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"Comidas do futuro" podem mudar forma dos brasileiros de se alimentar
Picanha vegetal e hambúrguer feito a partir da proteína de ervilha, soja e grão-de-bico já estão disponíveis Especialista revela que impressoras 3D podem ser usadas, em um futuro próximo, para imprimir comidas
13:05   10 de Julho, 2019
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Cintia Moreira
Agência Rádio Mais!

Você já parou para pensar como tecnologia vai mudar a forma de nos alimentaremos no futuro? Teremos comida suficiente para suprir toda a população do mundo em alguns anos? Diante de tantas perguntas, a resposta está próxima do que se imagina.
Em junho deste ano, por exemplo, ocorreu a primeira entrega de comida feita por um drone na América Latina. O delivery ocorreu na cidade de São Paulo e transportou uma picanha vegetal.
“É feita por uma gordura vegetal. A gordura é um queijo criado na casa. A parte da carne é a base de arroz vermelho, beterraba, temperos, fumaça líquida, para dar um defumado nela. Ela foi assada e transportada via drone até o outro ponto. E foi bacana porque foi a primeira entrega de comida autorizada no Brasil pela ANAC, foi uma comida vegana, a gente instalou a bandeira internacional do veganismo também e deu tudo certo", afirma Bruno Barbosa, sócio da No Bones, açougue vegano.
Na agricultura, a inteligência artificial pode melhorar os processos produtivos e apoiar a tomada de decisão pelo agricultor, reduzindo custos e trazendo mais rendimento. Segundo a Embrapa, máquinas que se comunicam sem interferência humana, trocando dados pela rede, já são realidade no campo.
Todo esse avanço tecnológico na produção e distribuição de alimentos tem um motivo. Segundo relatório da ONU, a população mundial deve chegar a 9,7 bilhões de pessoas em 2050, o que pode tornar a escassez de comida ainda maior. Na Califórnia, nos Estados Unidos, por exemplo, já existe um tipo de ovo mexido feito a partir de sementes de um feijão asiático.
Já existem também laboratórios ao redor do mundo que produzem carnes de frango, feitas com pequenas biópsias de animais. Os cientistas retiram uma pequena amostra da célula do animal, levam para o laboratório e cultivam estas células, de forma que elas crescem com os nutrientes, as gorduras e vitaminas presente no corpo do animal. Essas são as chamadas carnes cultivadas, que devem começar a ser comercializadas ainda neste ano na Ásia e a previsão, é que em 5 anos, o mesmo ocorra com a carne de boi.
Comida saudável - Globalmente, os consumidores acreditam que a comida ficará mais saudável no futuro. Consumidores da Ásia e do Pacífico são os mais otimistas se comparados a outras regiões. No Brasil, 36% dos entrevistados disseram que a comida será mais saudável no futuro, número maior que a expectativa global, que ficou em 34%. Ainda no Brasil, 33% das pessoas acham que será a mesma coisa e 30% acreditam que a comida será menos saudável.
Segundo a pesquisa, muitos consumidores estão procurando triar alguns ingredientes de seus alimentos, como o açúcar, em busca de saúde. Da mesma forma, esses mesmos consumidores estão incluindo ingredientes que acreditam ser mais saudáveis em seus cardápios, como proteína e fibras.
O levantamento mostra que 80% dos entrevistados no Brasil acreditam que diminuir o açúcar é benéfico para a saúde; 83% dos brasileiros entrevistados concordam que fibra tem um efeito positivo na digestão; 74% dos brasileiros concordam que adicionar ingredientes na panificação como proteínas e fibras é algo bom para saúde e 76% dos brasileiros acreditam que remover gordura é saudável.
Comida fresca - De acordo com a pesquisa, entre as regiões analisadas existe uma grande diferença nas expectativas sobre o frescor dos alimentos. Enquanto na Ásia e Pacífico 47% dos consumidores acreditam que a comida será mais fresca em 2030, na Europa apenas 19% dos entrevistados pensam assim. No Brasil, 32%, opinam que a comida será mais fresca no futuro, 34% acham que será a mesma coisa e 34% acham que a comida será menos fresca em 2030.
Comidas frescas mantém a percepção de mais qualidade se comparada a comidas embaladas. No Brasil, 81% dos entrevistados acreditam que a comida que você mesmo faz é mais fresca que a comprada, mas 62% concordam que hoje em dia é mais fácil comprar comida fresca.   
Insetos - A maioria dos insetos comestíveis são proteínas puras sem o déficit de gorduras ou açúcares. Sendo invertebrados de sangue frio, eles têm um processo calórico mínimo que os faz manter os nutrientes dentro do corpo. Por exemplo, os grilos são ricos em cálcio e os cupins têm muito ferro, as formigas de sua parte são uma imensa fonte de fibra. Outro fator a considerar é o número de habitantes no planeta e, desses, os que vivem em pobreza extrema sem qualquer meio de se alimentar. De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), serão nove bilhões de pessoas até o ano de 2050 e o alimento que tem hoje não será suficiente para todos. Já o número de insetos que existe por pessoa é de 40 toneladas, sendo uma fonte de alimento nutritivo suficiente para as gerações futuras.
Os seres humanos são capazes de consumir alimentos extremamente variados e até surpreendentes. De secreções naturais a fungos e rochas. Em pesquisa da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), estima-se que os insetos façam parte da dieta tradicional de pelo menos dois bilhões de pessoas. Elas comem mais de 1.900 espécies, principalmente na África e na Ásia. Os mais consumidos são besouros, abelhas e formigas, seguidos de gafanhotos, grilos, cigarras, libélulas e moscas.

 
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