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Diretor do ICV em Alta Floresta diz que dados do INPE são confiáveis
Falta do dinheiro do Fundo Amazônia representa uma catástrofe para os projetos em andamento
12:56   16 de Agosto, 2019
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Edemar Savariz
Mato Grosso do Norte

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, anunciou que o governo vai contratar uma empresa privada para monitorar o desmatamento da Amazônia. A decisão foi tomada depois que o Inpe, (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais) que desde a década de 1988 monitora a Amazônia, revelou o crescimento do desmatamento, o que irritou o ministro e o presidente Jair Bolsonaro.
Para o diretor executivo do ICV (Instituto Centro de Vida), Renato Farias, em entrevista à Mato Grosso do Norte na segunda-feira,12, é preocupante questionar dados que tem uma fonte altamente confiável. 
O INPE utiliza dois grupos de dados. Um é o DETER que detecta o potencial desmatamento numa determinada região. Ele é um indicador para órgãos de controle indicando as aberturas de floresta em áreas ilegais ou legais e a partir disso, indica aos órgãos fiscalizadores, ou os próprios órgãos do governo para irem verificar o que está acontecendo nesta região. Esse programa é utilizado desde 2004 e contribuiu muito para a redução do desmatamento na Amazônia Legal.
Já o projeto PRODES realiza monitoramento por satélite do desmatamento por corte raso na Amazônia Legal e produz, desde 1988, as taxas anuais de desmatamento na região, que são usadas pelo governo brasileiro para o estabelecimento de políticas públicas. As taxas anuais são estimadas a partir dos incrementos de desmatamento identificados em cada imagem de satélite que cobre a Amazônia Legal. A primeira apresentação dos dados é realizada para dezembro de cada ano, na forma de estimativa. Os dados consolidados são apresentados no primeiro semestre do ano seguinte.
“Quando se fala destes dados causa uma estranheza porque são informações que já estão disponíveis e qualificam com mais de 90% de acerto. Mais do que questionar esses dados, o correto seria verificar o que está acontecendo e os estudos mostram que a maioria desses desmatamentos que acontecem são ilegais. Se é ilegal, estamos trabalhando na linha de corrupção da ilegalidade. Dizer que dados comprovadamente apresentados não se configuram como confiáveis, acabamos focando para um lado que não é bom, que é continuar com a ilegalidade na nossa região e toda a Amazônia Legal”, disse Renato.

Renato lembra do sofrimento causado pelo desmatamento na região de Alta Floresta, principalmente no período da seca onde a cidade era coberta por nuvens de fumaça causadas pelas grandes queimadas de áreas desmatadas. “Alta Floresta por muito tempo apareceu na mídia sempre com notícias negativas. Ou era rota de drogas ou desmatamento, mas com o processo de conscientização e ações vinculadas as boas práticas e um bom uso do solo, o município acabou saindo deste cenário”, disse o diretor do ICV.

“É preocupante agora o que nós estamos sentindo com algumas falas do Governo Federal, talvez por desconhecer um pouco essa realidade, que acaba por retroceder há décadas passadas. Nossa região está sendo referência na linha de produção, o que é bom para o mercado e para desenvolvimento.  Com a fala da não boa ocupação do solo, nós acabamos regredindo no tempo”, enfatiza Renato. 
Ele conta que está no município de Alta Floresta há 40 anos. “Jamais iria trabalhar em uma organização que iria contra a minha região e ao meu município. Quando meus pais vieram para cá eles foram orientados a ocupar a região de uma determinada forma, hoje entendemos que existem outras maneiras de ocupar a região, inclusive com rentabilidade”, enfatiza.
FUNDOS INTERNACIONAIS -  Esta semana, houve a fala do presidente Jair Bolsonaro, que o Brasil não precisa de recursos internacionais para proteger o Meio Ambiente. Para o diretor do ICV, Renato Faria, a falta desse dinheiro seria catastrófica para os projetos em andamento na região amazônica.
“Queira Deus que nós tivéssemos todas as condições de fazer todo o gerenciamento nesta vasta Amazônia. Eu acho as falas um pouco distantes da realidade. Esses recursos são doações, eles chegam aqui gratuitamente e não são gerenciados por órgãos internacionais e sim por organizações do terceiro setor, ou organizações da sociedade civil do nosso próprio país. É como que jogar recursos fora, mais do que se evitar de receber recursos, nós temos que entender quais são os recursos que nós teremos para lidar com esses grupos menos assistidos da região amazônica”, analisa. 
Renato cita o Fundo Amazônica como exemplo. “A perda do recurso do Fundo Amazônia é terrível, porque é um recurso de doação gerido pelo BNDS, um órgão extremamente fiscalizado e fiscalizador. Como população, independentemente de quem nós votamos, falas simplicistas como estas e não vindas com uma solução, são perigosas, porque daqui alguns anos podemos ter grupos desassistidos que precisarão de assistência. É simples falar longe de uma região sem conhecer a realidade real dela”, finaliza Renato.

 
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