Jornal MT Norte
Publicidade
         
                
PERFIL: Arte de recomeçar
Na pele da sofrida Tereza, Leona Cavalli se emociona com as histórias de superação de “Órfãos da Terra”
13:13   05 de Agosto, 2019
27c0ebe71d096eb97ca9c5e7eb6b6573.jpg

por Geraldo Bessa/TV Press

(Foto: Estevam Avellar/Globo)

                A carreira sempre foi o foco de Leona Cavalli. A ponto de ter desistido de um casamento onde o ex-marido não entendia muito bem as exigências da vida de atriz. Independente e segura do que quer, Leona realmente se sensibiliza a cada novo bloco de capítulos de “Órfãos da Terra”, onde interpreta a oprimida Tereza. Na trama de Thelma Guedes e Duca Rachid, a personagem suprime o sonho de ser cantora em prol de um casamento marcado pela frieza e distância com Norberto, de Guilherme Fontes. “É um assunto muito delicado e que causa logo um sentimento de identificação em parte do público. Principalmente, na mulher infeliz no casamento e no rumo que a vida tomou. Sempre coloquei meus objetivos profissionais à frente de tudo. Mas sei bem como é essa frustração da personagem”, avalia Leona. O que mais empolga a atriz com o papel é o atual momento de virada de Tereza que, aos poucos, vem retomando as rédeas de sua história. “É um momento lindo de libertação e que pode inspirar muitas pessoas. Me emociono lendo e atuando pois sei da importância dessa mensagem”, acredita.

O alvo romântico de Tereza é Jean, imigrante congolês interpretado por Blaise Musipere. Essa paixão toca em outro ponto que chamou a atenção de Leona para a atual novela das seis: a questão dos refugiados. “É uma das principais discussões do mundo hoje. Fico triste de ver brasileiros que esquecem a própria história e o fato de boa parte do nosso país ser formado por grandes ondas de imigração”, avalia. Para a atriz, o mais importante de sua preparação para “Órfãos da Terra” foi o contato com refugiados e suas histórias. Foi dessa forma que ela conseguiu ir além das pesquisas e notícias dos jornais e entrar nos dilemas humanos que afligem as pessoas que são obrigadas a deixar seus países. “A gente acha que sabe muito sobre o assunto, mas uma imersão é necessária. Tivemos contatos com pessoas que deixaram suas casas e encontraram um novo lar no Brasil. São histórias impressionantes de fuga pela sobrevivência. O elenco também tem refugiados e ter essa representatividade é muito legal”, ressalta.

Por conta de Tereza, Leona volta ao “casting” da Globo cerca de três anos depois de ser afetada por uma nova política de contratos, onde a emissora se desfez de parte de seu elenco fixo e privilegiou vínculos por obra certa. Aproveitando-se do momento de maior liberdade artística, a atriz acabou se “jogando” no mercado e ajustando a prioridade de alguns projetos. No período, atuou em duas peças, dirigiu um espetáculo teatral, escreveu um livro, fez minissérie na tevê fechada e ainda experimentou o esquema bíblico da Record na controversa “Apocalipse”, onde viveu a sedutora Ariela. “Em um primeiro momento, bate um frio na barriga. De repente, já não tinha mais aquela estabilidade. Porém, acabou que recebi convites maravilhosos e que me fizeram sair do mesmo esquema de sempre”, conta. Se por muitos anos os intérpretes que assinavam com outras emissoras ficavam na “geladeira” da Globo, Leona não sentiu qualquer estranhamento ao voltar aos estúdios da emissora. “Parece que nunca tinha saído. É como voltar para casa”, diverte-se.

Gaúcha da pequena Rosário do Sul, Leona até tentou fazer a vontade de seus pais e se formar em Direito, mas largou tudo para investir nas Artes Cênicas. Por conta disso, mudou-se para São Paulo no início dos anos 1990 e ao longo da década se envolveu com o teatro conceitual de diretores como José Celso Martinez Corrêa e Cibele Forjaz. Na virada dos anos 2000, foi a vez de tornar-se musa do cinema nacional a partir de personagens ousadas em longas como “Através da Janela”, de Tata Amaral, e “Amarelo Manga”, de Cláudio Assis. “Fiz o caminho inverso. Mergulhei no teatro e nos filmes e aí os diretores e autores da tevê começaram a me chamar para trabalhar”, explica a atriz, que estreou no vídeo em um episódio de “Os Normais”, de 2002. Ao longo dos anos, emendou papéis de destaque em tramas como “Belíssima”, “Duas Caras”, “A Vida da Gente” e “Gabriela”. “Além de personagens muito loucas, diferentes, sofredoras e divertidas, a tevê também me deu disciplina e um contato direto com o público. Gosto da minha trajetória e sei que ainda há muito o que fazer”, avisa a atriz de 49 anos.

Na escrita

Leona Cavalli tem muito orgulho de sua faceta escritora. Em junho passado, ela realizou o sonho de lançar o livro infantil “Belabelinha” pela Editora Quase Oito. A personagem faz parte de um projeto antigo da atriz e é com ela que, há dez anos, Leona frequenta hospitais infantis levando alegria aos pacientes. “O livro nasceu do exercício dessa personagem, que já fiz em várias atuações com crianças, visitando hospitais infantis, escolas e eventos. É resultado do contato com esse universo e o pedido de muitas crianças”, conta.

Na história, Belabelinha é uma boneca palhacinha que sonha em ser gente. Ela enfrenta uma verdadeira odisseia pela floresta amazônica para chegar ao seu objetivo. No meio do caminho, entretanto, começa a questionar esse sonho. “Ela acha que só vai conseguir amar se tiver um coração humano. Depois vê que o amor vai além disso”, explica.

Instantâneas

# Leona Cavalli tinha 14 anos quando se encantou pelo teatro ao assistir Tônia Carreira no espetáculo “A Divina Sarah”.

# Em 2012, o sucesso da sensual Zarolha do “remake” de “Gabriela” rendeu a Leona um convite para ser capa da revista “Playboy”.

# Por conta de problemas para digerir carne vermelha, Leona é vegetariana há 10 anos.

# Para manter a forma, a atriz pratica pilates e, recentemente, descobriu os benefícios do tai chi chuan, arte marcial chinesa.

 
COMENTÁRIOS
© Copyright 2014 Jornal Mato Grosso do Norte