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Produtores se unem em rede para impulsionar a agricultura orgânica
A obtenção do certificado de produto orgânico, nesta modalidade, é realizada por meio da atuação em núcleos
12:52   22 de Julho, 2019
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Assessoria
Redes Socioprodutivas

Agricultores familiares da região de Alta Floresta decidiram unir forças para impulsionar o cultivo, a certificação e o comércio de produtos orgânicos locais. A inspiração para a criação da REPOAMA veio de um intercâmbio realizado pelo Projeto Redes Socioprodutivas em agosto do ano passado. Representantes de grupos da agricultura familiar dos municípios de Alta Floresta, Paranaíta, Nova Monte Verde, Nova Bandeirantes e Cotriguaçu, visitaram propriedades, associações e cooperativas em três cidades no Rio Grande do Sul.
Por meio da recém-criada Rede de Produção Orgânica da Amazônia Mato-grossense (REPOAMA), os produtores terão mais articulação e força para enfrentar as dificuldades burocráticas e amenizar os altos custos do processo de registro. O principal objetivo da Rede é viabilizar a certificação a partir da implementação do Sistema Participativo de Garantia.
As visitas técnicas e trocas de experiências colocaram os participantes do intercâmbio em contato com diferentes sistemas produtivos, novas estratégias de comercialização de produtos orgânicos e com o processo de certificação participativa da Rede Ecovida.
A obtenção do certificado de produto orgânico, nesta modalidade, é realizada por meio da atuação em núcleos. Na REPOAMA, são três: Alta Floresta/Paranaíta, Nova Bandeirantes/Nova Monte Verde e Cotriguaçu/Colniza. Cada núcleo possui um coordenador regional que lidera a comissão técnica, responsável por avaliar a conformidade orgânica dos grupos de produtores. A análise é feita segundo as diretrizes legais e a avaliação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA).

O próximo passo é consolidar a documentação para o credenciamento da Rede como Organismo Participativo de Avaliação da Conformidade Orgânica (OPAC) junto ao MAPA. O status de OPAC garante à REPOAMA o direito de certificar os produtores, garantindo a qualidade e viabilizando a comercialização como produto orgânico, mercado este em franca expansão no país e no mundo.

Atualmente, cerca de 12 propriedades já são certificadas. Eduardo Darvin, coordenador do Projeto Redes Socioprodutivas, afirma que outros 15 produtores declaram que seus produtos são orgânicos, mas ainda não passaram pelo processo de certificação. Existem ainda cerca de 30 propriedades inseridas na rede que já começaram o processo de transição. A expectativa é que, com a REPOAMA, o número de produtores certificados na região se quadruplique.
Além de viabilizar a certificação de orgânicos, a REPOAMA cria um espaço para o compartilhamento de experiências entre diferentes produtores e demais atores das cadeias produtivas na região. Com o apoio do Projeto Redes Socioprodutivas, a Rede já promoveu dois dias de campo em Nova Bandeirantes e Alta Floresta.
O mais recente foi em 29 de junho no Sítio Sombra da Mata em Alta Floresta, propriedade da Marcely Alessandra Federici da Silva Oliveira, coordenadora geral da REPOAMA. Cerca de 100 agricultores e agricultoras se reuniram no Sítio para acompanhar a produção sustentável do leite e hortaliças. Para Marcely, receber os produtores no Sombra da Mata foi a realização de um sonho. Ela acredita que o trabalho de coordenação envolve estar perto das pessoas que compõem a Rede, promovendo uma construção coletiva.

 
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