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UFC 260: Vicente Luque conta com ajuda de Durinho para luta com Woodley: "Passou várias dicas"
Pela co-luta principal do evento deste sábado, em Las Vegas, peso-meio-médio brasileiro mede forças com o ex-campeão da categoria
10:24   26 de Março, 2021
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Foto: Mike Roach/Zuffa LLC/Zuffa LLC via Getty Images

Por Letícia Oliveira e Marcelo Barone — Rio de Janeiro

Em busca da terceira vitória consecutiva no Ultimate, Vicente Luque enfrentará um grande oponente, mas o brasileiro tem uma arma na manga. Tyron Woodley começou a ser estudado há cerca de um ano, quando o amigo Gilbert Durinho é quem foi escalado para enfrentá-lo. Numa inversão de papéis, desta vez, Luque sobe ao octógono diante do ex-campeão dos meio-médios (até 77kg). No entanto, não estará sozinho, Durinho conhece o caminho do triunfo e dará as coordenadas de seu córner.

- Não conseguimos treinar tanto pessoalmente porque eu fiz o camp no Brasil, na Cerrado MMA, e ele estava na Flórida. Mas ele passou várias dicas. Eu sou amigo dele, ele esteve lá dentro com o Woodley, então ele sabe como o Woodley é, isso ajuda bastante na questão da estratégia, do planejamento para a luta. Ele está chegando e será meu córner. Sei que ele me ajudará muito, e com essa experiência de já ter enfrentando o Woodley, será melhor ainda - contou, em entrevista exclusiva ao Combate.com.

- Sempre deixou muito claro que nós temos as ferramentas para bater de frente com esses caras que estão no topo. Quando ele enfrentou o Woodley, que foi um ex-campeão e grande lutador, ele viu que tanto ele poderia vencer o Woodley, quanto eu. Treinamos muito e sabemos do jogo e capacidade um do outro, ele deixou claro que eu tinha as ferramentas para vencer o Woodley. Não só a parte física, como também a parte técnica muito afiadas para esta luta. Um ponto que me ajudou bastante, mas ao mesmo tempo sem subestimar. Sem olhar assim: "Beleza, eu tenho tudo para ganhar, vou chegar lá e ganhar”. Será uma luta dura, sem dúvidas, mas isso aí ajuda bastante - disse Vicente, sem revelar os planos para o próximo sábado.

Dos treinamentos para a vida, essa amizade começou há aproximadamente sete anos. Gilbert o brindou com sua dominância na luta de chão, enquanto Vicente o mostrava como evoluir em pé, com o objetivo de se tornarem atletas cada vez mais completos.

- Nós conhecemos no treino, eu percebi que ele tinha um nível de chão muito bom, já sabia um pouco da história dele, e ele viu que eu tinha um nível bom em pé. Nós temos a mesma atitude de treino, sempre queremos fazer o treino mais difícil. Quando era o dia do chão, eu o procurava e pensava: "Deixa eu treinar com esse cara, pois eu sei que ele é muito bom, ele vai me evoluir meu chão". E no dia da luta em pé, era a mesma coisa, ele vinha e falava: “Vamos fazer dupla, vamos fazer o sparring juntos”. Um foi meio que ajudando o outro, afiando o jogo um do outro. Mas isso só em relação ao treino, ainda não tínhamos desenvolvido amizade fora. Essa mentalidade parecida, essa atitude de querer sempre buscar o treino mais duro e evolução, fez com que nos aproximássemos fora.

- Começamos a perceber que realmente tínhamos afinidade. Às vezes ele me ligava, quando íamos lutar no mesmo dia e estávamos perdendo peso, e falava: “Vem aqui em casa, vamos na academia correr ou vamos correr na rua”. Um ajudando o outro também fora dos treinos. Começamos a falar sobre estratégias de luta, ele pedia opinião, o que eu achava do adversário dele, eu perguntava a opinião dele sobre os meus adversários. Daí foi crescendo para uma amizade que hoje em dia temos uma relação muito boa entre as nossas famílias. Ele conhece a minha esposa, eu e minha esposa conhecemos toda a família dele, os filhos. Ele vai lá para Brasília treinar comigo na Cerrado, é uma relação muito boa, eu fico na casa dele quando vou para a Flórida. Uma amizade que começou no treino e hoje vai muito além.

