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Carros Quarta-feira, 02 de Abril de 2025, 09:10 - A | A

02 de Abril de 2025, 09h:10 - A | A

Carros / Novo Versa

Lógica de mercado

Versa Sense tem até pequenos luxos para brigar na faixa intermediária de sedãs compactos



por Eduardo Rocha
Auto Press

No face-lift promovido em meados de 2023, a Nissan decidiu simplificar a logística em relação ao Versa. Com isso, acabou aproximando o conteúdo das versões, o que incrementou bastante a versão de entrada Sense, que passou a contar com câmbio CVT e até alerta de colisão com frenagem autônoma. Por outro lado, teve de abandonar a briga com os rivais mais despojados, que custam entre R$ 100 mil e R$ 105 mil. O preço de R$ 115.690 coloca o sedã compacto da Nissan em vantagem diante dos concorrentes com conteúdo semelhante. Ou seja: a Nissan concentrou esforços nas faixas intermediária e superior do segmento.     

Pelos números de mercado que o Versa apresentou ano passado, a iniciativa deu certo. Desde que esta geração foi lançada, em outubro de 2020, foi no ano passado que o modelo mais emplacou. Foram 11.628 unidades – ou 969 mensais –, o que representou um crescimento de 31% sobre o total de 2023. Uma explicação para essa mudança é que nesse meio tempo, houve ainda um ajuste na tabela, que tornou o compacto da Nissan mais atraente.                

Atualmente, o único modelo com câmbio automático ou CVT mais barato é o Toyota Yaris, que custa R$ 113.290, mas é bem menos recheado e tem o fim de linha anunciado para este ano, com a chegada do SUV compacto do Yaris. Os demais concorrentes, Hyundai HB20S, Honda City, Chevrolet Onix, Fiat Cronos (estes dois últimos com remodelações anunciadas), custam entre R$ 117 mil e R$ 123 mil e também trazem menos equipamentos que o Nissan. Já o Volkswagen Virtus atua em uma faixa paralela: a versão TSI com câmbio automático sai a R$ 126.390, mas é a mais equipada do segmento.                

Além do alerta de colisão e frenagem autônoma, o Versa Sense ganhou roda de liga leve de 15 polegadas, central multimídia de 7 polegadas com Android Auto & Apple CarPlay e chave presencial para travas e ignição.  E já estavam lá ar-condicionado analógico, direção, espelhos, travas e vidros elétricos, seis airbags, sensor de luminosidade, controle de cruzeiro, luz de neblina e sensor de estacionamento traseiro.              

Além disso, o modelo oferece pequenos luxos como iluminação no porta-malas, apoio de braço para o motorista, regulagem de altura e profundidade do volante e de altura para os bancos dianteiros, que têm a tecnologia Zero Gravity, iluminação interna frontal e central, luz de condução diurna e abertura interna do porta-malas. Mesmo sendo de entrada, a versão Sense não passa a impressão de que foi feita economia a qualquer custo.                

No mais, a Versa Sense tem exatamente a mesma configuração das demais configurações do modelo. Tem dimensões de 4,50 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,47 m de altura e 2,62 m entre os eixos – o porta-malas de 482 litros de capacidade. Sob o capô, traz o motor 1.6 16V flex que rende 114 cv a 5.600 rpm e 15,5 kgfm 4 mil giros, tanto com gasolina quanto com etanol, sempre gerenciado por um câmbio CVT.  

Ponto a ponto

Desempenho – A Nissan segue a lógica de que menos é mais. A estrutura do Versa é leve e o motor aspirado é simples e robusto. São 1.105 kg – está entre os mais leves do segmento – e conta com 110/113 cv e 15,2/15,3 kgfm. Com uma relação peso/potência 9,78 kg/cv, o Versa mostra boa aceleração e retomadas seguras. O zero a 100 km/h é feito em 10,7 segundos, com máxima de 180 km/h. Nem mesmo o câmbio CVT atrapalha, embora nas arrancadas ele parece tomar um pouco de fôlego antes de reagir. Nota 8.

