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Sazonalidade em Mato Grosso limita avanços na produção de leite
A produção média por fazenda no Estado também contribui para os números baixos
13:08   05 de Agosto, 2019
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Da Reportagem

Um estudo conduzido em parceria entre o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), a Rede ILPF e a Embrapa mostrou que a sazonalidade na produção de leite em Mato Grosso é maior do que na média nacional. Essa diferença entre a produção na safra e na entressafra é o principal fator que limita a indústria do setor no Estado que abriga o maior rebanho de corte do Brasil e lidera a produção nacional de soja, milho e algodão. 
De acordo com o trabalho coordenado pelo zootecnista, Miqueias Michetti, do Imea, o índice de sazonalidade em Mato Grosso entre 2011 e 2018 foi de 41%, enquanto no Brasil esse valor foi de 20%. A sazonalidade é a diferença entre a oferta de leite em diferentes períodos do ano. 

A variação na produtividade mato-grossense é reflexo do sistema de produção de leite adotado no Estado. A atividade é desenvolvida, majoritariamente, por agricultores familiares, em pequenas propriedades, com pouca tecnologia e baseadas na alimentação a pasto. Durante os meses chuvosos, há abundância de pastagem e a produção aumenta. No inverno, quando falta chuva em boa parte do Estado, há pouca disponibilidade de capim e a produtividade das vacas despenca. 

Essa oscilação na disponibilidade do produto, no entanto, traz consequências negativas para os laticínios, uma vez que há ociosidade superior a 50% da capacidade de produção em alguns meses do ano. 
LATICÍNIOS - "Essa falta de eficiência na atividade de produção de leite em Mato Grosso pode ser um dos fatores que contribuem para a falta de um parque industrial consolidado e presença de indústrias com marcas nacionais no Estado. Em virtude da insuficiência de oferta, os laticínios apresentam problemas relacionados à ociosidade da infraestrutura, da mão de obra empregada, o que impacta a regularidade no abastecimento dos mercados consumidores e no planejamento estratégico de médio e longo prazo", explica Michetti. 
Atualmente, Mato Grosso conta com 60 laticínios, dos quais dez são de cooperativas de produtores. A muçarela é o principal produto produzido, demandando metade do leite processado na indústria. 
Embora a disponibilidade de leite em Mato Grosso se altere mais ao longo do ano do que em outras regiões do País, a pesquisa mostrou que a variação no preço do leite no Estado é menos intensa. Enquanto na média nacional a variação chega a 14%, em Mato Grosso a variação média é de 11%. 
Porém, esse efeito é causado pelo menor aumento dos preços pagos ao produtor na entressafra. Em média, em Mato Grosso se paga 23,29% a menos pelo litro do leite do que no restante do País. Durante a seca, de julho a setembro, a diferença chega a ser de 27,81%. 
"Apesar de menor variação, a diferença entre os preços se acentuam nos períodos de entressafra. Dessa forma, o preço do leite não tem se mostrado um mecanismo que estimule a manutenção da produção de leite em Mato Grosso", explica o zootecnista. 
PRODUÇÃO EM QUEDA - Líder nacional em produção de grãos e fibras, como soja e milho e algodão, e também na produção de carne bovina, o bom desempenho de Mato Grosso não se repete na pecuária de leite. O Estado vem caindo de posição no ranking nacional de produção. Atualmente é o 10º maior produtor. 
De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a produção em 2018 foi de 615,8 milhões de litros, o menor volume nos últimos 11 anos. 
As vacas de Mato Grosso produzem, em média, 1.637 litros por ano por cabeça, volume 35% menor que os animais do restante do país. A produção média por fazenda no Estado também contribui para os números baixos. Entre 2006 e 2017 a média de produção diária por propriedade caiu de 45 para 41 litros, quanto no restante do Brasil esse número pulou de 41 para 70 litros. 

 
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