Amargando três derrotas seguidas, o adversário vive uma realista oposta. Após perder o título para Kamaru Usman em 2019, Tyron Woodley caiu para Durinho e Colby Covington, o primeiro e segundo colocados do ranking. Mas é de forma respeitosa que o brasileiro enxerga o confronto.

- É uma coisa muito perigosa. Se eu subestimar o Woodley, é o momento em que eu vou dar a oportunidade para ele me vencer. Ele perdeu para os três melhores do mundo, isso já mostra que ele não perdeu para qualquer um. Quando perdemos, tem um lado que fica frustrado, mas tem um lado que quer muito melhorar, evoluir e voltar às vitórias. É isso que eu vejo, é esse o Woodley que eu estou esperando. O Woodley que quer voltar a ser um cara vencedor, um cara que talvez quer voltar a ser campeão, ou pelo menos, chegar perto daquela disputa de cinturão de novo. E vai tentar me vencer a todo momento. Estou preparado para o Woodley que era campeão, então não tem outra forma de ver essa luta. Não posso me preparar para um Woodley que está numa má fase, estou preparado para o melhor Woodley possível - salientou.

Enquanto o "Assassino Silencioso" ocupa a décima posição, Tyron é o atual número 7. Derrotá-lo pode alavancar sua carreira, possibilitando pegar lutadores do topo, com exceção do amigo, é óbvio. Eles podem não saber como farão para nunca se enfrentarem, mas está claro que tal possibilidade não existe.

- Ele dominou a categoria por muito tempo, um campeão que representou muito bem. Acho que ele carrega esse nome ainda, mesmo vindo de três derrotas agora, afinal, ele perdeu para os três maiores do mundo. Isso não mancha a história dele. Com certeza, acho que é um adversário que acrescenta muito, uma vitória sobre ele me acrescentará muito. O foco total está para sábado à noite. Acho que uma vitória contra ele me garantiria um adversário dentro do top 5, acho que me coloca ali naquele bolo. Não sei se eu seria ranqueado top 5, mas eu teria o direito de enfrentar alguém ali dentro e começar já a buscar esse número alto do ranking para poder depois ir para um título.

 

- É uma coisa que não conseguiríamos fazer. Não tem como porque somos muito próximos, ele é quase um irmão. Eu não tenho irmão nenhum, então para mim é um irmão que a luta me deu. Seria muito difícil, eu não conseguiria lutar contra ele. Vamos achar uma forma. Os dois têm o mesmo objetivo, os dois querem ser campeões, e vamos achar uma forma de sermos campeões, sem que um tenha que enfrentar o outro. Não sei como, mas vamos achar uma forma aí.

 

Ao contrário de Woodley, Vicente vive bom momento no UFC. O brasileiro vem de nocautes contra Niko Price e Randy Brown e acredita que estenderá a série neste sábado.

- Pode ser (que eu consiga o terceiro nocaute seguido), eu acho que tem grandes chances de isso acontecer. Nesta luta, especificamente, eu imagino que talvez ele possa querer vir para o grappling, então também me preparei nessa área. Não descartaria uma finalização, me vejo acabando com a luta seja por nocaute, seja por finalização. Acho que eu consigo acabar antes dos três rounds.

O Combate transmite o UFC 260 ao vivo e com exclusividade neste sábado a partir das 20h (horário de Brasília). O SporTV 3 e o Combate.com mostram o "Aquecimento Combate" e as duas primeiras lutas ao vivo no mesmo horário; o site acompanha todo o evento em Tempo Real.

UFC 260
27 de março de 2021, em Las Vegas (EUA)
CARD PRINCIPAL (23h, horário de Brasília):
Peso-pesado: Stipe Miocic x Francis Ngannou
Peso-meio-médio: Tyron Woodley x Vicente Luque
Peso-galo: Sean O'Malley x Thomas Almeida
Peso-mosca: Gillian Robertson x Miranda Maverick
Peso-leve: Jamie Mullarkey x Khama Worthy
CARD PRELIMINAR (20h, horário de Brasília):
Peso-meio-pesado: Fabio Cherant x Alonzo Menifield
Peso-meio-médio: Jared Gooden x Abubakar Nurmagomedov
Peso-meio-pesado: Modestas Bukauskas x Michal Oleksiejczuk
Peso-pena: Omar Morales x Shane Young
Peso-médio: Marc-André Barriault x Abu Azaitar


 

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