Estabilidade – A suspensão do Versa tem um grau de firmeza bem adequado: não faz os ocupantes sofrerem com as irregularidades e oferece um bom controle de carroceria. E ganha um pouco mais de conforto por conta das rodas aro 15 e pneus 195/65, com flanco de 12,7 cm, que ajuda a absorver ainda mais os desníveis. Para a proposta do modelo, tem boa capacidade de contornar as curvas e neutralidade nas retas, sem flutuações na direção. Nota 8.

Interatividade – O Versa Sense é um modelo de entrada e por isso mesmo tem poucos recursos. Alerta de colisão com frenagem autônoma, sensor de luz e de obstáculos traseiro. Já a central multimídia faz espelhamento apenas com uso de cabo. No painel, uma pequena tela de 3,5 polegadas entre os mostradores traz as informações do computador de bordo, mas o botão para mudar as páginas de dados fica mal localizado, em um pequeno console na parte inferior do painel, à esquerda. Nota 7.

Consumo – No Programa Brasileiro de Etiquetagem do InMetro, o Versa se saiu bem, com notas C na categoria e B no geral. O consumo urbano com etanol e gasolina foi de 8,1 e 11,8 km/h o rodoviário com etanol e gasolina fica em 10,5 e 15,0 km/l. Nota 7.

Conforto – Já é uma tradição do Versa oferecer um espaço interno que carros de segmento superior, principalmente para passageiros que vão atrás. Como tem rodas menores e perfil de pneus maior, a rodagem fica mais confortável que nas demais versões. Na frente, os ocupantes contam com bancos Zero Gravity, que têm excelente ergonomia pelos múltiplos apoios nas costas. O isolamento acústico, no entanto, é um pouco deficiente. Nota 8.

Tecnologia – A plataforma eletrônica é capaz de aceitar diversos recursos ADAS, mas a versão só traz de relevante o alerta de colisão com frenagem autônoma, o que não é pouco para o subsegmento. Mesmo fora de moda, o motor 1.6 aspirado e o câmbio CVT são eficientes e confiáveis – duas características que deveriam guiar qualquer tecnologia. Já a central multimídia sente o peso da idade, principalmente pela falta de espelhamento sem fio. Nota 7.

Habitabilidade – O bom entre-eixos de 2,62 metros (maior que de alguns modelos médios) é muito bem aproveitado no Versa. O espaço interno é amplo, o porta-malas, de 482 litros, é grande e acessível, pela boa abertura da tampa. O interior tem os uns poucos porta-objetos, mas suficiente para manter alguma organização no carro. A boa altura do modelo, com 1,47 m, facilita a entrada e saída. Nota 8.

Acabamento – Os materiais usados no Versa Sense são de boa qualidade e em nenhum aspecto parece inferior ao das demais versões do modelo. Ele tem até mesmo um revestimento em couro sintético azul no console frontal, que dá um toque requintado ao modelo. O revestimento em tecido em duas cores reforça a sensação de capricho. Design, encaixes, arremates são bem-feitos e mesmo com superfícies em plástico rígido, as texturas são agradáveis. Nota 8.

Design – O Versa traz a evolução do conceito de design V Motion 2.0, que tem uma estética sem maiores ousadias, mas bem equilibrada, e ganhou frisos cromados nas laterais da grade frontal. As linhas alongadas, o teto flutuante, os volumes fluidos e a frente baixa dão um aspecto aerodinâmico ao sedã – de fato, o coeficiente aerodinâmico do sedã é de 0,31 Cx. As linhas horizontais na traseira valorizam a largura do modelo. Nota 9.

Custo/benefício – Como não atua nas versões mais simples do segmento de sedãs compactos, a Nissan caprichou no custo/benefício do Versa Sense. Na ponta do lápis, leva vantagem na relação equipamentos/preço quando comparado aos rivais diretos. Nota 9.

Total – O Nissan Versa Sense somou 79 pontos em 100 possíveis.  

