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Volta às origens
Matheus Nachtergaele se anima com papel de político corrupto, porém cômico, em “Cine Holliúdy”
13:05   31 de Maio, 2019
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POR LUANA BORGES
TV PRESS

A versatilidade de Matheus Nachtergaele permite que o ator viva todo tipo de personagem. Mas são os de humor nordestino que mais criam uma identificação com o público. Pelo menos, tem sido assim desde que ele estreou na televisão, quando viveu Cintura Fina, na minissérie “Hilda Furacão”. E essa relação se firmou ainda mais depois que Matheus protagonizou “O Auto da Compadecida”, que também foi parar nos cinemas, veículo em que o ator mais se aventura e se sente confortável. Agora, ele volta a encontrar o perfil de papel que tanto domina na pele do Prefeito Olegário, em “Cine Holliúdy”. “Provavelmente, me chamaram pela minha experiência com filmes e séries nordestinas ou talvez pela saudade que as pessoas estavam de me ver fazer uma comédia nordestina”, imagina.
Na história, Matheus incorpora um típico político corrupto. Mas, apesar disso, o personagem tem o seu carisma. “Olegário reúne de maneira divertida todos os cacoetes, os mais antigos e mais modernos dos políticos corruptos do Brasil. Ele é vaidoso, é ignorante, pode ser violento, é deslumbrado, metido, egoísta e preguiçoso”, descreve. Mas é o amor por Maria do Socorro, de Heloísa Perissé, que pode redimi-lo. “É muito bonito, vai fazer a gente pensar, mas é para divertir. Não é para esquentar a cabeça não, é para rir. Essa série foi feita para a família inteira gargalhar”, conta
P – Como surgiu o convite para fazer esse prefeito corrupto em “Cine Holliúdy”?
R – Eu conheço o Halder Gomes (diretor) há muitos e muitos anos. Ele é uma pessoa muito sociável, interessada e gentil. Além de ser um cara que, com recursos pequenos, acabou tornando o filme “Cine Holliúdy” um sucesso. Quando surgiu a ideia de transformar o “Cine Holliúdy” em uma série na Globo, a equipe de criação da série optou por alguns nomes da comédia, mas que pudessem completar o elenco cearense e criar um núcleo antagonista, que é o núcleo original dos filmes. 
P – Como é atuar com essa nova geração de atores, como a Letícia Colin?
R – É uma delícia. A Letícia é namorada de um grande amigo meu, Michel Melamed, que eu conheço há milhões de anos. Então, ela meio que entrou na minha vida afetiva também. Mas o grande encanto desse trabalho é que se formou um grupo de amigos queridos, as pessoas se adoram. A gente passou três meses fazendo a série. Mas, na história, eu e a Letícia somos inimigos.
P – Você conseguiu consolidar seu nome como ator. Como você avalia sua trajetória até aqui?
R – Eu estou sobrevivendo muito bem, num Brasil cada vez mais difícil também nas artes. Mas a coisa que mais me enche de orgulho é ter conseguido escapar da trama capitalista do trabalho de carteira assinada. Eu consigo sobreviver há muito tempo fazendo o que eu realmente amo. Minha arte, meu artesanato, o teatro, o cinema e na televisão com bastante êxito em geral, desde o princípio com o Cintura Fina, o João Grilo, o Padre Miguel, o Pai Elinho, o Carreirinha e personagens que foram morar no coração das pessoas. No cinema, eu me dividi entre filmes de maior bilheteria, como “Central de Brasil”, “Cidade de Deus”, “Tapete Vermelho”, “Serra Pelada”, e filmes muito experimentais.
P – Inclusive, “Central do Brasil” foi indicado ao Oscar...
R – Isso, mas eu vou confessar que eu desprezo o Oscar. Eu estive em muitos filmes que foram para o Oscar ou que foram indicados. Dizem que eu sou pé quente, mas eu tenho desprezo por essa festa da indústria norte-americana, que nos invadiu. Eu acho que a gente é bem mais que isso. Claro que eu fico feliz quando a gente participa de um festival desses. Se a gente ganha o prêmio, é lindo. Mas a gente ganha prêmios maravilhosos em outros festivais. Tem Cannes, Rotterdam e Berlim, que são festivais maravilhosos, mas não fazem muito barulho na grande mídia. E também tem os festivais daqui, que são geniais, tem Brasília, tem o festival do Rio, tem Gramado, o do Ceará, o festival de Vitória, que está com muitos anos de vida...
P – “Cine Holliúdy” estreou primeiro no Globoplay e só depois na Globo. Como enxerga essa nova era do “streaming”?
R – Eu sou analógico, sou do tipo que escrevia cartas. Quando eu morei na Europa - quando eu era novo, morei um ano na França –, eu era muito amigo da minha avó, que morreu há pouco tempo e a gente se escrevia cartas. Eu sou desse tempo em que não tinha e-mail. Mas eu vejo com bons olhos, é uma novidade para mim. Eu acho que a internet pode ser um veículo lindo de transmissão de coisas lindas. E quando mal-usada, vira um veículo para tocar terror nas pessoas e para afastar umas das outras. O próprio afeto está modificado. Agora do ponto de vista de um ator, a atuação é um artesanato feito com o corpo. Então, do meu ponto de vista, ser analógico é bom.

“Cine Holliúdy” - Globo – Terças, às 22h30.

 
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