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Veterinária diz não acreditar que procede denúncia que clínicas estariam descartando os cachorros
Dra. Raphaela Peixoto explica que todas as clínicas veterinárias são obrigados a ter convênio com uma empresa que recolhe os animais mortos
12:58   17 de Julho, 2019
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José Vieira do Nascimento
Editor Mato Grosso do Norte

A veterinária Dra. Raphaela Peixoto, da Clínica Polivet, considera improcedentes, denúncias feitas à secretaria de Meio Ambiente, que os mais de 20 cadáveres de cachorros, encontrados em uma chácara próxima à Alta Floresta na semana passada, foram descartados por alguma clínica veterinária.
Conforme explica a veterinária, para uma clínica ter licença para funcionar, é obrigatório ter um convênio com uma empresa que recolha os materiais pérfuros–cortantes e os animais que morrem. Além disso, ela esclarece que toda clínica tem que ter um freezer para fazer o armazenamento dos animais que morrem até que a empresa passe para recolhê-lo.
“O animal morreu e o proprietário não tem onde enterrar, ou não queira levar o corpo, a gente congela e a empresa passa uma vez no mês para recolher o cadáver. Eles cobram um valor por quilo e é um valor que fica bem caro. E uma pessoa de condições financeira não muito boa, não tem condições de pagar para fazer o descarte correto. E muitos acabam optando por levar o animal”, esclarece.
Dra. Raphaela disse que em sua clínica, grande parte dos animais mortos, são enterrados em um local de sua fazenda. “Nossa fazenda fica a 50 quilômetros da cidade e reservamos um local onde cavamos um buraco e enterramos os animais lá. Uma vez por mês a gente leva e fazemos o enterro. E alguns animais, quando é pequeno, descartamos pela empresa, conforme o valor fixo que pagamos por mês”, disse.
Animais grandes, segundo ela, ficam muito caro para ser levado pela empresa. Além do valor de R$ 6,00 por quilo, o dono do animal também tem que pagar o congelamento do corpo, até que ele seja recolhido. “Muita gente não tem condições de arcar com este custo”, pontua.
Apesar de não ter conhecimento de como funciona as demais clínicas existentes na cidade, se alguém burla estas normas, a veterinária considera difícil de isto acontecer. Isto porque o licenciamento CRMV – Conselho Regional de Medicina Veterinária- depende do convênio com estas empresas e de ter um freezer para guardar os animais mortos.
“Para todos estarem funcionando, provavelmente, devem ter. Por isso, creio que não são as clínicas veterinárias que estejam jogando animais mortos neste local. Até mesmo pela quantidade. Morrem uma média de 5 animais em cada clínica num mês. E se juntar duas clínicas, morrem mais do que a quantidade de animais encontrados lá em um mês. Acho que não é, mas se alguém denunciou é porque pode ter visto alguma coisa ligada a alguma clínica”, disse.

Os animais levados pela empresa especializada, conforme a veterinária, são incinerados. De acordo com Raphaela, as consequências ambientais de animais que são descartados irregularmente, são enormes e pode haver transmissões de zoonoses para humanos e para outros animais. Além de contaminação da água.

“Esses animais são degradados no local e pode liberar doenças ruins. Por isso, tem que ter muitos cuidados onde por um animal quando ele morre. Se enterrar no quintal, e tiver um poço no local, a água ficará contaminada. Por isso, tem que ter consciência de qual destino dar aos animais mortos”, esclarece.
A secretária de Meio Ambiente de Alta Floresta, Célia Castro, afirmou que em função da denúncia, notificou as clínicas veterinárias e está aguardando a resposta de cada uma. Depois, ela disse que irá fazer uma reunião com órgãos com a Sema e verificar o que poderá fazer com relação ao problema.
Ela disse que pediu para o Indea fazer uma vistoria e registrou um Boletim de Ocorrência para a polícia também tomar as providências.

 
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