Impressões ao dirigir

Forma e função

A função mercadológica do Nissan Versa Sense se encaixa perfeitamente com os conceitos básicos do modelo. Em geral, quem procura um modelo de entrada busca o menor custo possível não só de aquisição, mas também de manutenção. E é isso que o modelo da marca japonesa tenta oferecer, a começar pela sua motorização. O propulsor 1.6 16V flex tem uma constituição robusta, com recursos como comando variável na admissão e escape, acionamento por corrente e injeção multiponto – que sofre menos com etanol que os modelos com injeção direta. Além dessa configuração clássica, o motor é aspirado e não tem sua capacidade exigida ao limite. A potência máxima de 110/113 cv aparece aos 5.600 giros, enquanto o torque máximo de 15,2/15,3 kgfm surge em 4 mil rotações.                

A dinâmica também segue a lógica da eficiência e simplicidade. A suspensão tem um acerto firme e o conjunto controla bem os movimentos da carroceria. Só que nessa versão, que tem rodas de 15 polegadas com pneus de 12,7 cm de flanco, os ocupantes ganham um pouco de conforto se comparada às outras configurações do modelo. Quando exigido, acelerações e retomadas são bem animadas, mesmo que um pouco anestesiado pelo câmbio CVT.                

Por dentro, o Vera manteve o espaço generoso, oferecido pelo entre-eixos de carros médio, de 2,62 metros. Para entrar, a chave presencial destrava a porta apenas com a aproximação e a ignição exige apenas um toque para o arranque girar até que o motor funcione.  Por dentro, os bancos Zero Gravity dão um excelente apoio aos passageiros dianteiros. O ronco não impressiona. Mas também não é essa a função do modelo.                

A versão mostra um isolamento acústico pouco efetivo que, em velocidades mais altas, chega a atrapalhar as conversas em tom normal. O acabamento, por outro lado, mostra um cuidado com os acabamentos e também com os materiais empregados. O revestimento dos bancos é feito com um tecido resistente, mas um pouco áspero. O design interno segue o equilíbrio e bom gosto das linhas externas. Sem nada muito ousado, mas com detalhes que até transmitem uma ideia de requinte, como na cobertura em couro sintético azul no console frontal.  

Ficha técnica

Nissan Versa Sense 1.6 CVT

Motor: Gasolina e etanol, dianteiro, transversal, 1.598 cm³, com quatro cilindros em linha, quatro válvulas por cilindro e comando com variação contínua de abertura das válvulas. Acelerador eletrônico e injeção eletrônica multiponto sequencial.

Transmissão: Continuamente variável com seis marchas pré-programadas. Tração dianteira. Oferece controle eletrônico de tração de série.

Potência máxima: 114 cv a 5.600 rpm com etanol e gasolina.

Aceleração 0-100 km/h: 10,7 segundos.

Velocidade máxima: 180 km/h.

Torque máximo: 15,5 kgfm a 4 mil rpm com etanol e gasolina.

Diâmetro e curso: 78 mm X 83,6 mm.

Taxa de compressão: 10,7:1.

Suspensão: Dianteira independente do tipo McPherson com barra estabilizadora. Traseira por eixo de torção. Oferece controle eletrônico de estabilidade de série.

Pneus: 205/50 R17.

Freios: Discos ventilados na frente e tambor atrás. ABS com EBD. Oferece assistência de partida em rampa.

Carroceria: Sedã compacto em monobloco com quatro portas e cinco lugares. Com 4,50 metros de comprimento, 1,74 m de largura, 1,47 m de altura e 2,62 m de distância entre-eixos. Oferece airbags frontais, laterais e de cortina de série.

Peso: 1.105 kg.

Capacidade do porta-malas: 482 litros.

Tanque de combustível: 41 litros.

Produção: Aguascalientes, México.

Lançamento mundial: 2019.

Lançamento no Brasil: 2020. Face-lift: 2023.

Preço da versão: R$ 115.690.  

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