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Mais da metade da produção de leite se concentra em 40 municípios
Representa ainda a principal atividade para 5,8 mil propriedades organizadas no sistema cooperativo, responsáveis por 30% de sua industrialização
13:43   01 de Julho, 2019
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Jairo Sant'Ana 
Secom-MT 

Liderados por Terra Nova do Norte, 40 municípios respondem por quase 60% da produção de leite em Mato Grosso, segundo dados da Pesquisa Pecuária 2017, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Deste total, boa parte está na área de abrangência de três das maiores cooperativas do setor.
O leite é a principal atividade para 5,8 mil propriedades organizadas no sistema cooperativo, responsável por 30% de sua industrialização no Estado.

No entanto, segundo Diagnóstico da Cadeia do Leite de Mato Grosso, elaborado pelo Sistema OCB e Senar em 2012, cerca de 90% destes cooperados convivem com fatores limitantes ao crescimento de sua produção (considerada ínfima, se comparada aos maiores produtores nacionais), como baixa produtividade, má qualidade e sazonalidade na retirada, resultado da falta de profissionalização, gerenciamento e carência de assistência técnica.

Apesar destas dificuldades, a atividade leiteira é vista como excelente oportunidade. É o que pensam Mauro Machado Vieira, analista de Desenvolvimento do Sistema OCB Mato Grosso, e Orlando de Oliveira Junior, analista de Transferência de Tecnologia da Embrapa.
Leite a pasto - Para Mauro Vieira, da OCB, o problema é que a maioria ainda produz menos de 100 litros diários. Segundo ele, a proposta do programa Leite a pasto, desenvolvido para o micro e pequeno produtor, é contribuir para alterar esta realidade.
 “Uma das características do programa é o produtor usar o que tem, especialmente intensificar o uso da pastagem, já que pasto volumoso é o alimento mais barato na composição da dieta da vaca. E como temos riqueza de pastagem no Brasil, nada mais racional do que aproveitarmos estes recursos da melhor maneira”, afirma.
Entre os pontos vitais do Leite a pasto estão a localização e distribuição da água, divisão de pastagens, sombreamento, reservas estratégicas de alimentos para os períodos antes e durante a seca, adoção de calendário zoo sanitário e preservação ambiental.
É importante, diz Mauro Vieira, a análise, correção e conservação do solo, adubação, escolha da forrageira, melhoramento genético, irrigação em épocas estratégicas e adoção de um programa de gerenciamento.
“No início do programa, muitos não conhecem o potencial de sua propriedade e de seus animais. Porém, durante o desenvolvimento do programa começam a descobri-las e ficam admirados por não saber o que sua propriedade lhes propiciava. Temos exemplos de produtores que chegam a dizer ‘hoje uso apenas 25% de minha área”. 
O analista da OCB Mato Grosso explica que o programa começou a ser desenvolvido em 2014, envolvendo três grandes cooperativas – Coopnoroeste (Araputanga), Coopernova (Terra Nova do Norte) e Campileite (Campinápolis) e, atualmente, Coopropan (Juína) e Cooperprata (Brasnorte).   
“Atua em mais de 30 municípios mato-grossenses, com cerca de 3.200 famílias organizadas no modelo cooperativista. Os indicadores desejados, ao final do programa, são elevar a média geral de 150 litros para 300 litros dia por propriedade, redução da sazonalidade na produção, atualmente em 60% (o que impede os laticínios de trabalharem com sua capacidade máxima) e adequação da qualidade de acordo com as normas do Ministério da Agricultura Pecuária e Abastecimento (Mapa)”.

 
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