nexo de causalidade, como a diferença de características do veículo vistoriado (marca e ano de fabricação) e a nota fiscal e a proposta apresentada durante a licitação pela empresa fornecedora do veículo. 
Também se destaca que as fiscalizações efetuadas pelo FNS [Fundação Nacional de Saúde] e pela CGU concluíram que a unidade móvel apresentada não se encontrava em uso, ou seja, o convênio não cumpriu a sua finalidade. 

 
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