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Ex- deputado federal usava 'laranjas' em esquema de propina, diz PF
14:53   22 de Agosto, 2019
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A Polícia Federal, com o apoio da Controladoria-Geral da União (CGU) e do Ministério Público Federal (MPF), deflagrou nesta quinta-feira (22) a segunda fase da Operação Tapiraguaia, que visa desmantelar um esquema de desvio de recursos públicos federais e pagamento de propinas nas prefeituras de Confresa e Serra Nova Dourada.

De acordo com a PF, são cumpridos 12 mandados de busca e apreensão, três prisões preventivas e sete medidas cautelares em Cuiabá, São Félix do Araguaia, Serra Nova Dourada, Bom Jesus do Araguaia, Apiacás e também em Brasília (DF). Os mandados foram expedidos pela Justiça Federal de Barra do Garças, que também determinou o sequestro de bens e valores.

Segundo apurou a reportagem, entre os alvos estão o ex-deputado federal de Mato Grosso, Valtenir Pereira (MDB), que atualmente é suplente do deputado Carlos Bezerra (MDB) e chegou a ocupar o cargo no início deste ano. Contra ele, teria sido cumprido um mandado de busca e apreensão.

Também são alvos dois assessores, dois ex-prefeitos, uma presidente de comissão de licitação, dois engenheiros fiscais e um assessor jurídico. Os investigados devem responder por organização criminosa, corrupção, lavagem de dinheiro, desvio de recursos públicos e crimes licitatórios, podendo pegar até 40 anos de prisão.

Investigação da Polícia Federal aponta que o ex-deputado Valtenir Pereira intermediou a contratação de empreiteiras responsáveis por obras de infraestrutura nos municípios de Confresa e Nova Serra Dourada, junto ao Ministério da Infraestrutura, responsável pela liberação de recursos federais.

Conforme o delegado regional de Combate ao Crime Organizado da PF, Carlos Henrique Cotta Dangelo, na primeira fase da operação, em janeiro deste ano, após uma análise de documentos apreendidos, ficou constatada a participação de Valtenir, que agia por meio de seus assessores. 

Vale ressaltar que um deles é Marcelo Luiz Faustino, que está preso desde as primeiras horas da manhã desta quinta-feira (22), na sede da Polícia Federal, em Cuiabá. “Ele era o canal com Brasília. Facilitava a contratação das empreiteiras, aí quando vinha o recurso do convênio, o grupo desviava”, destacou o delegado à imprensa. 

Para se ter uma ideia, só em Confresa o Ministério da Infraestrutura liberou a verba para a construção de 8 pontes. Apenas uma foi construída. Já em Serra Nova, nenhuma das 10 pontes previstas para serem construídas saiu do papel. 

Estima-se que R$ 601 mil foram desviados para propina, sendo que em Confresa o valor foi de R$ 413 mil e em Serra Nova R$ 187 mil. 

 
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