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Ano Internacional da Tabela Periódica
O Brasil precisa acreditar na educação e tratá-la com a seriedade que merece
13:47   03 de Julho, 2019
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A Assembleia Geral das Nações Unidas, estabeleceu 2019 como o Ano Internacional da Tabela Periódica dos Elementos Químicos. Tal escolha ocorreu devido ao trabalho publicado a 150 anos atrás, pelo cientista russo Dmitri Mendeleev, que apresentou o sistema atual de organização dos elementos químicos. 
A química é uma ciência básica fundamental para a sociedade moderna. O estudo dos elementos químicos permitiu avanços em diversas áreas desde a geologia, a medicina, energia, entre muitas outras. Hoje não teríamos, por exemplo, baterias nos celulares sem que conhecêssemos os elementos químicos. Também teríamos dificuldades para produzir remédios ou mesmo para produzir utensílios que usamos no dia a dia. 
  Este ano comemorativo é uma oportunidade para refletirmos sobre nossa estrutura de ensino. Os dados do Programme for International Student Assessment (PISA) publicados em 2015 mostram que ainda temos muito o que melhorar em todas as áreas. O desempenho dos estudantes brasileiros em Ciência, por exemplo, foi de 401 pontos, enquanto a média dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico foi de 493 pontos. O pior é que esse desempenho se mantem praticamente estável desde 2006 quando os estudantes brasileiros fizeram 390 pontos, mostrando assim que tivemos poucos avanços em uma década. 

A porcentagem de alunos com desempenho elevado em ciência foi de 1% para meninos e 0,5% para meninas, muito abaixo dos índices da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) que representam 8.9% e 6.5% respectivamente. O Brasil é um dos países latino-americanos com maior porcentagem de alunos em situação socioeconômica menos favorecida, onde 43% são oriundos dessas camadas sociais, ficando atrás apenas do México e Peru. Também somos um dos países com a menor proporção de adultos com nível superior, ficamos atrás apenas da indonésia. 

Em 2015 o PIB per capita do Brasil (USD 15 893) correspondia a menos da metade da média do PIB per capita nos países da OCDE (USD 39 333). Entretanto, outros países com investimentos similares conseguiram melhor desempenho no exame como a Colômbia, o México e o Uruguai.
E por que estou dizendo tudo isso? Os dados mostram que temos muito que avançar no país desde o ensino básico até o nível superior. Para que isso aconteça é preciso que o governo priorize o investimento na educação e saiba montar políticas efetivas que realmente melhore a qualidade do ensino no país. No Ano Internacional da Tabela Periódica precisamos lembrar que para incentivar nossos alunos a se dedicarem a ciência básica, necessitamos de laboratórios estruturados e professores motivados e qualificados. 
O Brasil precisa acreditar na educação e tratá-la com a seriedade que merece. Precisamos todos somarmos esforços e cobrarmos das autoridades as medidas necessárias para que isso ocorra, assim como fazer nossa parte para incentivar os jovens a se apaixonarem por ciência, da mesma forma como incentivamos a gostar de esportes como futebol e vôlei. Com ciência se muda o Brasil, com ciência se muda o mundo!

Caiubi Kuhn -Geólogo, especialista em Gestão Pública e mestre em Geociências pela Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT); Doutorado em Geociências e Meio Ambiente (UNESP); Docente do Faculdade de Engenharia UFMT-VG;

 
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