Jornal MT Norte
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ENTREVISTA: De olhos no futuro
Fabiana Karla destaca similaridades com personagem de “Verão 90”
12:48   08 de Julho, 2019
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por Luana Borges

TV Press

                               A espontaneidade é a marca registrada de Fabiana Karla. Sempre gesticulando e com uma piada na ponta da língua, a atriz é do tipo que reúne gente em volta para ouvir suas histórias – a maioria hilária. E é com a mesma alegria pela qual é tão conhecida que ela fala de Madá, sua personagem em “Verão 90”. Perto da reta final da novela das 19 horas, Fabiana já esboça uma pontinha de saudade do trabalho, que chega ao fim em julho. Mas, enquanto ainda tem cenas para gravar, ela se diverte com a repercussão e as abordagens do público. “Eu não passo em uma rua sem ter uma consulta. É de ler mão, de adivinhação, é de tarô. Todo mundo quer uma consultinha com a Madá”, diverte-se.

                               O humor trilhou o caminho de Fabiana Karla. E ela parece muito confortável com as escolhas que fez ao longo dos anos e as oportunidades que surgiram. “Acho que isso é um resultado de trabalho, de várias vertentes em que eu me lanço. É muito legal quando enxergam que eu posso inspirar algumas pessoas na moda ou que posso fazer certos papéis”, salienta. Vaidosa, Fabiana é uma importante referência para as mulheres que não se enquadram no padrão de magreza tão disseminado pela mídia. Mesmo assim, ela não descarta a possibilidade de recorrer à cirurgia bariátrica no futuro. “Eu nunca digo que dessa água não beberei. Eu não sei de nada da minha vida, nada é definitivo porque eu sou um ser em evolução. Eu escolhi estar assim, então a minha evolução me permite dizer uma coisa hoje e depois mudar de ideia”, diz.

P – A sua personagem é uma vidente e lê cartas. Você já havia se interessado por esse universo antes?

R – Lá no Nordeste, a gente tem a coisa da adivinhação nas festas juninas. Então eu sempre acendia uma velinha para pingar na bacia e saber a letra do nome do futuro namorado. E não é que deu certo? Agora que estou me ligando. Deu certo mesmo, a letra saiu. Mas na verdade saíram várias letras (risos). Eu sempre fui uma pessoa muito atenta às coisas da natureza, sempre tive muita fé. Minha mãe gostava de rezadeira. Eu sempre gostei de raízes, dos banhos, apesar de ter vindo de uma família evangélica em que minha mãe era a transgressora. Esse lado mais espiritualista, eu herdei dela.

P – Alguém serviu de referência para a sua Madá?

R - A Leiloca (Neves, ex-Frenética). Não tem outra pessoa que viveu intensamente essa época e que tenha esse astral maravilhoso. Ela é essa pessoa antenada, que entende de astrologia, de tudo o que você imaginar. Então, achei que ela era a pessoa certa para eu olhar e tentar encontrar um caminho.

P – A novela fez você voltar em lembranças suas dos anos 1990?

R – Muitas. O que me marcou, primeiramente, foi eu começar os anos 1990 uma moça e terminar mãe de três filhos. Então, isso é um marco para nunca mais esquecer. Agora, tive muitos momentos muito felizes. Sempre fiz teatro, então eu participava de espetáculos muito legais. Em 1991, eu ganhei o prêmio de melhor atriz do Festival Arte Viva Elo com a Lucicreide, personagem que anos depois eu levei para o “Zorra Total”. Eu sou muito orgulhosa dessa época. Tive outras muitas situações que valem a pena lembrar, como as roupas e as músicas que eu gostava. Receber carta também era muito legal, escutar o som da internet discada, o celular tijolão, as pulseiras...

P – Como você enxerga a atual fase da sua vida?

R – Eu me sinto muito privilegiada. Esse personagem já estava predestinado porque eu já era um pouco Madá há muito tempo. E acho que tinha perdido isso pouco porque a vida vai trazendo vários dados, você vai se apegando a outros personagens. E com a Madá, quando eu comecei a ter um contato mais voltado para mim, comecei a fazer experiências de Sankalpa, conheci algumas práticas que fui retomando, essas coisas de pedras que sempre gostei. Quando eu era criança, só fazia feira de ciências com pedras. Eu ia no garimpo, pegava as pedrinhas e depois fazia anel. Era uma maravilha, adorava falar sobre isso. Então, eu reencontrei essa Madá e ela veio de encontro a mim. Fico muito feliz de fazer esse corre-corre mais em prol do público que me respeita, me aceita e quer ouvir o que eu tenho para falar nos dias de hoje, em que eu não me envolvo em nada.

P – Como assim?

R – Acho que a gente tem de ter muito embasamento para falar de certas coisas. E até quem tem embasamento não está tendo voz, não está podendo falar porque os ânimos estão muito exaltados. Então a gente tem uma contribuição muito importante enquanto artista, mas eu me restrinjo ao que está sendo proposto. E o que está sendo proposto, eu estou segurando para dar conta, correndo para poder fazer tudo o que puder para alimentar o meu público.

Verão 90” – Globo - De segunda a sábado, às 19h20.

 
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