Reportagem/ Nova Band Hoje
Fotos/ Regina alves
Ao longo da semana passada os produtores de café do município de Nova Bandeirantes, puderam participar de um evento destinado ao segmento da cafeicultura.
O conteúdo apresentado buscou levar informações aos cafeicultores novas técnicas no manejo das mudas, plantio, adubações e orientações gerais. Com a forte demanda do café clonado que já uma realidade no município, o produtor precisa estar atento no tocante às variedades oferecidas, o que exige uma atenção redobrada no processo de poda, visando uma padronização futura na produtividade.
De acordo com Luan Rodrigues, Secretário Municipal de Agricultura, a palestra oferecida aos produtores de café visa uma orientação maior. “Estamos orientando os produtores, pois muita gente não conhece o café de alta produção, só o café mais antigo. Agora nós estamos orientando sobre as novas tecnologias e o que precisa ser feito de forma diferente”, pontuou o secretário.
Um dos objetivos da Secretaria de Agricultura é fazer a distribuição das mudas, mas é necessário primeiramente levar conhecimento aos produtores, com relação a esta nova forma de produção.
“Estamos orientando o que é essa nova tecnologia, pois queremos fazer algo diferente. Nós queremos antes de distribuir as mudas, tornarmos referência com um café produtivo”, acrescentou.
A irrigação foi outro tema debatido ao longo do encontro com os cafeicultores. O tema teve a abordagem por meio de integrantes da pasta da Agricultura. Outro ponto observado pelo secretário diz respeito a habilidade de cada produtor.
“Nós estamos com palestras sobre irrigação para ver se realmente alguns produtores têm aptidão para essa modalidade, se realmente que ser integrado ao nosso projeto”, ressaltou Luan.
Luma Regina Maldaner, técnica em Agropecuária da Empresa Mato-Grossense de Pesquisa, Assistência e Extensão Rural, foi uma das palestrantes ao longo do evento e aproveitou para citar as vantagens de trabalhar com o café clonal.
“A facilidade de trabalhar com o café clonal é a rapidez na produção. Antigamente o café de semente [seminal], só produzia 3 anos após ser plantado. E com 3 anos você está com a safra com o café clonal, que é uma das melhores formas de genética que já tivemos”, destacou.
Com a essa nova modalidade de produção, segundo ela, com apenas 2 anos e 4 meses, encurtando o caminho ao longo do tempo, ao passo que o café robusta convencional, exige um tempo de 4 anos para a primeira produção.
Outro fator positivo com o sistema clonal de produção está no resultado apresentado, cabendo ressaltar que o manejo da lavoura e outra variáveis devem ser levados em conta, podendo alcançar o patamar de 100 sacas por hectare.
“Trabalhando dessa maneira é possível sim. Em Nova Bandeirantes nós já temos produtores alcançando a margem de 100 a 120 sacas por hectare, média também alcançada em Rondônia”, comparou.
Em linhas gerais a média de produção em Nova Bandeirantes atinge cerca de 80 a 100 sacos por hectare. Segundo Luma, o número de produtores cadastrados na atividade do café chega de 100 a 150 produtores.
Contudo, a falta de acesso a linha de créditos é o grande entrave para muitos produtores na atividade cafeeira. O produtor Cláudio Roberto Gonçalves avalia que o café clonal não deixa de ser uma grande alternativa no município.
“Essa variedade de café que chegou no nosso município e eu creio que veio para ficar. É uma variedade muito produtiva, é um método muito bom, fazendo com a produção do café seja acelerada”, pontuou Cláudio.
Expectativa futura
Oriundo de família ligada diretamente a cultura do café, o produtor não deixou de fazer comparativos com as velhas formas de produção.
“Antigamente a gente fazia um plantio de café de mudas e sementes e demorava 3 anos para ter uma produção de café, mas hoje, com essa muda clonal, com 12 meses já tem colheita de café. Então, esse método é algo que veio para ficar, porque é rápido a produção e o retorno vem de forma imediata”, afirmou.
Em tempos de avanço por parte de outras culturas como a soja e o milho, já presentes em muitas áreas rurais do município, assim como a pecuária, Cláudio acredita que a cafeicultura vai ser manter firme nos próximos anos.
“O café é uma matéria-prima muito visada lá fora. Então, eu creio que isso aqui [se referindo a palestra] é um incentivo às famílias, pois vai segurar muita gente no campo”, finalizou Cláudio.